Cinco tostões sobre a pandemia

A propósito do pânico crescente que vem tomando conta de muitos portugueses, devido ao aumento exponencial de casos positivos ao longo dos últimos dias, queria partilhar convosco três pedaços de informação: um comparativo entre 29 de Dezembro de 2020 e 29 de Dezembro de 2021, uma imagem retirada directamente da plataforma da Universidade John Hopkins e um quadro-resumo feito pela CNN Portugal.

Comecemos pelo comparativo:

29 DEZ 2020

3336 casos
74 óbitos (média semanal: 71)

29 DEZ 2021

26867 casos
12 óbitos (média semanal: 14)

Não me quero armar aqui em cientista, mas parece-me que o número de casos positivos não será a métrica mais preocupante neste cenário. Até porque número de óbitos é cerca de 1/6 daquele que se verificava há um ano, ao passo que o número de casos positivos é hoje o óctuplo do valor registado há exactamente um ano. A ocupação das UCIs também é bastante inferior à verificada há um ano, mas já lá iremos.

O que é que isto quer dizer?

Ora, se querem mesmo saber, perguntem a um especialista da área da virologia ou da epidemiologia. Se querem saber o que eu acho, aqui vai: acho que as vacinas, esse instrumento do demo, estão a fazer a diferença, tornando-nos, a todos os que estão vacinados, mais resistentes ao bicho. E também acho que o número de casos positivos teria sido mais altos se, em 2020, andássemos todos a testar como uns malucos – a média da última semana (20-27 Dez) andou próxima dos 198 mil testes diários, ao passo que, há um ano, o valor andava na casa dos 31 mil – algo que não se verificava há um ano, até porque a disponibilidade de testes estava a léguas da actual. E não havia jantares de Natal nem malta nos estádios, nos concertos, no teatro ou no cinema.

A questão da vacinação leva-me à primeira imagem que ilustra esta posta: a Hungria, que tem mais ou menos a mesma população que Portugal, e que está mais ou menos com o mesmo número de infectados nos últimos sete dias (os valores na imagem correspondem precisamente a esse período), tem cerca de 60% da população vacinada. Portugal tem perto de 90% e 1/10 dos óbitos registados. Quer-me parecer, mas isto sou eu que não sou violonista nem epidemiologista, que poderá haver aqui uma relação entre o número de mortes e o nível de vacinação. Ou então o Soros e o Gates já se apoderaram do meu cérebro.

Finalmente, o quadro-resumo da CNN, que nos revela informação fácil de interpretar, até para um leigo como eu, do qual gostaria de destacar que o número total de internados e de doentes em UCI era, há um ano, o triplo do que é agora. E que o número de casos positivos face ao número de testes realizados é cerca de metade do registado no período comparativo de 2020. E que o número de internados face ao número de casos positivos desceu cerca de 95%. E ainda que, há um ano, 18% dos infectados foram parar à UCI, contra 1,6% registados na última semana. Será da vacina? Em princípio é, mas como eu fui brainwashed pelos globalistas-soviéticos-totalitários do 1984, o melhor mesmo é não levaram a sério as minhas palavras.

Dito tudo isto, parece-me evidente que não se pode apertar mais o garrote à volta do pescoço dos portugueses. Entrar em confinamentos extremos (não estou a dizer que seja o caso, estamos até bem mais “livres” que grande parte dos nossos parceiros europeus), quando o número de óbitos andará em linha com o que se verifica anualmente com a gripe sazonal, e quando o aumento exponencial de casos positivos não levou a um aumento exponencial de mortes, parece-me pouco para nos fechar a todos em casa, com as consequências que já todos conhecemos. É preciso ter cuidado, continuar a cumprir com as medidas mínimas, proteger os vulneráveis e testar sempre que necessário. Fechar a cultura, o comércio, os espaços de lazer ou as festas na aldeia só irá aprofundar ainda mais a crise económica, ideológica, existencial, mental e cultural que já estamos a viver. E nós já temos problemas que cheguem, não temos?

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    Há um mês, a medica na África do Sul que alertou para a variante Omicron, também acrescentou que os casos eram muitos mas que pareciam também muito mais benignos.
    Há um mês !!!

    Mas como essa informação veio de África, não se ligou. ao assunto
    Se viesse da Alemanha ou da Suiça, aí sim era informação relevante.

    E ainda dizemos nós Europeus, que não somos racistas !

