Nem rei, nem roque

Pablo Rivadulla Duro, conhecido no mundo da música como Pablo Hasél, é um rapper catalão condenado a uma pena de nove meses e um dia de prisão pela justiça espanhola, por “injúrias ao rei”, “injúrias às autoridades do Estado” e “enaltecimento do terrorismo”, sentença baseada no conteúdo artístico do rapper e em publicações numa rede social.

Sessenta e quatro publicações no Twitter e uma música no Youtube. Foram estas as razões que levaram a justiça espanhola a condenar Pablo Hasél, em 2018, a uma pena de dois anos de prisão, posteriormente reduzida. Em 2020, o Supremo Tribunal de Espanha confirmou a decisão. Agora, em Fevereiro de 2021, Pablo Hasél é forçado a entregar-se às autoridades “de forma voluntária”.
Pablo Rivadulla Duro denunciou, em todas as suas músicas, a censura a que o Coroa espanhola submete o seu povo, os crimes económicos cometidos por Juan Carlos, o rei emérito, a hipocrisia da União Europeia colonizadora e imperialista, o ressurgimento dos fascismos um pouco por toda a Europa. Por isto, foi preso.

Convém recordar que há menos de um ano o Supremo Tribunal espanhol abriu uma investigação ao rei Juan Carlos I por suspeita de delitos de corrupção internacional, branqueamento de capitais e fraude fiscal, num esquema que lhe terá rendido, e à Coroa espanhola, cerca de 65 milhões de euros, em conluio com a Arábia Saudita. Como se não bastasse, Juan Carlos esteve também envolvido noutro escândalo: a caça ilegal de espécies ameaçadas em África, usando fundos públicos. Em Agosto de 2020 fugiu para os Emirados Árabes Unidos. Coincidências.

A juntar a tudo isto, o The Economist, numa publicação feita na semana passada, considerava Espanha uma “democracia plena”. Portugal, como se sabe, baixou à categoria de “democracia com falhas”. Se as falhas da Democracia portuguesa são piores do que a suposta plenitude democrática espanhola, não sei. Sei, isso sim, que Portugal não tem presos políticos. Nem Monarquia. Nem dinheiro. Talvez o The Economist, por ser uma revista do mundo económico, se baseie noutros factores, que não a Democracia, para aferir democracias. Não sei.

Espanha é aqui ao lado. A realidade não é assim tão distante, no entanto, em Portugal, nada se diz. A bem de uma suposta diplomacia internacional com “nuestros hermanos”, é óbvio que o Governo português, nomeadamente na pessoa do Ministro dos Negócios Estrangeiros, nada irá dizer. O que é curioso, quando nos lembramos que foi este mesmo Governo que, há não muito tempo, se apressou a pôr-se ao lado do imperialismo Estado-unidense e Europeísta, reconhecendo Juan Guaidó como presidente da Venezuela. Coincidências.

Não espanta, portanto, que num país tão próximo, tão histórico e tão cheio de pó por limpar, ainda não se tenha instaurado a única forma de governo realmente democrática: a República. Tudo o que vem associado à Monarquia, fosse no século XV, seja no século XXI, cheira a estrume. E continuará a feder enquanto uma só família detiver todo o poder concentrado nas suas mãos. E não há Parlamento fantoche com coligações de esquerda que o mascare.

Liberdade para Pablo Hasél.

 

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Há muito que o estado espanhol garantiu, quando poder ser e no formato possível, que a independência catalã virá, pois nunca voltarão a ser um povo unido. Em nome de canalhas e canalhices.

    • POIS! says:

      No meio disto tudo achei um piadão ao discurso do tipo do Vox lá da Catalunha.

      Disse que em breve seriam governo na Catalunha. Bem, descontando o evidente exagero, e o que ainda teria de esgalhar para o ser, to gajo quer ser presidente de um governo que o Abascal (uma espécie de franquito de barbicha e com ar de atleta de ginásio) acha que não deve existir!

      Sim , ouvi eu, dizer num debate televisivo que, se o Vox fosse governo, acabava até com as autonomias! E ilegalizava mesmo todos os partidos autonomistas!

  2. Filipe Bastos says:

    Desconhecia o Pablo, lamento-lhe o gosto: não há bom motivo para um europeu ouvir rap, muito menos para ser rapper. Body Count é o mais perto que consigo chegar.

    Se denuncia a podridão do regime e do rei, esse mamão trafulha, menos mal. Poucas coisas são tão intrinsicamente injustas como a monarquia. Raio de fantochada medieval.

    O Juan Carlos teve, apesar de tudo, um dom: o de desmentir mais uma vez o mito do ‘já tem tudo, não precisa de roubar’.

    A esta canalha nunca chega. Se nasceram milionários querem ser bilionários. Se já são bilionários querem o mundo todo, ou até para além dele, como o Musk ou o Bezos. Nem só a estupidez humana, como dizia Einstein, é infinita. A ganância também.

    • Paulo Marques says:

      Até lhe perguntava a opinião sobre o jazz, mas esse género já tem brancos, não deve haver problema.

    • João L. Maio says:

      Cito: “não há bom motivo para um europeu ouvir rap, muito menos para ser rapper”.

      Porquê? A música é propriedade exclusiva de grupos específicos?

      Quanto ao resto, de acordo.

    • Filipe Bastos says:

      Jazz é melhor, mas não muito. Aqui e ali ouve-se, mas a maioria varia entre o tédio, o devaneio e a cacofonia.

