É preciso ter Olhão, mas a PSP não tem olhinhos

Imagem retirada de Rádio Renascença.

Nos últimos dias, muito se especulou acerca da origem e das motivações dos gandulos que agrediram um cidadão imigrante em Olhão.

Lia ontem no jornal Público que, supostamente, estes faziam parte de uma classe sócio-económica mais baixa, viviam num bairro ”problemático” (adjectivação bacoca e discriminatória), não estudavam nem trabalhavam. Ora, tendo os jovens idades compreendidas entre os 16 e os 19 anos, achei muito estranho que, pelo menos, não estudassem, uma vez que até aos 18 anos está em vigor a escolaridade obrigatória (12° ano). Se, como dizia o Público, “não estudam”, então saber-se-ia se a CPCJ e outros acompanhavam, ou não, os jovens e respectivas famílias (mas a notícia era omissa em relação a isso).

Hoje, no Expresso, ficamos a saber que estes jovens não são de nenhum bairro social “problemático”, mas sim “jovens bem enquadrados socialmente”. Trocado por miúdos (no pun intended), são jovens que não passam dificuldades sócio-económicas de sobremaneira. Apenas um desses jovens faz parte do tal bairro mencionado na notícia do Público de ontem.

Diz a PSP que acredita que a motivação dos jovens criminosos é apenas o roubo e que os ataques a imigrantes, por parte do grupo, são meramente feitos por estes (os imigrantes) serem “alvos fáceis”, afastando a hipótese de xenofobia. Vamos lá ver uma coisa: a PSP não tem formação sobre o que são as várias formas de discriminação? É que, segundo entendo, atacar um imigrante (ou vários) por estes, no entender de quem ataca, serem “alvos fáceis” e, assim, perpetrar o roubo, parece-me uma atitude xenófoba, pois pressupõe a “fraqueza” do cidadão ou o deslocamento da pessoa face à sua terra natal, para que o ataque seja efectuado. Ou seja, se o alvo são imigrantes, seja por que motivo for, mas exclusivamente imigrantes, como é que está “excluída” a hipótese de xenofobia? Mais: se os jovens são pessoas “bem enquadradas socialmente”, como é que a única motivação pode ser, simplesmente, o roubo de imigrantes com recurso à violência? 

Em Portugal, sabemos, faz-se de tudo para que crimes de ódio não sejam tratados como crimes de ódio. E, depois, acontece-nos ter um deputado da extrema-direita, já condenado por crimes de ódio, a processar uma outra deputada da esquerda por esta ter afirmado que a extrema-direita comete crimes de ódio… vá-se lá perceber. 

É o país (e a polícia) que temos.

Ventura e Montenegro: descubra as diferenças

Nunca pensei dizer isto, mas quando André Ventura fizer ao PSD de Montenegro o que fez àquele pequeno partido do pai da deputada Rita Matias, vou ter saudades do CDS. E vocês também. Eram tempos mais simples.

A xenofobia da extrema-direita atropelada por um camião

conduzido pelo Daniel Oliveira. O artigo no Expresso é aberto e merece ser lido.

Um Musk, um Zuckerberg e um Bezos entram num bar

Mensagem do Facebook.

A partir do dia 1 de Dezembro, não poderás dizer, no teu perfil pessoal no Facebook, se és social-democrata, comunista ou liberal, nem se és agnóstico, ateu ou crente.

Em alternativa, podes juntar-te a uma força de segurança, criar vários grupos só para polícias e/ou militares e podes ser racista, xenófobo e homofóbico à vontade.

O que nos vale é que a Esquerda controla a Comunicação Social e as redes sociais e, por conseguinte, a opinião pública… assim, está tudo bem e está tudo explicado. O bizarro Elon Musk decidiu que ser bilionário estava uma seca e vai daí decide acabar com o Twitter; o lunático Jeff Bezos, decidiu que não estava a ganhar dinheiro suficiente, vai daí e despede 10.000 trabalhadores. Entra o Mark Zuckerberg, pede um copo de leite e diz que “política e religião não se discutem!”.

O mundo novo cheira a velho.

A Grande Chalupação

Um terço dos americanos acredita que os imigrantes que chegam aos EUA estão ao serviço do Partido Democrata, com a missão de substituir a população branca. Uma genial teoria da chalupiração, de seu nome A Grande Substituição, por cá subscrita por alguns cronistas de Observador e pela palermosfera da direita radical à extrema-direita.