    • Paulo Marques says:

      Dizer é uma coisa, observar-se é outra, e justificar é ainda uma terceira.
      Achismos na saúde, não, obrigado. Não é racismo, as doenças, e até as vacinas, têm efeitos diferentes graças a factores que se percebem mal.

      • Carlos Almeida says:

        Paulo Marques

        Passado um mês, e na sequência do que pensa que foi um “achismo” a Africa do Sul esta a diminuir a contenção, confirmando o que a citada medica deu factos e não apenas a sua opinião, isto é a diminuição de casos graves.

        “Não é racismo, as doenças, e até as vacinas, têm efeitos diferentes graças a factores que se percebem mal.”

        Não concordo, continuo a pensar que se a informação de casos menos graves no Omicron fosse feita por um distinto medico teutónico ou suiço, tinha um efeito completamente diferente do que feita por uma medica da África do Sul, mesmo que seja branca

  2. Paulo Marques says:

    «E também acho que o número de casos positivos teria sido mais altos se, em 2020, andássemos todos a testar como uns malucos »

    Isso extrapola-se através de uma taxa de positivos suficientemente baixa para reduzir erros, presumivelmente à volta de 4%. Precisava de verificar, mas tenho muitas dúvidas que fosse comparável. Mas isso também já não interessa muito.
    Mesmo o quadro da CNN apanha um período pouco interessado, acabando em dias em que se sabe que houve explosão de casos (inevitável com esta abertura com esta variante), mas que são registados mais tarde (o fim de semana é quase sempre assim).

    Isto altera a conclusão? Bem, não. Até a fortalece. Nem sei como se podia fazer um confinamento para fazer cair os números, mas também não acho que isso esteja na cabeça de ninguém. A dúvida é quando se volta atrás, mas nas poucas restrições à cautela. Bom, e se quisesse ser ser simpático, quando é que o governo reforça o SNS.

    • Filipe Bastos says:

      Típico paulomarquês:
      — antes não havia números, era impossível saber, etc.
      — quando há números, não servem;
      — de qualquer maneira pouco importa, ninguém sabe, etc.
      — mais umas bojardas ambíguas for good measure</em.

      Já não há SNS, não sabia? Só SNC. Serviço Nacional de Covid.

      • Paulo Marques says:

        Invejo-lhe o orgulho na ignorância, o reino dos céus, a preto e branco como gosta, será teu.

        • POIS! says:

          O preto e o branco sim mas, para cor do sofá, o Bastos escolheu o cinzento.

          Por via das dúvidas.

        • Filipe Bastos says:

          Já eu invejo-lhe a consistência: cumpre bem o papel do pedante esquerdinha, autista e choninhas.

          Vai repetindo tretas como esta – “Isso extrapola-se através de uma taxa de positivos suficientemente baixa para reduzir erros, presumivelmente à volta de 4%. Precisava de verificar, mas tenho muitas dúvidas que fosse comparável”… diz isto para quem? Quem acha que o entende, ou que o quer entender?

          Ninguém, como é óbvio, mas é parte do personagem. O POIS assegura as piadolas, o Marques as bojardas, sempre vagas, jamais explicadas.

          Sobre o Omicron: gripes sempre houve, seu palerma, e não se fechava países nem hospitais. Só nesta histeria. Se lhe recusassem consulta ou tratamento essencial, logo víamos como ficava a sua fé covideira.

          Repito: palermas como v. ajudaram a tornar o SNS no SNC – Serviço Nacional de Covid. Muita canalha ficará impune por incontáveis mortes escusadas. Nenhuma delas por covid. Muito menos de Omicron.

          • POIS! says:

            Se o sofá for de outra cor…

            Por favor corrija. Estou disposto a dar o peito ás balas e a atirar-me pela Calçada do Combro abaixo para pôr termo á minha infeliz existência.

            Deixarei todas as minhas piadolas já concluídas e ainda não utilizadas (cerca de sete mil. agrupadas por temas), por testamento, ao Paulo Marques.

          • Tuga says:

            Pos Adolescente Boatas

            “Já eu invejo-lhe a consistência: cumpre bem o papel do pedante esquerdinha, autista e choninhas.”

            Chamas pedante, autista e choninhas aos outros, mas não gostas que te interpelem da mesma maneira

            A culpa não é tua cachopo, mas de quem te leva a sério

          • Paulo Marques says:

            Digo tretas, que não entende, nem quer entender. Pois, para orgulhosos da sua própria ignorância a dar lições de moral não é de certeza., nem vai voltar a ser.
            Bom ano.

