Biopolítica, máscaras e evidência científica

Sandra Capela*

CDC – Centers for Disease Control and Prevention
«Although mechanistic studies support the potential effect of hand hygiene or face masks, evidence from 14 randomized controlled trials of these measures did not support a substantial effect on transmission of laboratory-confirmed influenza».
Link: https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/26/5/19-0994_article

The Centre for Evidence-Based Medicine (CEBM, UNIVERSITY OF OXFORD)
«The increasing polarised and politicised views on whether to wear masks in public during the current COVID-19 crisis hides a bitter truth on the state of contemporary research and the value we pose on clinical evidence to guide our decisions».
Link: https://www.cebm.net/covid-19/masking-lack-of-evidence-with-politics/

BMJ (British Medical Journal)
«This study is the first RCT of cloth masks, and the results caution against the use of cloth masks. This is an important finding to inform occupational health and safety. Moisture retention, reuse of cloth masks and poor filtration may result in increased risk of infection. Further research is needed to inform the widespread use of cloth masks globally. However, as a precautionary measure, cloth masks should not be recommended for HCWs, particularly in high-risk situations, and guidelines need to be updated».
Link: https://bmjopen.bmj.com/content/5/4/e006577 

 

Comments

  1. Paulo Marques says:

    “Eu vi isto no Fakebook e acho relevante sem sequer ler o abstract”.

    Sars-Cov-2 não tem qualquer relação com a influenza;
    Sabe que já não é Maio, certo?
    “Health workers are asking us if they should wear no mask at all if cloth masks are the only option. Our research does not condone health workers working unprotected. ” E a solução é… trocar de máscara.

    Há sempre a opção mais segura de ficarmos todos em casa mais dois mese. São escolhas, parabéns pela vitória.

    • Elvimonte says:

      Continue, pois, de cabeça bem enterrada na areia com as calças pelos tornozelos e de rabo alçado à espera da vacina.

      Se a agulha lhe acertar metaforicamente entre as nádegas *, por erro ou omissão, não se queixe e agradeça, que os artigos científicos, como bem demonstra, não entram, mesmo com vaselina, nalgumas cabeças.

      Por “acertar metaforicamente entre as nádegas”, entenda-se:

      «II.1.4) Short description:
      The MHRA urgently seeks an Artificial Intelligence (AI) software tool to process the expected high volume of Covid-19 vaccine Adverse Drug Reaction (ADRs) and ensure that no details from the ADRs’ reaction text are missed.»

      • POIS! says:

        Pois olhe que é uma vantagem!

        Ainda bem que V. Exa. não precisa de vaselina nas entradas. Compreensivelmente, assim é capaz de ficar mais facilmente servido. Até porque, parece, não é esquisito. Marcham metáforas e tudo o resto!

      • Paulo Marques says:

        Tal como sobre os benefícios da austeridade, continuo à espera de argumentos.


  2. shit for the english article
    !

  3. Elvimonte says:

    Ainda sobre máscaras.

    “Effectiveness of personal protective measures in reducing pandemic influenza transmission: A systematic review and meta-analysis”
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28487207/

    «Meta-analyses suggest that (…) facemask use provided a non-significant protective effect (…).»

    Se as máscaras fossem eficazes, na Suécia, na Noruega e na Estónia, que nunca impuseram o seu uso, os números de infectados e de óbitos por milhão de habitantes seriam muito superiores aos dos países onde o seu uso é obrigatório, como Portugal, Espanha, Itália, França, RU, República Checa, etc..

    Acontece que é precisamente ao contrário: nos países onde a máscara é obrigatória é onde há mais infectados e óbitos, como pode ver-se, por exemplo, nos relatórios semanais do ECDC: https://covid19-country-overviews.ecdc.europa.eu/

    Mais: a Itália impôs o uso obrigatório de máscara na rua logo no início de Outubro e verifica-se que a taxa diária de testes positivos não parou de crescer.

    E, mudando para os testes rápidos e RT-PCR.

    «”Something extremely bogus is going on. Was tested for covid four times today. Two tests came back negative, two came back positive. Same machine, same test, same nurse. Rapid antigen test from BD,” Musk said in a tweet, referring to Becton Dickinson and Co’s BDX.N rapid antigen test.» (Reuters).

    Artigo do NYT “Your Coronavirus Test Is Positive. Maybe It Shouldn’t Be.”
    (https://www.nytimes.com/2020/08/29/health/coronavirus-testing.html)

    «With a cutoff of 35 [cycles], about 43 percent of those tests would no longer qualify as positive. About 63 percent would no longer be judged positive if the cycles were limited to 30.»

    Uma afirmação que vem ao encontro das peculiaridades do teste RT-PCR, que o Prof. Michael Mina e página do site do CEBM da Universidade de Oxford bem explicam.