Seria importante que alguém lhes explicasse, devagar e com desenhos, para que o Tico não entre em conflito com o Teco, que esses migrantes, nos EUA ou em Portugal, chegam para fazer o trabalho que os locais não querem fazer e que os patrões pagam mal e porcamente. E são, não raras vezes, recrutados por empresas de recursos humanos para empresas que procuram mão-de-obra barata no nível imediatamente acima da escravatura. Para não parecer tal mal.

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Ex-deputado eleito pelo movimento de Rui Moreira condenado por racismo

Em 2018, David Ribeiro, na época deputado municipal eleito pelo Porto, o Nosso Movimento, do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, escreveu na sua página pessoal no Facebook que um grupo de “20 a 30 romenos” (de etnia cigana) eram “um autêntico martírio” para alguns comerciantes e residentes, sem apresentar qualquer prova da sua afirmação, naquilo que se mostrou como uma gratuita manifestação de xenofobia.

A publicação, intitulada “Ciganos Romenos no Porto”, apresentava-nos um rol de preconceitos racistas e xenófobos contra a comunidade romena no Porto, rematando com a sugestão, às autoridades, que estas pessoas fossem, de alguma forma, postas (ainda mais) à margem da sociedade, sem haver provas materiais que as pusessem em situação de potencial criminalidade.

Depois de em Junho deste ano a Comissão Permanente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) ter condenado o antigo deputado municipal a uma (irrisória) coima de €428,90, a mesma vem, agora, reiterar a decisão, obrigando David Ribeiro a cumprir com a condenação. Diga-se, de passagem, que David Ribeiro não recorreu da decisão… mas o movimento de Rui Moreira recorreu, perdendo agora o recurso.

O caso veio a público em 2018, depois de David Ribeiro ter publicado o texto na sua página de Facebook e de, dias mais tarde, o Bloco de Esquerda do Porto ter levado o assunto à Assembleia Municipal. Foi Tatiana Moutinho, que esteve integrada nas listas do Bloco de Esquerda à autarquia portuense e Piménio Ferreira, um cidadão do Porto, quem apresentou queixa à CICDR, juntamente com a SOS Racismo; agora, quatro anos depois, saem vitoriosos do caso, tendo o agora ex-deputado municipal neo-liberal de cumprir com o estipulado.

O movimento “independente” conta com o apoio do CDS-PP, do IL e do PPM.

David Ribeiro, antigo deputado municipal portuense eleito pelo movimento de apoio a Rui Moreira, foi condenado por xenofobia

Eleitora do CH dá workshop em público sobre como ser uma “portuguesa de bem”

Racista, xenófoba, histérica, mal-educada e (aparentemente) a beber acima das suas possibilidades. Eis uma “portuguesa de bem”, acabadinha de chegar da década de 60.

Sim, é a mesma racista que insultou, há dias, os filhos de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. E sim, também bebeu acima das suas possibilidades nesse dia. Podes tirar a extrema-direita da tasca, mas nunca conseguirás tirar a tasca da extrema-direita

Mascarilhas

A Iniciativa Liberal também é isto. Mais não se poderia esperar de um sub-partido do PSD, tal como o é o proto-fascista Chega.

Contexto: no âmbito do Roteiro Climático, o Bloco de Esquerda esteve em Odemira, onde reuniu e ouviu as queixas dos trabalhadores imigrantes das estufas de agricultura intensiva que pululam em Odemira. Mostrou-se solidário com os imigrantes e disposto a não deixar cair o tema. O Bloco de Esquerda não fez um comício, reuniu com associações e trabalhadores das estufas em Odemira. Acontece que a maioria desses trabalhadores é originário do Paquistão ou do Bangladesh.

João Caetano Dias é membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal. Não é, portanto, um mero militante de base ou um simples eleitor do partido. É alguém com grandes responsabilidades naquilo que é a acção do mesmo. Um partido que se diz liberal, que gosta de poluir as avenidas com outdoors populistas onde até o Brasil de Bolsonaro é socialista, que tanto prega a liberdade e tanto quer fazer parte das marchas disto e daquilo, começa a exagerar nas opiniões racistas, xenófobas ou homofóbicas, mascarando-as como “piadas” que mais não são do que a caixa de ressonância do seu próprio pensamento.