  3. Elvimonte says:

    Antes de mais, congratulo-me com o auto-reconhecimento de ignorância que o JM faz. Só lhe fica bem.

    Mesmo assim, como “You can fool some of the people all of the time, and all of the people some of the time, but you can not fool all of the people all of the time” (A. Lincoln) e talvez também em virtude dos números bem mais benignos da variante omicron que vão surgindo, já há quem comece a pensar racionalmente ao nível político. A grande novidade vem da Austrália neste artigo:
    …..reuters.com/world/asia-pacific/australia-rules-out-lockdowns-despite-omicron-surge-2021-12-21/

    Telegraficamente, aquilo que me parece ser a “nova filosofia” australiana e os seus fundamentos:
    a) impossível parar a omicron com vacinas, necessário eficácia de 100% e 100% de população vacinada sem diminuição de imunidade
    b) vacinas só geram imunidade contra a proteína S do vírus (o espigão), infecção natural gera imunidade contra todas as proteínas do vírus
    c) outras variantes virão, não se pode apostar só na proteína S que tem tido grandes mutações, há que apostar na imunidade cruzada
    d) vacinas só geram anti-corpos IgM e depois IgG
    e) infecção natural gera também anti-corpos IgA, garantindo imunidade das mucosas por onde o vírus entra
    f) omicron menos patogénica, doença moderada, hospitalizações mais curtas
    g) permitir disseminação da omicron até à capacidade dos hospitais
    h) se a mortalidade subir as pessoas adoptam por elas comportamentos defensivos
    i) manutenção de vacinas de reforço para idosos e de risco
    h) sobre modelos epidemiológicos ler (para fúria dos Antunes, Gomes et al.)
    …..dailymail.co.uk/news/article-10333919/Coronavirus-Australia-Australias-Chief-Medical-Officer-hits-doomsday-Omicron-predictions.html

    • Paulo Marques says:

      Extraordinário como é o próprio que cede (“até à capacidade dos hospitais”), mas chama os outros de ignorantes. Nada de inesperado, no entanto, é o fenómeno Y2K aplicado a uma pandemia.

    • POIS! says:

      Pois mas, Monsieur Elvimont D’Ordure, Baron du Fumier…

      Esqueceu-se V. Exa. de dizer que a frase do Lincoln foi proferida numa discussão com a mulher e teve como consequência imediata o despedimento da criada.

      Quanto ao resto do copiado/pastado: acabo de ver um documentário onde o conhecido epidemiologista australiano Joseph Kengaru defendeu que “seja qual for a sua natureza, os coronavírus, ao contrário das formigas brancas, não se alimentam de materiais de construção”, ao que a sua colega americana Professora Doutora Averse Stincaisha respondeu ironicamente “lá na América a produção de alfalfa foi muito afetada por uma invasão de alces canadianos”.

      Com surpresa, não vi estas importantes asserções, opiniões e afirmações constarem das citações, o que se presta a situações que abrem permissões para lastimáveis proliferações de considerações.

  4. Elvimonte says:

    E agora da África do SUL – REVISION TO CONTACT TRACING, QUARANTINE AND ISOLATION PROTOCOLS: 23.12.2021

    ….sacoronavirus.co.za/2021/12/24/circular-revision-to-contact-tracing-quarantine-and-isolation-protocols-23-12-2021/

    E vai ser em “bidenês” e de forma telegráfica.

    High proportion of people with some immunity from infection and/or vaccination

    Past infection in 60-80% in several sero-surveys

    Containment strategies are no longer appropriate – mitigation is the only viable strategy

    New knowledge about the omicron variant

    High proportion of asymptomatic disease

    High degree of asymptomatic and pre-symptomatic spread

    Aerosol spread (we already knew that!)

    Only a small proportion of cases are diagnosed

    Testing skewed towards symptomatic (minority)

    Not all symptomatic people test

    Not all negative/positive tests are true negatives/positives

    Quarantine has been costly (really?)

    Thus, the following is applicable with immediate effect:

    All contact tracing will be stopped with immediate effect,
    except in congregate settings and cluster outbreak situations or self-contained

    All contacts must continue with their normal duties with heightened monitoring (daily temperature testing, symptom screening) of any early signs.

