Social-fascismo?

Retirado da página de Facebook “Página Miguel Viegas”

Miguel Veiga talvez seja desconhecido da maioria. Mas façamos a apresentação.

Miguel Veiga é dirigente do PCP em Ovar e Aveiro. É, também, candidato do PCP à Câmara Municipal de Aveiro. Foi dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro e, entre 2009 e 2013, exerceu as funções de deputado na Assembleia Municipal de Ovar. É, neste momento, dirigente associativo no clube de canoagem de Ovar. É, portanto, alguém que, mesmo sendo desconhecido da maioria, ocupa e ocupou, no passado, cargos que o deviam fazer pensar duas vezes antes de abrir a boca. O facto de ser, nestas autárquicas, candidato a uma Câmara Municipal (reitero: pelo PCP, não pelo Chega), deveria reforçar esse sentido de responsabilidade, especialmente quando representa o partido que representa.

Vindo do meu lado, isto é, da esquerda, e de alguém que representa um partido que é irmão em lutas comuns, ainda choca mais.

Mas prova várias coisas. Prova, em primeiro lugar, que uns estão mais preocupados em enaltecer os países nos quais reina a sua ideologia, do que em elevar as pessoas do próprio país. Não digo que o PCP seja assim por inteiro, mas a cegueira ideológica sempre foi notória. Os anti-Cristo são, afinal, crentes empedernidos numa outra crença qualquer. Em segundo lugar prova, também, que os discursos luso-tropicalistas, racistas e ignorantes não grassam só à direita nem, tampouco, são exclusivos de alguns liberal-fascistas da praça. E, em terceiro, prova que a estupidez humana afecta qualquer um, dependendo do tema em questão, sendo que, quer à direita, quer à esquerda, anda muita gente enganada.

Neste caso, o erro é achar que há portugueses de primeira e de segunda, baseando-se em critérios contraditórios, como forma de tentar promover regimes comunistas e, ao mesmo tempo, descredibilizar uma conquista que, quer se queira quer não, é portuguesa por inteiro. Há quanto tempo ou por que razão um cidadão se naturalizou, não deveria ser relevante. Percebe-se, ainda assim, que isto seja um duro revés nas hostes comunistas: ter um atleta que foi perseguido pelo regime cubano, renunciar à sua pátria de nascença e que, depois de naturalizado português, traz medalhas portuguesas para Portugal, deve levar certos ortodoxos à loucura.

Contudo, não é só quando o tema é nacionalidade que o caldo entorna. Não nos esqueçamos que quando o tema é feminismo, há por aí muito esquerdo-macho, de uma certa esquerda conservadora, a quem lhe salta a tampa.

Não nos deixemos dormir sob fascismos ou social-fascismos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Se Pichardo estivesse em Cuba jamais teria sido campeão olímpico, até porque, uma das razões do sua saída foi precisamente a incompatibilidade gerada entre os organismos governamentais que tutelam o desporto cubano e a sua família, no que ao treino específico do atleta dizia respeito. Haveria de certeza outras razões, mas nem as vou insinuar.
    Pichardo: “Sou como um robô que o meu pai foi construindo peça por peça. Quando o mecânico do robô não está, o robô não funciona bem”
    Depois, há sempre os mal resolvidos na vida, comunistas, ex comunistas, ex maoistas, ex liberais, e aqueles que acham que a sorte não dá trabalho.
    Por vezes dá!


  2. Sinceramente? Acho que isto não tem nada que ver com política.

    Vou recordar uma coisa, se calhar já esquecida de muito boa gente. Quando se falou da possibilidade de Deco rumar à seleção, toda a gente, desde jogadores (Figo, Rui Costa) treinadores – Fernando Santos sempre foi contra – comentadores como Freitas Lobo, sempre foi contra. Passou-se o mesmo com Pepe e com Liedson. Porquê? Alguém que explique se souber, mas não tem nada que ver com comunistas ou fascistas.

    Hoje, grande parte dos que exultam e fazem o contorcionismo com o ouro olímpico foram contra o uso de naturalizados na seleção de futebol.

    Tudo isto não passa de mesquinhez, ser muito pequenino e olhar para a sua quintinha.

    Qualquer cidadão que tem B.I. português tem os mesmos direitos que outro qualquer nascido em Portugal e não deve nem pode ser discriminado.

    P.S: Não sou adepto de futebol há anos muito menos simpatizante do FCP.

  3. Paulo Marques says:

    Também estou para ser apresentado a um membro do PCP que não gosta de bairros sociais, porque é tudo drogado.
    Imbecilidade ignorante é coisa que não falta, se calhar a catástrofe climática ainda é o melhor para o universo.

