Não ao Cartão do Adepto!

Infelizmente, vamos com mais de dois meses de futebol na atual época e a maior agressão à liberdade individual dos adeptos alguma vez vista continua em vigor. Continuamos a ter os adeptos divididos entre potenciais criminosos que têm de ser perseguidos através de um chip e os que não. Neste momento, levar uma bandeira, uma faixa ou um instrumento de sopro para um estádio de futebol só é permitido se o Governo souber onde andas. E se tiveres menos de 16 anos? Não podes levar uma bandeira de qualquer maneira, porque nem podes entrar nas zonas para quem tem Cartão do Adepto.

 

Ao contrário do que previa, confesso que os adeptos portugueses estão a dar uma excelente resposta. As zonas do Cartão do Adepto estão ao abandono. Os próprios grupos estão a resistir como podem, contornando a lei feita às três pancadas. Tal como já nos habituou, o Estado português adora importar ideias que não resultam. Mas desta vez, já não sou eu a dizer que o Cartão não resulta. É a realidade que o diz.

 

Não podemos aceitar a estigmatização dos adeptos pela sua forma de apoiar. Não é uma bandeira, uma faixa ou um estandarte que faz de uma pessoa criminosa. Uma ida ao futebol deixou de ser um simples hobby entre amigos ou em família, deixou até de ser um momento de liberdade, para ser um evento em que tens de mostrar certificados e cartões, consoante o que o Governo acha que precisas de ter para seres civilizado.

 

Devolvam a liberdade aos Estádios, sem “mas”!

Comments

  1. POIS! says:

    Pois a minha palavra de ordem…

    Seria diferente! Talvez, “Não ao Adepto do Cartão!”

    • POIS! says:

      Mas compreendo a sua preocupação com os instrumentos de sopro.

      Afinal, somos um país de grandes músicos! Imporem-lhes que só dêem vazão à sua inspiração natural e à sua variz artística se mostrarem um cartão pode ser até inconstitucional.

      Por violação do direito á liberdade de expressão e criação artística. Acontecesse isto na Viena do século XIX e Beethoven, que foi um conhecido adepto do Rapid, nunca teria escrito o seu célebre concerto para vuvuzela e orquestra. Talvez também não tivesse ficado surdo, mas isso já é outra história.

  2. POIS! says:

    Pois estou deveras siderado!

    Há Estádios presos? Francamente!

    Força Figueiredo! Corra já ao Supremo a pedir um “Habeas Materia”!

  3. Marco Antunes says:

    O cartão de adepto é muito mau, mas pior, muito pior, é a necessidade de adeptos serem conduzidos aos estádios e retirados dos estádios em caixas de seguranças das forças policiais, sob pena de haver “carnificinas” se tais medidas não forem adoptadas.

    Se calhar uma coisa tem a ver com a outra.

  4. Filipe Bastos says:

    Outra vez esse choradinho, Figueiredo?

    O adepto futeboleiro tem direitos a mais, não a menos: este país vive para a trampa da bola. De manhã à noite tem os merdia todos para si, entre notícias, ‘debates’ e mexericos; nos jogos tudo lhe é permitido, estacionamento selvagem, vastas (e caras) operacões policiais, gritaria e vandalismo, a ponto de precisarem de jaulas.

    Sim, os adeptos são potenciais criminosos. Até em países de resto civilizados nos habituámos a ver caos e porrada.

    “Levar uma bandeira, uma faixa ou um instrumento de sopro para um estádio de futebol só é permitido”… e por que raio há-de levar tais coisas? Faz gala em ser carneiro?

    Figueiredo, a bola serve algumas funções, todas bem claras:
    — anestesiar e distrair a carneirada;
    — encher e branquear mamões;
    — aliviar a violência reprimida das classes inferiores.

    Só anjinhos como v. podem ver no futebol profissional um hobby familiar bem-intencionado; mais que regras ou cartões do adepto, esta máfia podre precisa é de ser banida.

  5. Luís Lavoura says:

    Francamente, não me parece uma coisa terrível uma pessoa não poder levar uma faixa ou uma bandeira para o estádio. Se o cartão de adepto só serve para se poder levar essas coisas, então de facto trata-se de um não-assunto.
    Eu das poucas vezes em que fui assistir a jogos de futebol, incomodou-me muito mais não poder levar para lá uma garrafa de água para beber.
    Acresce que as faixas e as bandeiras perturbam a visão do jogo ao restante pessoal. Acho muito bem que quem transporte essas coisas vá para um sítio especial do estádio.

    • Carlos Almeida says:

      ” Acho muito bem que quem transporte essas coisas vá para um sítio especial do estádio.”

      Claro, com certeza

      Isso é tão óbvio que só mesmo quem não mais nada tem a dizer, trás este “assunto importantíssimo” para discussão

      Mas enfim, é o conceito de “liberdade” dos nossos caríssimos neoliberais

      Mas eu sou suspeito, porque futebol, pago para NÂO VER

  6. Paulo Marques says:

    “a maior agressão à liberdade individual dos adeptos alguma vez vista” foi em Sheffield em 1989. Noção.

    • Tuga says:

      ““a maior agressão à liberdade individual dos adeptos alguma vez vista” foi em Sheffield em 1989. Noção.”

      Claro

      Mas nesse ano ainda faltavam 11 anos para o menino nascer ao que julgo ter lido num post dele.
      Sabe ele lá desse pormenores

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