    If they develop symptoms then they should be tested and be managed according to the severity of the symptoms

    All contacts must not be tested unless if they develop symptoms

    All quarantine for contacts of confirmed cases of Covid -19 is to be stopped with immediate effect

    This applies to both vaccinated and unvaccinated contacts

    No testing for Covid -19 is required irrespective of the risk exposure unless the contact becomes symptomatic

    No isolation period required for assymptomatic Individuals – self-observation for 5-7 days,

    For mild disease with fever, cough, sore throat, malaise, headache, muscle pain, nausea, vomiting, diarrhoea, loss of taste and smell Isolation period is maintained at 8

    There is no need for Covid-19 test (either PCR or antigen test) be performed prior to returning to work

    Exacerbated symptoms, shortness of breath, dyspnoea, chest pain, abnormal chest imaging, require hospitalisation

    • Paulo Marques says:

      Portanto, a realidade mudou, também muda a política?

      :O

      • Paulo Marques says:

        E note-se que essa é a da África do Sul, o resto ainda vai a meio; e na província com bastante mais tranquilidade, por magia.
        Como magia são os incêndios no meio do inverno no colorado, ou os 20º no inverno Português. Estamos cheios de magia, é do natal.

    • POIS! says:

      Pois claro! Tá tudo explicadinho neste copiado pastado do Elvimont D’Ordure e os gajos teimam! E teimam! E teimam!

      Ainda recentemente a conhecidíssima cientista sul-africana Fayana Raastapartir disse num debate televisivo, passo a citar, “o clima está na mesma, as girafas é que mudaram de hábitos. É Darwin a acontecer”.

      Ao que o seu interlocutor, o professor angolano Felizardo dos Santos respondeu “lá na minha terra as cerejeiras não dão flor para não atraírem os papa-moscas-de-olheiras-de-garganta-castanha”, no que foi muito aplaudido pela assistência.

      Tem aqui V. Exa. pano para mangas, ou até para goiabas, para novo comentário.

      Estamos todos em pulgas!

    • Tuga says:

      Carissimo SExmº Sr Dr Elvibosta

      Outra vez ?.
      A maquina do copy & past voltou a funcionar ?

      A maquina de tradução Inglês – Português é continua avariada, calculo.
      O Google tem um tradutor ONLINE , sabia ?

      Ou então é a completa falta de respeito por quem lê as bostas que aqui coloca

      Arrogante criatura !

      • Elvimonte says:

        Como não percebeu, vou repetir. E agora da África do Sul:

        «REVISION TO CONTACT TRACING, QUARANTINE AND ISOLATION PROTOCOLS: 23.12.2021

        TO: HEADS OF PROVINCIAL HEALTH DEPARTMENTS

        SUBJECT: REVISION TO CONTACT TRACING, QUARANTINE AND ISOLATION PROTOCOLS: 23.12.2021

        The following revisions have been accepted based on the -COVID-19 MAC advisories of 12.2021

        1.1 Proportion of people with some immunity from infection and/or vaccination is high
        – past infection in 60-80% in several sero-surveys
        1.2 Containment strategies are no longer appropriate – mitigation is the only viable strate
        – Especially true of the newer, more infectious/transmissible variants like OMICRON

        1.3 New knowledge about the virus:
        – high proportion of asymptomatic disease,
        – high degree of asymptomatic and pre-symptomatic spread,
        – aerosol
        – Only a small proportion of cases are diagnosed
        …»

        (….sacoronavirus.co.za/2021/12/24/circular-revision-to-contact-tracing-quarantine-and-isolation-protocols-23-12-2021/)

        “O Google tem um tradutor ONLINE , sabia ?” Precisamente.

        Let’s go Brandon

        • Paulo Marques says:

          Xiça, até parece que os casos descem enquanto cá sobem! Não! E será população tem diferences níveis de infecção?
          Tudo mentiras, o mundo é todo igual.

    • British says:

      “There is no need for Covid-19 test (either PCR or antigen test) be performed prior to returning to work”

      Fucking idiot

      • Elvimonte says:

        «REVISION TO CONTACT TRACING, QUARANTINE AND ISOLATION PROTOCOLS: 23.12.2021

        4. Isolation

        4.2 Mild disease

        There is no need for Covid-19 test (either PCR or antigen test) be performed prior to returning to work after 8 days isolation period.»

        (….sacoronavirus.co.za/2021/12/24/circular-revision-to-contact-tracing-quarantine-and-isolation-protocols-23-12-2021/)

        Let’s go Brandon

        • POIS! says:

          Pois temos que reconhecer…

          Que o Mister Monsieur Elvimont D’Ordure é sanhor duma verdadeiramente abslutamente superior intaligência!

          Até sabe insultar em amaricano, carago!

        • Paulo Marques says:

          O Sr Elvimonte muda-se para a terra da liberdade quando?

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