    • João L Maio says:

      Esse membro do PCP tem de entrar, um dia, no Lux-Frágil.

      E todos sabemos que o Lux-Frágil não é, propriamente, um bairro social, nem tampouco uma cooperativa de proletários agrícolas.

  4. Filipe Bastos says:

    Que bom ficar a conhecer o Miguel Veiga, comunista de Ovar, e as suas opiniões sobre um tipo que rema e outro tipo que salta. Obrigado, Maio.

    Ora ele diz o óbvio: o Pimenta é, ou parece ser, tuga de gema – até no fascínio pacóvio pelo Botas. Já o Pichardo nada tem de tuga: a cultura, os genes, nada. Veio para cá homem feito e já atleta. Claro que as razões do comuna Veiga são outras; mas é verdade na mesma. Pichardo é tão português como eu sou mongol.

    Há mal nisso? Nenhum. Os países, as fronteiras, os povos, tudo isto são convenções transitórias. Têm a importância que lhes quisermos dar. Para começar, seria bom dar menos importância a tretas desportivas que só servem para sedar a carneirada.

    • J. M says:

      ” Para começar, seria bom dar menos importância a tretas desportivas que só servem para sedar a carneirada.”
      Sim, a mim impressiona-me muito (e desfavoravelmente) a mania dos que ganham se embrulharem numa enorme bandeira do respectivo país. E a maneira como alguns cantam o hino! É um nacionalismo exacerbado. Não gosto. Isto é, detesto.

      • J. M. Freitas says:

        O comentário de J. M (dia 5 de Agosto, 22:37) é meu: J. M. Freitas.
        Não sei por que apareceu só como de J. M

      • João L Maio says:

        Então já somos dois, J.M. Freitas.

        Não posso com chauvinismos. Bato a palma, parabéns e siga a marcha. Neste caso, a corrida até à caixa de areia!

  5. Filipe Bastos says:

    Se permite um tema menos premente e menos importante, Maio, foi feito um estudo a mais de 300 eleições entre 1948 e 2020:
    https://bit.ly/3xp8wfx

    Principal conclusão: a esquerda deixou de representar os menos favorecidos, graças à identity politics e à ‘neoliberalização’ do centro-esquerda – o New Labour, ou o nosso Partido Sucateiro – e hoje as eleições servem apenas duas elites: os mais ricos e os mais educados. O Maio será um exemplo dos últimos.

    E assim vamos cantando, rindo e ajoelhando a wokices, enquanto a desigualdade sobe e a esquerda cai a pique. Depois chocamo-nos muito com os Trampas, Orbáns e Bozonaros.

    • João L Maio says:

      Filipe,

      Vou ler com agrado.
      Obrigado pela partilha!

    • Paulo Marques says:

      Eu gosto que aponta para um artigo, de um jornal que critica os outros por supostamente lerem, a dizer que os trabalhadores não gostam de quebrar fronteiras logo a seguir dizer que não gosta de fronteiras. É bonito, até faz de conta que não está lá e tudo.
      Mas adiante, o problema de Piketty é que a alternativa dele são acordos internacionais de impostos que nunca vão acontecer, como a farsa dos 15% de IRC mostrou, embora acerte na cedência à narrativa neoliberal. Para depois o Filipe ignorar a importância de que chama “woke” em Novembro passado, sem o qual milhões não teriam votado, ou da impopularidade de Bolsonaro. Que as Pelosis e os Costas deitem tudo fora não altera que as Catarinas e as AOCs estejam nas manifestações e nos piquetes, e que proponham alterações laborais que não são aceites pelos “responsáveis”.
      Mas, também, se o Filipe fosse americano, era um dos que dizia que o M4A era apoio aos preguiçosos e o perdão de dívidas era apoiar mamões, por isso, continua por saber o que era “representar os menos favorecidos”.

  6. luis barreiro says:

    Mais importante do que este assunto de novela, era escrever e falar sobre os direitos humanos dos cubanos, ou a não …

    • Paulo Marques says:

      Já passamos uma semana a ver imagens de protestos ao contrário e protestos de outras proveniências, mesmo sem alterar bandeiras e cartazes; se fossemos tão criativos com outros aliados seria interessante. Até, sei lá, uma democracia com um complexo prisional-industrial com trabalho escravo.

  7. Luís Lavoura says:

    Neste caso, o erro é achar que há portugueses de primeira e de segunda

    O comentário de Miguel Viegas transcrito na cimalha deste post não diz, nem sugere, que haja portugueses de primeira e de segunda. Apenas sugere que o mérito de Pichardo não é somente de Portugal, mas é também de Cuba.