Por um lado, começam a mostrar realmente o que são, o que não é mau, porque há uns quantos enganados que começarão a abrir os olhos. Por outro, é já evidente que a IL é tudo menos liberal (no máximo, é neo-liberal) e são atitudes e “piadolas” como esta que demonstram de que lado estão, de facto.

É uma pena. Pois apesar de ser contrário à ideologia em que me revejo, a IL tinha tudo para acrescentar no panorama político português. E assim parecia encaminhar-se… agora, mostram que não são mais do que um PSD 2.0. A IL é contra os impostos… mas se a estupidez pagasse imposto, a IL seria estropiada.

Refugiados da Ucrânia que ninguém quer

Já se sabia disto há algumas semanas, mas assobiamos todos para o lado, na esperança que a coisa se resolvesse. E sim, esta situação era mais do que expectável. Por muito que o queiram negar, Portugal tem um problema de racismo e esta situação só o veio confirmar.

Segundo Laurinda Alves, vereadora da CM de Lisboa, estão cerca de 60 refugiados, vindos da Ucrânia, no abrigo temporário da autarquia, porque, afirma a vereadora, “ninguém os quer”.

E porquê?

Porque o tom de pele está no pantone errado.

Nenhum deles é branco.

São sobretudo estudantes de países africanos.
E, muito provavelmente, rezam a um Deus diferente.

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Wokismo é folclore. Poder é outra coisa

Somos constantemente bombardeados com histórias mirabolantes sobre o lobby woke, que, alegadamente, tomou conta dos EUA. Sobre o poder de uma esquerda que praticamente não existe, com a excepção de uma meia-dúzia de representantes eleitos em círculos mais progressistas, como Ocasio-Cortez ou Bernie Sanders, que por cá, quanto muito, integrariam as fileiras do PS ou, no limite, a ala social-democrata do BE.

Acontece que, nas questões que realmente importam, nas decisões que realmente pesam e definem o futuro dos americanos, vemos quem verdadeiramente manda naquele país.

Vemo-lo no enorme fosso que separa ricos e pobres, num país que ainda é a maior economia mundial e permite que pessoas trabalhadoras vivam em tendas, porque não ganham o suficiente para pagar uma casa. Em nome da liberdade, dizem eles.

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Terrorismo supremacista volta a matar nos EUA

Nos EUA, um terrorista de 18 anos entrou no supermercado de um bairro de população maioritariamente negra, matou 10 pessoas, feriu três e transmitiu tudo em directo na Twitch.

Os EUA têm um problema de terrorismo, com origem em organizações e propaganda de extrema-direita, que tomaram o Partido Republicano de assalto desde Trump, onde, de resto, a invasão de Putin colhe inúmeros apoios, do Congresso ao Senado, passando pela Fox News.

Estranhamente, a imprensa do mundo livre insiste em abordar esta realidade como uma sequência de casos isolados, levados a cabo por maluquinhos, como se não fosse possível encontrar um padrão e uma série de responsáveis, com o anterior presidente americano à cabeça, coadjuvado por personagens sinistras como Steve Bannon, Tucker Carlson ou Marjorie Taylor Green.

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Carlos Guimarães Pinto atropela a luso-Wehrmacht

Há todo um oceano que me separa de Guimarães Pinto e da IL em matéria de relações laborais, Estado Social e opções macroeconomicas. Mas irrita-me, profundamente, quando se mete a IL no saco do CH, algo que de resto apenas contribui para normalizar a extrema-direita. Neste curto extracto de uma recente sessão parlamentar, está a prova de que, nas questões essenciais, como o são os direitos humanos e a decência em geral, a IL está na trincheira da democracia. E isso, nos tempos que correm, parece-me fundamental. Expor a xenofobia, o racismo, a manipulação, a demagogia e o extremismo putinista da extrema-direita portuguesa é, inequivocamente, um serviço ao país, no qual me sinto sempre representado.

Vladimir Putin e as sanções

Há quem esteja a enveredar pelo caminho da xenofobia. Existem até relatos de crianças russas insultadas em escolas por cá e noutros pontos da Europa. Mas nenhum povo, como o russo, sabe o que é a mão pesada de Putin. Há 20 anos.