  4. Filipe Bastos says:

    Já li artigos a recomendar a máscara, outros a pô-la em causa. Não tendo tempo ou interesse para tirar a questão a limpo, supondo que tal é sequer possível, parece-me de senso comum que usá-la deve ser melhor que não a usar.

    Em Abril o BMJ – https://bmj.com/content/369/bmj.m1435 – citou a respeito um artigo célebre: “Parachute use to prevent death and major trauma related to gravitational challenge: systematic review of randomised controlled trials”.

    O artigo era sobre utilizar ou não pára-quedas ao saltar de um avião. É no gozo, claro: a ideia central é que, havendo evidência empírica bastante que sugira que é algo benéfico, mais vale usá-lo do que perder vidas até testá-lo exaustivamente.

    Usar máscara com cuidados mínimos deve atenuar o contágio. Evitá-lo a 100% não evita, certezas não há, se calhar chove, se calhar não, etc., mas parece evidente que alguma coisa há-de evitar, se comparado a usar nada.

    Dito isto, detesto a porcaria das máscaras e não me espanta que causem a médio prazo outros problemas respiratórios.

    • Paulo Marques says:

      A questão é que uma coisa é o laboratório, outra coisa é a vida real. A medo experimentou-se, e abrimos qb. Deixou-se de respirar, e cá estamos. Sempre é mais evidência do que as vacas sagradas da economia.
      Quanto aos problemas respiratórios… quando os médicos e outras profissões começaram a morrer mais cedo, eu preocupo-me.

  5. Elvimonte says:

    Ainda sobre máscaras.

    “Effectiveness of personal protective measures in reducing pandemic influenza transmission: A systematic review and meta-analysis”
    (link: o “ascomete” não permite)
    «Meta-analyses suggest that (…) facemask use provided a non-significant protective effect (…).»

    Se as máscaras fossem eficazes, na Suécia, na Noruega e na Estónia, que nunca impuseram o seu uso, os números de infectados e de óbitos por milhão de habitantes seriam muito superiores aos dos países onde o seu uso é obrigatório, como Portugal, Espanha, Itália, França, RU, República Checa, etc..

    Acontece que é precisamente ao contrário: nos países onde a máscara é obrigatória é onde há mais infectados e óbitos, como pode ver-se, por exemplo, nos relatórios semanais do ECDC (link: o “ascomete” não permite).

    Mais: a Itália impôs o uso obrigatório de máscara na rua logo no início de Outubro e verifica-se que a taxa diária de testes positivos não parou de crescer.

    E, mudando para os testes rápidos e RT-PCR.

    «”Something extremely bogus is going on. Was tested for covid four times today. Two tests came back negative, two came back positive. Same machine, same test, same nurse. Rapid antigen test from BD,” Musk said in a tweet, referring to Becton Dickinson and Co’s BDX.N rapid antigen test.» (Reuters).

    Artigo do NYT “Your Coronavirus Test Is Positive. Maybe It Shouldn’t Be.”
    (link: o “ascomete” não permite)

    «With a cutoff of 35 [cycles], about 43 percent of those tests would no longer qualify as positive. About 63 percent would no longer be judged positive if the cycles were limited to 30.»

    Uma afirmação que vem ao encontro das peculiaridades do teste RT-PCR, que o Prof. Michael Mina e página do site do CEBM da Universidade de Oxford bem explicam.

    • Paulo Marques says:

      É melhor actualizar os dados da mortalidade na Suécia, ou então pode ignorá-los como ignora a Ásia, ou a queda de infectados pela gripe como coincidências.

      Quanto aos PCR… só posso mesmo dizer duh! São complementos, não são alternativas.

      • Paulo Marques says:

        Como é evidente, troquei conceitos porque a testagem já não está em questão por pessoas sérias. PCRs de baixa sensibilidade são alternativas quando não há melhor ou suficientes, mas, não sendo feitos a qualquer um, também não são inúteis.
        O que leva, sem grande surpresa, a quem seja preciso mais recursos para ter melhores resultados.

  6. Luís Lavoura says:

    A melhor evidência sobre o uso da máscara é a Chéquia, na qual as máscaras são obrigatórias desde a primeira fase da epidemia. Essa primeira fase foi ótima na Chéquia, e toda a gente ficou convencida que tal sucesso se deveria às máscaras, mas agora na segunda fase a Chéquia ficou submergida de casos e mortes, mau grado as máscaras.

    • POIS! says:

      Pois foi.

      O problema dos checos é o que deles disse o Dr. Paulo Portas: são muito disciplinados, tal como os outros povos do leste.

      O problema é que os checos puseram as máscaras em fevereiro e nunca mais as tiraram. Dormiam com elas e tudo. Acontece que o covide começou a ganhar resistências e começou a esburacar as máscaras. Foi uma desgraça. è no quye dá o excesso de disciplina.

    • Paulo Marques says:

      Não há panaceias. Quanto mais não seja porque continua a haver muita gente a usá-las no queixo.
      Por outro lado, o sudoeste asiático dá-se bem com elas.

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