Omícron – uma boa prenda de Natal?

A manipulação mediática através do medo tem conseguido atingir o seu objectivo, mas uma análise mais ponderada, não obstante o crescimento exponencial de novos infectados, mostra-nos que esta variante induz doença ligeira e, não menos importante, oferece imunidade à variante “delta”.
Lendo o quadro comparativo produzido pela CNN com dados da DGS da semana entre 20 e 27 de Dezembro de 2020 e 2021, concluímos que a “Omícron” não está a obrigar à hospitalização de muitos infectados, 9,5%, nem de internados em UCI’s, 1,6%.

Quadro comparativo 2020/2021 de 20 a 27 de Dezembro da CNN com dados da DGS

Com estes dados e depois de ouvir alguns especialistas como há pouco Manuel Carmo Gomes na SIC, será de todo aconselhável seguir a estratégia iniciada por Singapura, a de deixar esta variante correr pela comunidade, uma vez que produz doença ligeira, menos internamentos, gerais ou intensivos, internamentos menos prolongados, de modo a reforçar a imunidade da população.
Dito por outras palavras, talvez esta “omícron” tenha sido um belo presente de Natal.

No entanto, há problemas ainda a resolver e a tratar com urgência:
1 – colocar a linha SNS24 operacional JÁ, sendo desnecessária qualquer desculpa ou anúncio de medidas, apenas de actos que resolvam o problema de imediato!
Não podemos ter dezenas de milhar de infectados com sintomas e/ou teste anti-génio positivo sem atendimento e orientação médica, sem terem de recorrer a uma consulta presencial ou deslocação ao hospital.

2 – É cada vez mais urgente acelerar ao máximo o ritmo de vacinação e dar prioridade a todos os que correm maior risco de internamento ou decesso, ou seja, por faixas etárias decrescentes até aos 50 anos, de todas as idades que padeçam de comorbidades e todos os que receberam uma só inoculação da Jansen/Johnson.
Que não se perca tempo com dias exclusivos para a vacinação de crianças, que não correm risco relevante, antes daqueles três grupos de risco elevado estarem vacinados.

3 – Aliviar os cuidados de saúde primários, libertando os médicos de família de rastrear e seguir casos de infectados pelo “omícron”, de modo a que pessoas com outras doenças bem mais graves possam ser atendidas, encaminhadas e tratadas.

Julgo haver já vários especialistas independentes a reconhecer que a imunização através da “omícron” e da vacinação dos grupos de maior risco será o caminho mais seguro para conseguirmos passar da fase de pandemia para a de endemia, ou seja, vacinar os mais idosos com vacinas mais apropriadas do que as que até agora se conseguiram obter e deixar que a comunidade adoeça sem gravidade, tal como acontece com uma gripe, cujo vírus é também impossível de travar.

Parecem-me boas notícias, dentro do quadro que já atravessámos e do medo que os órgãos de comunicação social não se cansam de propagar.

Comments

  1. Alexandre+Barreira says:

    …Deus……..Pátria……e Omícron….!!!!

  2. balio says:

    Excelente post!!!
    Também a mim me parece, já há uns dias, que, tal como o sars-cov-2 suprimiu a gripe e as constipações, assim a variante omícron irá suprimir as restantes variantes do sars-cov-2, o que será altamente benéfico.
    Urge agora que as autoridades públicas atuem racionalmente, libertando o país da tirania das quarentenas de pessoas infetadas, permitindo que as pessoas vão trabalhar, mesmo quando infetadas, desde (evidentemente) que não se sintam doentes.

  3. Paulo Marques says:

    «Julgo haver já vários especialistas independentes a reconhecer que a imunização através da “omícron”[…]»

    Podia ter ficado por aí, já tinha falhado. Especialistas com certezas sem números que não existem é um oximoro. Usar números que se sabiam, e se aceita, que iam subir com as fracas medidas é parvoeira.
    Sem continuar por aí fora, ser muito provável não chega, e não estamos ainda lá, porque o preço a pagar em caso de erro é completamente desproporcional.

    • Paulo Marques says:

      E para minha única citação, se fosse eu, não ia buscar quem andou a vender “lentes anti-covid”. É de não ser liberal, tenho asco a banha da cobra.

    • Filipe Bastos says:

      …porque o preço a pagar em caso de erro é completamente desproporcional.

      Sem dúvida: vamos em quase 19.000 mortes!

      Isto em quase dois anos… entre 10 milhões de pessoas… e 1.3 milhões de infectados (oficiais)… e contando todas as mortes, incluindo vítimas de atropelamento que tinham covid, etc.

      Não podemos arriscar! É continuar a suspender consultas, adiar tratamentos, obedecer ao nosso governo sucateiro… que se lixem o cancro e outras doenças menores.