    • João L Maio says:

      A sério? Olhe que ninguém tinha percebido.

      Será você o Luís Poirot? Você é um génio!

  8. Luís Lavoura says:

    Vindo do meu lado, isto é, da esquerda, e de alguém que representa um partido

    O João Maio representa o Bloco de Esquerda? Não é simplesmente um militante de base?

    (Então o caso é mais grave do que eu julgava.)

    • João L Maio says:

      Sim, represento o Bloco de Esquerda. Onde quiser e me apetecer.

      Já vi que o Luís representa o saudosismo.

  9. estevesayres says:

    Para que não pesem, que só sou é que critico o P”C”P (revisionista e social-fascistas); aqui vai…

    (…)”A propósito dos acontecimentos em Cuba
    São tempos de grande agitação social aqueles que se vivem em Cuba. O bloqueio assassino a que o país está sujeito por parte dos Estados Unidos continua a ser um enorme empecilho ao desenvolvimento económico da nação cubana e a pandemia veio agravar as situações de enorme pobreza que afectam uma grande parte do povo cubano. Esse mesmo embargo não pode, contudo, ser desculpa para a situação actual do país. Ao longo dos anos, o Partido Comunista de Cuba levou a cabo sucessivas reformas, acentuadas a partir do colapso da União Soviética revisionista (de quem Cuba sempre foi seguidista), que afastaram Cuba cada vez mais do suposto socialismo que, nas palavras dos seus governantes, é a ideologia oficial do regime. O reatar de relações promovido pela administração de Obama ou o desfile de moda da multinacional Chanel em Havana são apenas alguns dos muitos exemplos que evidenciam que o regime cubano abandonou por completo o socialismo, optando por “vender a alma ao diabo”. O oportunismo tão próprio do imperialismo ianque, que acaba de condecorar Cuba com mais sanções – imperialismo esse que procura, desesperadamente, aumentar a sua rede de influência, numa altura em que a China caminha a largos passos para se tornar a maior potência económica do mundo – é a prova que de nada valeu ao regime ceder aos interesses americanos. Tudo isto, curiosamente, sob a tutela do racista Biden, antigo vice de… Obama, para grande espanto de alguma esquerda pequeno-burguesa que jurava a pés juntos que Biden seria uma melhor alternativa ao lunático Trump”!.. (Partes do texto do meu amigo Ernesto, retirado do jornal online “Luta Popular”)

    Outra, esta e de outro amigo

    (…)”Sobre a medalha de ouro olímpico do português Pablo Pichardo
    Nunca fascistas e revisionistas estiveram tão próximos na sua verve reaccionária de condenação ao atleta natural de Cuba.
    Juntos na intolerância racista e xenófoba, atrevem-se a chamar traidor a Pichardo, como se fossem também traidores todos os portugueses que emigraram para os EUA ou para a África do Sul, em pleno apartheid, em busca de melhores condições de vida.
    Viva Pablo Pichardo, és bem vindo, os cães ladram e a caravana passa”!..
    De: João Manuel Ribeiro

    Mas tenho mais…

  10. estevesayres says:

    Por fim: Nem fascismo, Nem neofascismo Nem social-fascismo! A gora vou pagar a conta da água da luz e gaz com os respectivos aumentos… mas não se esqueçam temos no Parlamento gente que se diz de esquerda, sociais-democratas cristãos, liberais democratas, pelos animais (PAN), socialistas e comunistas!!! Que nada fazem pelos mais pobres deste país…

  11. LUIS COELHO says:

    Politicos???!!!! acreditei no que dizia o alvaro até cair o muro de BERLIM!
    Como disse e escreveu SARAMAGO, não há esquerda nem direita, mas sim um bando de salafrários que se unem para nos roubar!

    • POIS! says:

      Pois não admira!

      O Saramago escreveu tanta coisa! Pode até afirmar-se, com toda a certeza, que escreveu tudo.

      Conhece aqueles versos que os ceguinhos vendiam chamados “Lusiadas”, ou lá que era? Foi o Saramago que escreveu vendeu a um cego, numa altura em que não tinha dinheiro nem para mandar cantar o mesmo.

      Os rótulos das caixas da “Farinha Amparo”? Foi o Saramago!

      A bula do “Advancis Easylax Forte”” ? Também foi o Saramago, num momento de aperto.

      Aquelas letras em latim ao pé da águia do Benfica? É uma frase do Saramago. Significa “de muitos, um, pelo menos, pode ir parar á cadeia”.

