Abel não é Jesus

Pelo segundo ano consecutivo, Abel Ferreira liderou o Palmeiras até à conquista da Taça dos Libertadores. Quando o treinador português aterrou em São Paulo, em 2020, o “Verdão” tinha apenas uma Libertadores no palmarés. Em dois anos de Abel Ferreira, passou a ter três. Um feito só ao alcance dos melhores, reflexo da excelência dos treinadores portugueses, que dão cartas nos quatro cantos da esfera, seja na Premier League, seja nas competições europeias, sul-americanas ou asiáticas (nem de propósito, Leonardo Jardim venceu há dias a AFC Champions League, a Liga dos Campeões asiática, ao comando do Al Hilal). Enorme Abel Ferreira! Um verdadeiro campeão.


Podia ficar por aqui, ou escrever mais umas coisas simpáticas sobre Abel Ferreira, todas merecidas. Mas vou antes sublinhar algo que me parece igualmente importante. Leio jornais todos os dias, por vezes mais do que um, e praticamente não se escreveu uma linha sobre o percurso do treinador português no comando técnico do Palmeiras, mesmo após a primeira conquista da Libertadores. Compare-se a cobertura do seu percurso com a histeria mediática que foi a passagem de Jorge Jesus pelo Brasil, e ficamos sem perceber a dualidade de critérios. A menos que o critério seja treinar um dos três grandes. Ou ter um part-time como meme digital. Azar do Abel Ferreira, “só” treinou o Braga e, ao que tudo indica, será um tipo normal. Um tipo normal que limpou a Taça dos Libertadores, dois anos seguidos. Quem nunca?

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    Ah, que honra estes heróis futeboleiros!

    E que orgulho! Fartámo-nos de trabalhar para o Abel ganhar lá a taça brasuca. Aliás, todos merecemos tudo que algum português ganhe, seja o que for ou onde for. É automático.

    E que merecida homenagem! O Abel foi para “o terceiro clube mais valioso do Brasil (R$ 1,021 bilhões)”, que é também “a equipe com o maior nº de títulos nacionais conquistados” (Wiki) e conseguiu… ganhar coisas! Fantástico, Abel.

    E que mal remunerado deve ser! Perante feito tão útil à sociedade, a meio caminho entre resolver as alterações climáticas e a cura do cancro, o pobre Abel deve ganhar… quanto acha, Mendes? 800 euros? Mil euros? Dará para a renda e para o passe?

  2. João Soares says:

    Será que é tão dificil perceber que o João Mendes se está nas tintas para os dinheiros que o Abel ganha ,mas sim para o facto
    de que se em vez de um cidadão nascido em Braga ,estivessemos a falar de um qualquer manhoso nascido na “Quinta do Mocho” ou “Cova da Moura”, seria manchete de todos os jornais e abertura de noticiários .e objecto de bejiocas e abraços do “Tartufo de Belém” e do enteado de S. Bento !!!
    Chama-se a isto “centralismo patológico”
    Percebeu agora sr. Bastos ???

    • Filipe Bastos says:

      Soares, percebi isso logo no título do post. E estou-me nas tintas para isso. Não é isso que interessa; não é isso que deve interessar. Percebe, não percebe, Soares?

      Já agora: não será culpa sua, mas v. tem um nome infeliz. É o mesmo nome de um pulha e um chulo, que é filho de outro grandíssimo chulo. O pai da partidocracia.

  3. Paulo Marques says:

    Não é Jesus, mas é igualmente bronco, e com ainda pior mau perder, excepto quando se tratava do polvo.
    Parabéns ao homem, mas ídolo e herói, naa.

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