      • Rute says:

        Este Paulo Marques cheira mesmo a um dos nossos “investigadores” cuja investigação se limita aos prencchimentos de formulários para sacar o proximo projecto inutil que lhes vai trazer o salario para os proximos 24 meses, encostados nas universidades q não sabem fazer um caralh* , sempre a bater com as mãos no peito a vociferar CIENCIA , CIENCIA…

        Rute

        • Maria Alzira says:

          Cheiras a negacionista que fedes

        • Paulo Marques says:

          Se é assim tão má a investigação académica, porque é que os privados a vão buscar sempre para lucrar?

          • Rute says:

            Ó Einstein ainda não percebeste q os privados entram nos ditos projectos apenas para irem buscar os subsídios para adquirirem equipamentos e tecnologias ás empresas estrangeiras (essas sim com investigação aplicada séria que acrescenta valor) ?
            Mas não te preocupes q o investigador nacional tem um QI médio igual ao teu. Os que são realmente bons rápidamente são anulados em nome da igualdade, e /ou acomoda-se ou emigra.

            Rute

          • Paulo Marques says:

            Não é pela mão de obra barata, com estágios pouco ou mal renumerados. Claro que não, são trabalhadores numa instituição pública, são todos maus, porque sim.

      • Paulo Marques says:

        E, pronto, chalupou de vez. É natural, acha que se progride a não fazer nada.
        A IL conta contigo, rapaz.

  4. Elvimonte says:

    Como “You can fool some of the people all of the time, and all of the people some of the time, but you can not fool all of the people all of the time” (A. Lincoln) e talvez também em virtude dos números bem mais benignos da variante omicron que vão surgindo (África do Sul, Dinamarca, Reino Unido) já há quem comece a pensar racionalmente ao nível político. A grande novidade vem da Austrália neste artigo:
    ….reuters.com/world/asia-pacific/australia-rules-out-lockdowns-despite-omicron-surge-2021-12-21/

    Telegraficamente, aquilo que me parece ser a “nova filosofia” australiana e os seus fundamentos:
    a) impossível parar a omicron com vacinas, necessário eficácia de 100% e 100% de população vacinada sem diminuição de imunidade
    b) vacinas só geram imunidade contra a proteína S do vírus (o espigão), infecção natural gera imunidade contra todas as proteínas do vírus
    c) outras variantes virão, não se pode apostar só na proteína S que tem tido grandes mutações, há que apostar na imunidade cruzada
    d) vacinas só geram anti-corpos IgM e depois IgG
    e) infecção natural gera também anti-corpos IgA, garantindo imunidade das mucosas por onde o vírus entra
    f) omicron menos patogénica, doença moderada, hospitalizações mais curtas
    g) permitir disseminação da omicron até à capacidade dos hospitais
    h) se a mortalidade subir as pessoas adoptam por elas comportamentos defensivos
    i) manutenção de vacinas de reforço para idosos e de risco
    j) sobre modelos epidemiológicos ler (para fúria dos Antunes, Gomes et al.)
    ….dailymail.co.uk/news/article-10333919/Coronavirus-Australia-Australias-Chief-Medical-Officer-hits-doomsday-Omicron-predictions.html

    • Carlos Araújo Alves says:

      Muito obrigado pelo seu contributo, Elvimonte.

    • POIS! says:

      Pois já que voltou Vosselência a copy-pastar…

      A resposta vou replicar.

      Pois mas, Monsieur Elvimont D’Ordure, Baron du Fumier…

      Esqueceu-se V. Exa. de dizer que a frase do Lincoln foi proferida numa discussão com a mulher e teve como consequência imediata o despedimento da criada.

      Quanto ao resto do copiado/pastado: acabo de ver um documentário onde o conhecido epidemiologista australiano Joseph Kengaru defendeu que “seja qual for a sua natureza, os coronavírus, ao contrário das formigas brancas, não se alimentam de materiais de construção”, ao que a sua colega americana Professora Doutora Averse Stincaisha respondeu ironicamente “lá na América a produção de alfalfa foi muito afetada por uma invasão de alces canadianos”.

      Com surpresa, não vi estas importantes asserções, opiniões e afirmações constarem das citações, o que se presta a situações que abrem permissões para lastimáveis proliferações de considerações.


  5. É bastante significativo e até particularmente grave que no meio deste arrazoado todo de bocas e contra-bocas, umas mais oleosas que outras, é evidente, ninguém tenha feito a mais ínfima referência a tratamento da doença, seguindo caninamente as orientações da DGS. Esta douta entidade, do alto da sua inefável sabedoria, aconselha as pessoas com sintomas ou com teste positivo a confinarem-se, mas de modo nenhum a tratarem-se. Aliás, podem verificar que o termo “TRATAMENTO” foi eliminado do léxico, erradicado do dicionário médico e mediático, virou tabu absoluto. Porque será? Quem ganha com isso? Pensem nisso que os neurónios não de gastam…..