      As obras de Saramago são intermináveis. São dele obras como “A Mulher na Sala e na Cozinha”, “Manual Prático de Saneamento Básico”, “Sou uma Rapariga do Liceu”, “Anais do Cardeal Cerejeira”, “Ambrosio, Chofer Russo”, “Doze Meses de Cozinha”, “Nove Semanas e Mais Uma”, para só mencionar uma ou duas”.

      Recentemente foi editado um inédito, que ficou assim por problemas de saúde do escritor, intitulado “A Última Tanga Tuítada no Faicebuque”. Foi aí que apareceu a frase citada.

      Vê-se que V. Exa, está atento a estas coisas da Literatura.

  12. frar says:

    Pois é:
    -> o ‘problema’ do europeu-do-sistema XX-XXI não é Identidade, mas sim, ‘tiques-dos-impérios’ (/cidadanismo de Roma)!
    Ora, de facto, este europeu (para além de projetar uma economia de índole esclavagista) não gosta de trabalhar para a sustentabilidade; pois, em vez de trabalhar para a sustentabilidade, este europeu quer é estar na gestão:
    – quer é estar na gestão da atribuição da nacionalidade;
    – quer é estar na gestão da atribuição de vistos de trabalho.
    -etc.
    Adiante.
    .
    .
    Os supremacistas demográficos (africanos e outros…) que se entendam com o europeu ‘tiques-dos-impérios’ XX-XXI: estes europeus são neo-esclavagistas!
    -> Os Identitários, esses, estão interessados é em LIBERDADE: a liberdade de ter o SEU espaço e prosperar ao seu ritmo.
    .
    O europeu-do-sistema XX-XXI é da mesma laia dos nacionalistas-esclavagistas!
    .
    Os nacionalistas- esclavagistas foram ”’pioneiros”’:
    1- renegaram o Ideal Identitário que esteve na origem da nacionalidade (”ter o seu espaço, prosperar ao seu ritmo”);
    2- projectaram uma economia de índole esclavagista (partiram  do pressuposto da existência de outros como  fornecedores  de abundância  de mão-de-obra servil; nota: era preciso rentabilizar o investimento na construção  de caravelas);
    3- executaram as mais variadas sabotagens sociológicas anti-intenções Identititárias… pois, pois, intenções Identitárias prejudicavam interesses económico-financeiros.
    .
    O europeu neo-esclavagista (o europeu-do-sistema XX-XXI) é mais do mesmo:
    1- renega o Ideal Identitário que esteve na origem da nacionalidade;
    2- projecta uma economia de índole esclavagista;
    3- executa as mais variadas sabotagens sociológicas anti-intenções identitárias…
    .
    .
    .
    SEPARATISMO IDENTITÁRIO
    -> é natural o separatismo Identitário por motivos óbvios: na origem da nacionalidade não esteve cidadanismo de Roma, mas sim, o Ideal Identitário: ”ter o SEU espaço, prosperar ao seu ritmo”.
    .
    .
    Não sejas um cobarde/traidor daqueles que no passado lutaram pela LIBERDADE!
    -> Urge: LIBERDADE/DISTÂNCIA/SEPARATISMO… em relação aos… cidadãos de Roma que não gostam de trabalhar para a sustentabilidade.
    Leia-se:
    -> Urge um movimento pan-europeu de liberdade/distância/separatismo em relação ao europeu neo-esclavagista (os europeus do sistema XX-XXI).
    .
    .
    SEPARATISMO-50-50
    Todos Diferentes, Todos Iguais… isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» INCLUSIVE as de rendimento demográfico mais baixo, INCLUSIVE as economicamente menos rentáveis.
    .
    obs: os ‘globalization-lovers’, UE-lovers, etc, que fiquem na sua… desde que respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa.

  13. Pedro Vaz says:

    Só falou a verdade. A medalha foi COMPRADA ponto final. Metam a balela americanizada do “racismo” no c*

    • João L Maio says:

      Se foi comprada, sabe-me dizer quanto custou?

      Americanizada? Não tem de me insultar.

    • POIS! says:

      Pois agora é que está tudo lixado!

      Allô aventares! Chega de descanso! O Vaz fugiu do manicómio! É perigoso e continua armado! (em parvo…)

  14. ppvnam says:

    Pois, para os gigantes tecnológicos, quaisquer intenções Identitárias que prejudiquem interesses económico-financeiros é racismo!
    .
    Um exemplo:
    – qualquer trabalhador autóctone que proteste (contra a imigração) afirmando o óbvio [« num planeta aonde mais de 80% da riqueza está nas mãos dos mais ricos, que representam apenas 1% da população, quem deve pagar a ajuda aos povos mais pobres é a Taxa-Tobin, e não a degradação das condições de trabalho da mão-de-obra servil de outros povos »] deve ser considerado declarações racistas.
    – etc.

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