      Já viu os Body Count? São negros (e um cubano). O seu race-baiting torna-se enfadonho. Leve lá a taça woke.

      Maio, o rap é outra exportação pseudocultural americana para adolescentes pobres de espírito. Chulos e gandulos a vomitar alarvidades, amiúde sobre a sua riqueza ostensiva ou o que farão às suas hoes. 99.9% é lixo musical.

      É normal que americanos o ouçam: nascem e vivem entre lixo, não sabem nem dão para mais. Mas um europeu deve ter outros standards. É ridículo ver tipos como esse Pablo armados em gansgta do ghetto.

      • João L. Maio says:

        Eu percebo a ideia do rap que tem. Mas não vale a pena generalizar. Como em qualquer outro género musical, há o mainstream e o underground. Há o óptimo e há o péssimo. Há quem goste, há quem deteste.

        Respeito a sua opinião, mas não posso concordar com ela. Até porque o rap que conhecemos cá, não tem nada a ver com o rap estado-unidense. Obviamente, tendo nascido la, há referências. No entanto, há imensas divergências.

        Há uma polémica acrescida quando se fala em rap português e rap brasileiro; a rivalidade é grande e os brasileiros dizem que o rap português nem sequer é rap.

        Fora a discussão política, achei interessante ter tocado nesse ponto.

      • João L. Maio says:

        E devo dizer que nem sequer sou fã de rap!

      • Paulo Marques says:

        Idem ao que disse o João; também não gosto, como da maior parte das modernices musicais, mas já me foram apresentados bons argumentos como é a música interventiva do momento.
        Agora, como quase tudo nesta altura de comercialização da apolitização, o mais popular é vazio de conteúdo feito com estudos de mercado para apelar ao consumo e ao lucro. Mas há o resto. Também não conhecia, mas não me diga que discorda disto?

        «Hacen falta scratches, faltan pintadas,
        falta gente que no se agache por nada.
        Hacen falta ganas para saltar los baches.
        No sueño con Versace, sino con barricadas.

        El Estado legitima al heredero de Franco.
        En tu techo y en el juego siempre gana el banco.
        Un apoyo proletario de los barrios de Madrid.
        Nietas de guerrilleras en la Guerra Civil. »

  3. JgMenos says:

    Por cá apela-se à ilegalização do Chega menos pelo que diz mas pelo que dizem que quis dizer.

    Um qualquer comuna é condenado em tribunal de superior instância por factos ofensivos de leis, e ai coitadinho que não pode dizer o que bem lhe apetece!!!

    Vai-te catar!

    • João L. Maio says:

      Cate-se o Menos, está cheio de piolho salazarento nessa cabecinha.

      Ilegalizar um partido não põe ninguém na prisão.
      Lava-te, ó Menos. Cheiras a pide.

    • Paulo Marques says:

      Ó Menos, empresta-me aí a tua assinatura, é para uma coisinha. Não te deves importar que a duplique, afinal de contas, não tem problema nenhum. E a saudação nazi do comício, de facto, não foi dita.

      • POIS! says:

        Pois temos de ser condescendentes.

        Com o pobre JgMenos.

        Afinal, soube, de fonte segura, que aquele “vai-te catar!” não pretende, pelo menos, constituir nenhum nenhum insulto.

        JgMenos apenas deseja ao João Maio que, caso esteja na sua própria condição, alguém o alivie!

        Sim, JgMenos está atacado por todos o santo corpinho: acima do pescoço por piolhos salazarescos, na zona pudibunda por chatos venturosos e ainda há uma multidão de pulgas lepénicas a devorar-lhe o traseiro!

        Não imagina, Paulo, que sofrimento atroz! E atrás!!

        Por isso, se conhecer por aí alguma alma caridosa que esteja disposta a vestir, pelo Menos, um daqueles fatos espaciais anti-COVIDES e ajude o pobre a descontaminar-se, por favor, comunique.

        O JgMenos tem urgentemente de ser descontaminado, ou acaba devorado pelos coirões de insetos mamões que o infestam.

        Isto antes de se mandar para o primeiro Gulag á direita, quando se entra na Sibéria, vindo de cá. Acho que os gajos lá pagam ao quilo. Não se pode correr riscos.

    • Santiago says:

      Ó menos! vais sofrer como um cão! vamos esventrar-te filho da puta! A F.I.V.A. voltou ainda mais forte e com mais meios e estamos mortinhos por rachar fascistas ao meio!!!

      Vamos apanhar-te porco nazi!

  4. whale project says:

    Malta, tenham lá calma. E ponham uma velinha ao D. João IV que nos livrou de coisinhas destas. Por muitas queixas que possamos ter deste país nada se compara ao que se viveu e vive naquela manta de retalhos mantida a ferro e fogo durante séculos. Só nos últimos 400 anos foram oito rebeliões armadas afogadas em rios de sangue na Catalunha. Agora são prisões e exílios e eu certamente também estaria no exílio ou na prisão se não fosse D. João IV que nos livrou de coisinhas destas. Vivam os Conjurados de 1640!
    Viva o povo obrigado por Tribunais fascistas e grunhos a fazer umas eleições antecipadas em plena pandemia. Viva o povo que teve coragem de ir votar e mandar os espanholistas à merda. E mais uma vez, uma vela ao D. João IV que nos livrou de coisinhas destas.

  5. xico says:

    Qual é a parte da constituição espanhola que diz que “uma só família detém todo o poder concentrado nas suas mãos”? Não está a confundir com a república da Coreia do Norte, ou com a república de Cuba?