Vladimir Putin e o Padrão dos Descobrimentos

No meio de tanta desgraça, de tanto sofrimento, destruição e morte, há quem não tenha mais o que fazer do que incitar ao ódio numa das suas versões mais imbecis, apelando ao boicote de Tolstoi e Tchaikovsky, insultando emigrantes russos que, na sua maioria, saíram do país para escapar ao regime de Putin, e até, imagine-se, a normalizar o bullying a crianças russas. Como se algum deles tivesse alguma coisa a ver com Vladimir Putin.

O que vem a seguir?

Destruir todos os bares, restaurantes discotecas e supermercados que vendam vodka?

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Refugiados, segundo André Ventura (feat. Vladimir Putin)

Apesar das dissidências, e dos processos de autodeterminação de vereadores eleitos pelo CH, André Ventura conseguiu montar uma convenção autárquica. Mais dois ou três meses era capaz de só lá estar ele, Maria Vieira e Nuno Afonso.

Parafraseando Bruno Aleixo: “a mim que me importa”, a convenção do CH?

Não importaria muito, de facto, não a tivesse Ventura usado para lançar o isco a palermas como eu, sempre preparados para lhe dar o palco que ele deixou de ter há semanas, por não terem – no meu caso – a capacidade de ficar calados perante manifestações de racismo e xenofobia que, em boa verdade, já não surpreendem ninguém. Pela conveniência do momento, os refugiados da Ucrânia são receber de braços abertos. Já outros refugiados, de outras guerras e latitudes, não passam sub-pessoas, munidas de um extravagante iPhone, que querem vir para Portugal “viver à conta dos nossos subsídios e dos nossos impostos” e “tornar as nossas mulheres objectos e obrigá-las a andarem de burqa na rua”.

Este discurso é abjecto. Lamento se contribuo para dar palco ao indivíduo, na insignificância do palco que lhe possa conceder, mas não é para mim possível ficar calado perante este nojo. Ventura encara os refugiados do Iémen, da Síria ou da Líbia com o mesmo desprezo e a mesma falta de humanidade com que Putin encara os ucranianos. E causa repulsa, a tentativa forçada, e sucessivamente falhada, de difundir a islamofobia, num país sem historial de problemas com a comunidade islâmica, apenas para seguir a cartilha dos seus parceiros europeus, que ainda ontem recebiam financiamento em rublos e envergavam t-shirts de Vladimir Putin.

É abuso de autoridade, é violência policial, é terrorismo pago por todos nós, ó animais – ou quando o racismo vem fardado

“É gás pimenta, ó animal”: militares da GNR torturam por diversão imigrantes de Odemira

Quantos mais “casos isolados” de violência policial terão de haver para percebermos, enquanto sociedade, que já não são casos isolados?

As autoridades competentes da UE ou da ONU têm alertado: cuidado com a infiltração da extrema-direita nas Forças de Segurança portuguesas. Mas ninguém parece estar minimamente interessado. [Read more…]

Social-fascismo?

Retirado da página de Facebook “Página Miguel Viegas”

Miguel Veiga talvez seja desconhecido da maioria. Mas façamos a apresentação.

Miguel Veiga é dirigente do PCP em Ovar e Aveiro. É, também, candidato do PCP à Câmara Municipal de Aveiro. Foi dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro e, entre 2009 e 2013, exerceu as funções de deputado na Assembleia Municipal de Ovar. É, neste momento, dirigente associativo no clube de canoagem de Ovar. É, portanto, alguém que, mesmo sendo desconhecido da maioria, ocupa e ocupou, no passado, cargos que o deviam fazer pensar duas vezes antes de abrir a boca. O facto de ser, nestas autárquicas, candidato a uma Câmara Municipal (reitero: pelo PCP, não pelo Chega), deveria reforçar esse sentido de responsabilidade, especialmente quando representa o partido que representa. [Read more…]

