The Valongo-Panamá Connection: o regresso de Agostinho Branquinho (e de Marco António Costa)

Ao contrário daquilo que normalmente acontece no PS, onde qualquer militante da mais recôndita freguesia, quando em contacto com alguém que esteve em contacto com alguém que esteve em contacto com Sócrates, corre risco iminente de ser imediatamente infectado com o vírus da corrupção, no PPD-PSD a vida tende a ser mais tranquila. Ou, como um dia lhe chamou Paulo Portas, “O PPD é o Estado em movimento. É a versão carnal, física do Estado”. Em princípio é isto.

Veja-se o caso de Dias Loureiro, que, tal como José Sócrates, não foi ainda condenado por coisa nenhuma, mas que, ao contrário do antigo PM, faz a sua vidinha na descontra, sem que perigosa imprensa controlada pela esquerda e pelo PS ouse incomodar a paz de um dos banqueiros por trás desse grande sucesso de bilheteira que foi o BPN. Tirando um ou outro meme, inócuo, com o qual ocasionalmente nos cruzamos numa qualquer rede, já não me lembro de ouvir ou ler uma linha sobre Dias Loureiro. A última vez que me recordo ouvir falar nele, foi quando Pedro Passos Coelho, nos idos tempos de além-Troika, decidiu elogiá-lo e apresentá-lo ao país como um exemplo de sucesso.

Vem isto a propósito de um outro grande estadista oriundo do PSD, Marco António Costa (MAC), e de um seu amigo e companheiro de partido, Agostinho Branquinho, a quem Paulo Vieira da Silva, velho conhecido de ambos da distrital do Porto do PSD, acusou de ser um dos “seus homens de mão”, num texto publicado no Aventar, em 2015, onde expôs a alegada rede de negócios pouco recomendáveis de MAC, apontando igualmente o dedo à sua alegada entourage, que, para além de Agostinho Branquinho, incluía outros nomes do PSD como Miguel Santos, Virgílio Macedo e Sérgio Vieira, ou o advogado Bolota Belchior. É que, até ao presente momento, Marco António Costa, tal como Dias Loureiro, parece ter nascido para a política com o dom da invisibilidade. Faculdade que, aparentemente, estará a perder.

Mas regressemos ao homem no centro da polémica: quem é Agostinho Branquinho?

Hoje com 65 anos, Branquinho estreou-se no Parlamento na III Legislatura, durante o último governo de bloco central (83-85). Licenciado em História, foi jornalista n’O Comércio do Porto, esteve na RTP e andou por vários órgãos de gestão de entidades públicas, durante os anos do cavaquismo e do curto governo Barroso. Regressaria ao Parlamento em 2005, durante o consulado Sócrates, para de seguida ser chamado por Pedro Passos Coelho para o cargo de Secretário de Estado do XIX Governo Constitucional.

Foi, contudo, em Fevereiro de 2010, durante uma célebre sessão da Comissão de Ética na Assembleia da República, que Agostinho Branquinho saltou definitivamente para a ribalta. Numa interpelação ao jornalista António Costa, então director do Diário Económico (DE), Branquinho colocou a pergunta da qual nunca mais haveria de se libertar:

O que é que é a Ongoing?

A Ongoing, grupo então liderado pelo agora auto-exilado Nuno Vasconcellos, acabara de adquirir o DE, e as ligações a José Sócrates pareciam evidentes. Oito meses mais tarde, em Outubro do mesmo ano, a Ongoing adquiriu também os serviços de Agostinho Branquinho que, meses depois, integraria, como já mencionado, o governo Passos/Portas, findo o qual se dedicou ao sector da saúde privada, com passagem pela Comissão Executiva e do Conselho de Gestão da Saúde na Santa Casa da Misericórdia do Porto, uma agradável coincidência, ou não tivesse a secretaria de Estado ocupada por Branquinho sido a da Solidariedade e da Segurança Social.

Poderia alongar-me sobre o percurso de Agostinho Branquinho, e muito haveria a dizer, mas prefiro sugerir uma visita à página deste alto quadro do PSD no Tretas.org. Tenho a certeza que a viagem vos agradará. Do concurso lançado por Miguel Relvas em 2002 (Foral), que Branquinho ganhou, até às ligações à loja maçónica Mozart, onde pontificaram personalidades como Luís Montenegro, o espião Jorge Silva Carvalho ou os antigos patrões de Branquinho na Ongoing, Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, vale a pena conhecer o perfil deste notável do PSD.

Avancemos, então, até ao momento presente. Em Outubro, Branquinho e outros nove arguidos do caso do licenciamento do Hospital de Valongo, processo que envolve acusações relativas a vários crimes económicos, foram absolvidos em primeira instância. O colectivo de juízes considerou não haver “o mais leve indício” de ilegalidades. Imagino o que teria sido se o presidente do colectivo de juízes se chamasse Ivo Rosa, e se entre os arguidos estivesse José Sócrates. Ou qualquer barão socialista. Com a diferença que Ivo Rosa ainda acusou Sócrates de uns quantos crimes. O colectivo considerou ainda que os 225 mil euros recebidos por Agostinho Branquinho do promotor da obra, Joaquim Teixeira, configuram “um empréstimo de um amigo”. Quem é que também recebia empréstimos de amigos? Exactamente: José Sócrates.