    • Paulo Marques says:

      Pronto, trate-se. Fica melhor? Quer saber o protocolo, pergunte a um médico, que é que tem acesso aos exames e aos medicamentos de qualquer forma.

  6. Elvimonte says:

    Sem dúvida uma boa prenda de Natal, de acordo com dois artigos científicos (pre-print) recentes. O primeiro é este:

    “Omicron infection enhances neutralizing immunity against the Delta variant”
    (….ahri.org/wp-content/uploads/2021/12/MEDRXIV-2021-268439v1-Sigal_corr.pdf),

    do qual destaco os seguintes excertos:

    Omicron has extensive evasion of neutralizing antibody immunity,
    elicited by vaccination and previous SARS-CoV-2 infection.

    Previously vaccinated and unvaccinated individuals who were infected with SARS-CoV-2 in the Omicron infection wave
    Recruited soon after symptom onset

    We then measured their ability to neutralize both Omicron and Delta virus at enrolment, versus a median of 14 days after enrolment.

    Neutralization of Omicron increased 14-fold over this time, showing a developing antibody response to omicron

    Enhancement of Delta virus neutralization, increased 4.4-fold.

    The increase in Delta variant neutralization in individuals infected with Omicron may result in decreased ability of Delta to re-infect

    Emerging data indicating that Omicron is less pathogenic than Delta

    Cross immunity from omicron to delta may have positive implications in terms of decreasing the Covid-burden of severe disease.

    • Elvimonte says:

      Do segundo artigo só encontro a notícia intitulada

      “HKUMed finds Omicron SARS-CoV-2 can infect faster and better than Delta in human bronchus but with less severe infection in lung”

      dada pela Universidade de Hong Kong em ….med.hku.hk/en/news/press/20211215-omicron-sars-cov-2-infection

      Excertos da notícia:

      (HKUMed) provides the first information on how the novel Variant of Concern (VOC) of SARS-CoV-2, the Omicron SARS-CoV-2 infect human respiratory tract

      Omicron SARS-CoV-2 infects and multiplies 70 times faster than the Delta variant and original SARS-CoV-2 in human bronchus

      may explain why Omicron may transmit faster between humans than previous variants

      Omicron infection in the lung is significantly lower than the original SARS-CoV-2 [10 times < original]

      may be an indicator of lower disease severity

      severity of disease in humans is not determined only by virus replication but also by the host immune response to the infection.

      which may lead to dysregulation of the innate immune system, i.e. “cytokine storm”

      Omicron variant can partially escape immunity from vaccines and past infection

      • Elvimonte says:

        Acabo de apanhar um terceiro artigo científico recente (pre-print) que traz também boas notícias, desta vez sobre imunidade celular:

        “SARS-CoV-2 spike T cell responses induced upon vaccination or infection remain robust against Omicron”
        (…..medrxiv.org/content/10.1101/2021.12.26.21268380v1)

        Excertos:

        SARS-CoV-2 Omicron variant has multiple Spike (S) protein mutations

        These contribute to escape from the neutralizing antibody responses, reducing vaccine protection from infection

        We assessed the ability of T cells to react with Omicron spike
        In participants who were vaccinated

        and in unvaccinated convalescent COVID-19 patients

        SARS-CoV-2-specific T cells play a key role in modulating COVID-19 severity and provide protective immunity

        70-80% of the CD4 and CD8 T cell response to spike was maintained across study groups

        The magnitude of Omicron cross-reactive T cells was similar to that of the Beta and Delta variants

        These results demonstrate that, despite Omicron’s extensive mutations and reduced susceptibility to neutralizing antibodies,

        the majority of T cell response, induced by vaccination or natural infection, cross-recognises the variant.

        Well-preserved T cell immunity to Omicron,

        likely to contribute to protection from severe COVID-19,

        supporting early clinical observations from South Africa.

        limited effect of Omicron’s mutations on the T cell response suggests that vaccination or prior infection may still provide substantial protection from severe disease.

        Indeed, South Africa has reported a lower risk of hospitalisation and severe disease compared to the previous Delta wave

        Cross-reactive T cell responses acquired through vaccination or infection may contribute to these apparent milder outcomes for Omicron.

        The resilience of the T cell response demonstrated here also bodes well in the event that more highly mutated variants emerge in the future.

        (Nota importante: memória imunológica conservada nas células T e B pode durar dezenas de anos; anti-corpos específicos decaem e desaparecem ao fim de algum tempo se não houver exposição ao agente infeccioso.)

        • Paulo Marques says:

          Até tenho medo do que não está a perceber para achar surpreendente. Será que é que a Delta ainda cá está, por mais um bocadinho?

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