Temas da silly season…

Chego tarde ao assunto da silly season, porque só hoje o li, e nem pretendo entrar na discussão sobre o texto de Maria de Fátima Bonifácio, vou passar ao lado do coro de indignados e virgens ofendidas, regra geral em Portugal nesta matéria reina a hipocrisia e abunda a ignorância e pouco me interessa o pensamento da senhora, que afinal representa quem? A mim, de certeza que não.
Ao que parece há quem defenda que o problema da integração dos ciganos e africanos se resolve com quotas. Quanto aos primeiros, será lógico que pergunte, mas quais ciganos? Os que teimam continuar nómadas? Ou aqueles que estão perfeitamente integrados na sociedade? É que os últimos não representam os primeiros, até se desprezam mutuamente. E se formos falar em africanos, deixem que pergunte, quais? Os angolanos? Os cabo-verdianos? Os guineenses? Os moçambicanos? Basta visitar um bairro na periferia de Lisboa para perceber que não frequentam os mesmos estabelecimentos, muitas vezes nem se misturam. E se mergulharmos um pouco mais fundo, acabamos a perceber que entre negros de pele mais escura e mulatos por vezes também se gera fricção. Antes de mandarem bitaites, há que perceber a realidade do outro. [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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O discurso xenófobo de Passos Coelho e os vistos gold

Foto@Público

Quando o deputado Passos disse à sua claque que não queria qualquer um a viver no nosso país, será que se referia aos oligarcas do Partido Comunista Chinês, entre outras figuras de igual envergadura ética e moral, a quem atribuiu vistos gold a torto e a direito?

Já agora, não havia um ex-ministro do governo do mesmo Passos, a ser julgado por vários crimes, relacionados com esses mesmos vistos gold, sobre o qual a imprensa controlada pela Geringonça soviética não pára de falar? Ah, espera lá, afinal não fala. Nunca. Apesar do julgamento decorrer há vários meses. Estes soviéticos modernos, o Estaline que descubra e vai tudo parar ao gulag…

Sobre o crescimento do racismo e da xenofobia na cúpula do PSD

Foto: Público

Feliciano Barreiras Duarte, antigo secretário de Estado do PSD, constatou aquilo que já todos sabíamos mas que social-democrata algum tinha tido ainda a coragem de constatar publicamente: que existem elementos racistas e xenófobos no seu partido que estão a ganhar peso e a influenciar o discurso do PSD. A ascensão de indivíduos como o candidato Ventura, ou as intervenções públicas infelizes que se multiplicam, como foi o caso do discurso proferido por Pedro Passos Coelho no Pontal, não auguram nada de bom para o maior partido político português. Não auguram nada de bom para o país. Será que ainda vamos assistir a uma coligação com o PNR, abençoada por Viktor Orbán, o fascista de serviço no PPE?

Fábula

De asas estendidas, a águia pairava, livre, magnífica, como que abraçando o vento. Feliz, deleitava-se na sua incomparável capacidade de desenhar linhas mágicas no ar. Ensaiando um voo picado, desceu, vertiginosamente, em direcção ao solo – era um prazer muito seu. Beleza e velocidade puras animavam o céu.

O caçador, bronco de gozo, apontou. Para ele, era só um troféu. Matar por matar. Era o seu modo de felicidade. Atingida no peito, a ave deixou escapar como que um último grito, um lamento, e caiu pesadamente no chão. Nada restava da sua magnificência, da sua graça. O caçador olhou o corpo disforme e sem vida da ave e sentiu-se mais homem, mais exclusiva e intensamente homem.

– Convidado a comentar o acontecido, o presidente Trump explicou que ambos os protagonistas destes eventos eram culpados. Pois quem mandou a águia voar, provocante, frente ao caçador, interrompendo até, com o peito, a livre trajectória da bala?

A coligação PSD – PNR

Pronto, já não há dúvidas: Passos Coelho reafirmou o seu apoio a André Ventura na sua candidatura à Câmara de Loures. Junta-se, assim, ao já declarado apoio do PNR. Por escolha própria; depois não se queixe dos compreensíveis adjectivos que aí vêm.

Portugal é um país racista?

Está por todo o lado a pergunta: Portugal é um país racista? Lamento a pergunta e lamento as respostas, sejam afirmativas, sejam negativas, já que nem a pergunta nem as respostas permitem aprender e compreender nada. Porque a pergunta não tem sentido. Mas se a pergunta for: há racismo em Portugal? – já a resposta afirmativa é evidente e se entende, até como ponto de partida para uma maior compreensão da situação. Desse racismo resta saber qual o grau e a natureza. Porque preconceitos como o racismo avaliam-se em escalas de atitude, como qualquer psicossociólogo saberá explicar. Esta observação pode não ser simpática, mas o rigor raramente o é. Em questões como esta, se queremos aprender e transformar, temos de evitar o maniqueísmo e a popularidade dos juízos fáceis. Acho eu.