Contudo, e de acordo com a edição de 24 de Novembro do jornal Público, o Ministério Público, não satisfeito com a absolvição dos 10 arguidos, aprofundou a sua investigação, no âmbito do recurso apresentado na Relação do Porto, e descobriu que o antigo deputado do PSD é o beneficiário de uma conta bancária na Suíça, alimentada por uma sociedade offshore localizada no Panamá, detida pelo próprio Agostinho Branquinho. Fun fact: Marco António Costa, vá-se lá saber porquê, estava autorizado a movimentar dinheiro da conta offshore.

A conta na Suíça, aberta em 2012, chegou a ter perto de 900 mil euros. Já a sociedade offshore de Branquinho data de 2004, que, por coincidência, foi o ano do lançamento do projecto do Hospital Privado de Valongo. E é a sua assinatura que está nas solicitações das transferências da sua empresa no Panamá para a sua conta na Suíça. Abordado pelo Público, Agostinho Branquinho recusou fazer qualquer comentário. Já Marco António Costa, que revelou “surpresa absoluta”, afirmou que “Não tenho memória desse assunto. Mas posso garantir que nunca movimentei nada nesses termos”. Nesses termos? E noutros termos, terá movimentado? Não sabemos. Mas sabemos que, desde que a noticia veio cá para fora, ninguém voltou a tocar no assunto, sobre o qual pouco se falou. Como pouco se fala sobre outros casos envolvendo figuras importantes do PSD Gaia, e das empresas Webrand ou Gaianima. E, coincidência das coincidências, os nomes Agostinho Branquinho e Marco António Costa são quase sempre citados nas poucas peças jornalistas que se debruçaram sobre o assunto. Não foram muitas. Mas foram boas e são quase todas do Miguel Carvalho, da Visão. Despeço-me com umas quantas, todas elas muito interessantes.

A Webrand, os documentos e processos do “pântano” das campanhas eleitorais

Os “mistérios” de Gaia

Facturas falsas, operações simuladas e jipes à conta

A Webrand, a Póvoa e o PSD: os documentos e a verdade

Comments

  1. Alexandre+Barreira says:

    ….mas o “outro” foi na conversa dos “amigos”….e meteu-se na “boca dos lobos sul-africanos”…..!!!

  2. JgMenos says:

    Quanto mais dinheiro no Estado, mais negócios, mais facilitadores, mais oportunidades para os mais próximos e mais corrupção.

    A palermada esquerdalha não se cansa de pedir que se despeje dinheiro no Estado, e depois quer que ninguém se aproveite disso!
    Falsas virgens.

    • Tugs says:

      Salazarista menor.

      Antigamente é que era bom. Os Terreiros, Melos, Espíritos Santos, recebiam dinheiro do Estado fascista, mas ninguém comentava, porque era tudo por debaixo da mesa.
      Mas quando fugia alguma informação, lá estavam os teus colegas Podes, para tratar do assunto

      A bem da Nação

      • JgMenos says:

        Os Tenreiros (ignorante!) e muitos outros que se assumiram e duraram como funcionários públicos, nunca se lhes encontrou fortuna feita ao serviço do Estado.

        Hoje raro é o bardamerda que por lá passe que não meta a mão ao prato!

        • POIS! says:

          Pois então…

          E o condicionamento industrial? Aproveitou a quem?

          Quantos não enriqueceram à sua salazaresca sombra?

        • Ruga says:

          Dizes bem nazi

          ” nunca se lhes encontrou fortuna feita ao serviço do Estado.”

          Pois não,o Estado confundia-se com os seus mandantes.
          A mafia fascista que governava o Pais, não precisava de ter fortuna pessoal, controlava a economia do Estado no seu todo

          “Hoje raro é o bardamerda que por lá passe que não meta a mão ao prato!”

          Os mandates da ditadura, não metiam a mão no prato, porque tinham acesso directo ao tacho e ao panelão

          Isto até um Salazarista serôdio tinha obrigação de saber

          • JgMenos says:

            És uma besta ignorante; mas isso é condição natural de esquerdalhos.

          • Tugaa says:

            Repugante nazi menor

            “És uma besta ignorante; mas isso é condição natural de esquerdalhos.”

            Gostas muito de dizer essa frase. Quando não sabes mais que dizer, pimba ai vai a frase do costume, que define bem quem a diz

          • POIS! says:

            “Besta ignorante”? Pelo Menos, a insultar, o Menos não está cá com meias medidas!

            Bem, e pelo Menos, Jg não mistura nele as duas coisas.

            Antigamente, lá pelas Áfricas, de noite era besta e de dia ignorante. Agora é ao contrário.

    • Paulo Marques says:

      Pois, mas no estado pode mudar as moscas; nos monopólios paga e cala; nos oligopólios troca de lugar com outro, mas paga e cala na mesma.
      Minto, nunca se cala, a culpa é do socialismo que o faz descobrir.

  3. Imperador da Pontinha says:

    O offshore servia para colocarem “o dinheiro emprestado”…


  4. “És uma besta ignorante; mas isso é condição natural de esquerdalhos.” O que diz isto deve ser filho de Pide. Quando lhe perguntavam o que o pai fazia respondia que trabalhava no Estado antes que lhe dessem um enxerto de porrada.


  5. Os ministros fascistas tinham uma prostituta a Madame Calado do Fundão que veio para Lisboa e enriqueceu fazendo-lhes ou arranjando-lhes serviços sexuais. Na hora de morrer nomeou seu testamentário Herman Saraiva. (até custa a acreditar) Isto é o que sabe, vêm agora falar no Tenreiro & Companhia se o fascismo era uma malandragem sem ponta por onde lhes pegar com perigosos herdeiros bem conhecidos a medrar à custa dos bondosos democratas.

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