O Ventura

Pensar que as declarações racistas e xenófobas do Ventura do PSD são uma gafe, um lapso, é uma ingenuidade perigosa. Aquilo é mesmo uma proposta de linha política, que busca apoios e tenta sondar tendências. O facto de o partido apoiante não ter tomado uma atitude de rejeição só pode ter um de dois significados: simples indigência política ou, o que é muito pior, concordância.

Morte aos portugueses

Morte

Com a pátria da liberdade refém do medo, a extrema-direita soma e segue e alguns grunhos fascistas, cobardes e violentos como só eles sabem ser, vandalizaram uma associação portuguesa na localidade de Brie-Comte-Robert e a mensagem não podia ser mais clara. Parece – quem diria – que os gajos não vão muito à bola com os mais de 1 milhão de portugueses a residir em solo francês, apesar dos palermas com aspecto sinistro que vão reforçando as suas fileiras. A xenofobia e a fragmentação da União Europeia seguem dentro de momentos.

Alemanha 2015: 600 ataques xenófobos

«A sociedade alemã está em plena cisão e constata-se hoje que a vaga de solidariedade que entusiasmava a Alemanha no final de Agosto, princípio de Setembro, foi substituída por um novo nacionalismo.» [Kai Littmann, Eurojournalist]

 

Refugiados: de que é que a Europa está à espera?

Enquanto esperamos, a União Europeia faz aquilo que melhor sabe fazer: nada. Espera. Mas espera o quê? Que o Inverno chegue à costa do Mediterrâneo? Que os refugiados que chegam maciçamente à Turquia vindos da Síria morram de frio? Que Erdogan ganhe as eleições e mande construir campos de concentração para os refugiados sírios? Se a UE fosse uma associação, a Eslováquia, a Hungria e a República Checa já teriam sido expulsas há muito tempo – por não respeitarem os objectivos da associação.
Kai Littmann

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(photo) DFID UK Department for International Development / Wikimedia Commons / CC-BY 2.0

Ainda nos lembramos da cimeira em Bruxelas. Angela Merkel e François Hollande comprometiam-se a fundo na tentativa de alcançar um acordo sobre a distribuição de 160 mil refugiados pelos 28 Estados-membros da União Europeia (de fora ficavam a Inglaterra, a Irlanda e a Dinamarca, desse modo isentadas da responsabilidade de solidariedade europeia, por razões que aliás  permanecem de difícil compreensão). No fim da maratona negocial que durou uma noite inteira, os poderosos da política europeia pareciam satisfeitos: o acordo havia sido alcançado, apesar dos protestos da Hungria, da Eslováquia e da República Checa, que consideraram que o acolhimento aos refugiados ultrapassava as suas capacidades. Hoje, um mês depois desse anúncio, apenas 19 refugiados puderam ser enviados para um outro país. Dezanove. Em 160 mil. E esses 160 mil constituem apenas uma pequena parte dos refugiados que até ao final deste ano hão-de chegar à Europa. [Read more…]

As notícias que não passam nas tevês portuguesas #3

Henriette Reker foi eleita Presidente da Câmara de Colónia, na Alemanha, com 52,7% dos votos. Mas ainda não sabe, porque no dia anterior foi vítima de uma brutal agressão – que visou o seu trabalho na direcção dos serviços de integração de imigrantes da cidade e na gestão dos refugiados que ali têm chegado. Eis o resultado do discurso de ódio e desresponsabilização dos governantes alemães. [Eurojournalist]

Por que não voltam os refugiados para o seu país?

Refugiados UPNRS

Oferece-se barco de borracha com quatro coletes salva-vidas a quem adivinhar quem vendeu a maioria das armas que deixaram a Síria neste estado, muitas delas hoje ao serviço do Estado Islâmico.

Como tudo era tão simples quando alguns ditadores tinham os amigos certos.

Imagem@Uma Página Numa Rede Social