Criminalizar os exorcistas da reconversão, já!

Assinalam-se hoje 31 anos desde que a OMS colocou um ponto final num absurdo alimentado por um cocktail de crueldade, ignorância, preconceito e fanatismo religioso, retirando a homossexualidade da lista de doenças reconhecidas pela ciência como tal.

Hoje, para assinalar a data, o Bloco de Esquerda recupera um projecto que tem o meu total apoio, e que só peca por tardio, pese embora seja uma luta antiga do partido: criminalizar a chamada terapia de reconversão, uma charlatanice ao nível do exorcismo e do teatro mal-amanhado das curas milagrosas que um sem número de seitas oferece a troco do habitual dízimo.

A identidade de género – que não é a mesma coisa que o género biológico, sublinhe-se – não é uma doença. É uma característica individual que deve ser respeitada. Terapias de reconversão são uma forma de tortura, sem qualquer base científica, destinadas a satisfazer os anseios de ultraconservadores e fundamentalistas, que colocam dogmas religiosos e convicções ideológicas à frente do bem-estar de quem é vítima desse horror que é ser tratado como um doente por não se enquadrar no cânone politicamente correcto da heterossexualidade.

Terapias de reconversão, repito, sem uma charlatanice. Um embuste, uma mentira e um abuso de direitos humanos. Uma prática digna de figurar no manual dos inquisidores, sejam eles os bispos do passado ou os ayatollahs do presente. Deve por isso ser criminalizada, porque não só nada cura, até por não haver nada para curar, como constitui uma violência inaceitável, com consequências físicas e psicológicas para quem é submetido a esta prática hedionda. Querem voltar às cavernas façam o favor, mas deixem os outros em paz.

Comments

  1. José Ferreira says:

    Isso deveu-se á divisão dos psiquiatras em que uns admitem que a homossexualidade é um desvio ou doença, e como não conseguiram explicação foi aceite como normal… que não é!

    • Joana Quelhas says:

      Mas depois… os que não concordam são silenciados (cancelados mais modernamente) pois são fascistas…

      Joana Quelhas

  2. Joana Quelhas says:

    Isto é por fases.

    A primeira fase : a Homossexualidade não é doença, é normal.
    A segunda fase: a Masculinidade é uma doença (tóxica), não é normal.
    A terceira fase : a Pedofilia e o Incesto não são doenças é normal.

    Simone de Beauvoir, Theodor Adorno, Horkheimer, Michel Foucault e o resto da pandilha frustrada com problemas psíquicos graves devem estar muito felizes. A desconstrução está a correr bem…

    Joana Quelhas

    • Paulo Marques says:

      Tá a confundir a decência com a igreja. Percebe-se, a propaganda é o que é.


    • Caríssima Joana Quelhas!

      Já leu alguma coisa da obra da „pandilha frustrada“ que menciona?! Penso que lhe falta conhecimentos sobre a filosofia do século XX. Aprofunde os seus conhecimentos sobre o assunto e, então, diga-nos alguma coisa.

      • Ernesto says:

        “Aprofunde os seus conhecimentos” – Ora aí está uma tarefa nada, mas mesmo nada, difícil para a Joana!

      • Joana Quelhas says:

        Caríssima Teresa,
        Depreendo das suas palavras que só não corroboro a ladainha dos citados porque não os li .
        Ou seja, para a caríssima caso os lê-se estaria de acordo com as sumidades.
        Mais ou menos como : discordar é proibido.
        Não lhe ocorre que alguém possa ler os referidos e ache tudo aquilo uma grande charlatanice !
        Recomendo não à Teresa pois vejo que é conhecedora do Pós-Modernismo, mas para quem nunca entrou no assunto 2 livros básicos mas muito esclarecedor e pode servir de ponto de entrada para a loucura do pós-modernismo:

        1)O Mundo As Avessas de João Maurício Braz

        e

        2)Teorias Cínicas de Helen Pluckrose

        depois recomendo claro Alan Sokal como sobremesa.

        PS: Pode ter a certeza que já li muito sobre o assunto…

        Joana Quelhas


    • Estimada Joana Quelhas, está a recorrer à falácia da bola de neve.

      • Joana Quelhas says:

        Bem vamos lá a ver:
        Theodor Adorno foi ou não foi contra a proibição do incesto ?
        A Simone de Beauvoir foi ou não expulsa da escola onde leccionava por relações sexuais com uma aluna menor de idade ( pedofilia) .
        A diversão maior de Michel Foucault era ou não o “fisting”… a lista de anormalidades desta estirpe de “intelectuais “ pós-modernos é infinita…
        Se isto se revelar uma “falacia da bola de neve” ( e espero que sim) , será apenas com o esforço e a oposição dos conservadores .
        Se isto for deixado em roda livre os Esquerda/Marxistas/Progressista, vale tudo desde que a sociedade seja desconstruída para depois ser implantada a sociedade perfeita(Comunista claro).
        Veja a pressão que hoje é feita para introduzir nas escolas (na mais tenra idade) a Teoria de Género, algo de acientífico e completamente contraditório em relação ao método científico.


        • Compreendo que à Joana lhe interessa mais a biografia do que a obra. Ao contrário de mim que a obra é que me interessa. Li e admiro muito a obra de Martin Heidegger, embora ele tenha apoiado o nacional-socialismo.

          • Joana Quelhas says:

            Em relação a Heidegger fico-me pelo lado de Hannah Arendt.
            Mais que a biografia e a obra, interessa-me os resultados da “obra + biografia”.
            Veja o caso em discussão. Pede-se o criminalização dos “reconvertores” !
            A Teresa não sente aqui algo de profundamente errado ?
            Em primeiro lugar e por decisão ideológica desclassifica-se a homossexualidade como doença, apesar de inúmeros cientistas a considerarem como tal.
            Isso implica que acabem as tentativas científicas de estudarem o fenómeno e quiçá resolverem o problema.
            Por outro lado a grande maioria dos homossexuais gostaria de ser hetero.
            Por outro lado estas nefastas ideologias conseguiram que “acientificamente” a homossexualidade deixasse de ser considerado um desvio, então essas pessoas estão abandonadas à sua sorte .
            Só lhes resta os tais chamados “exorcistas” , reconvertores ou charlatães.
            Em desespero tem de recorrer a eles. Mas o que realmente estes pós-modernistas querem é acabar com os homossexuais que acreditam ou querem ser hetero.
            O mesmo se passa com as pessoas com deficiência. O pós-modernismo defende que essas pessoas não devem buscar tratamento que lhes possa facilitar a vida.
            O mesmo se passa com as pessoas gordas … etc etc…
            Veja também o que estão a fazer a crianças de tenra idade que numa fase precoce tem dúvidas sobra a sua orientação sexual. A esmagadora maioria destes jovens vão ser adultos heterossexuais, mas por influência do pós-modernismo estão a ser cooptados para o movimento através de tratamentos hormonais e reconfigurações de sexo irreversíveis que lhes vão destruir a vida (taxas de suicidio acima dos 40%).
            Olhe o caso da filha da Angelina Jolie…
            Por isso cara Teresa o pós-modernismo tem um efeito altamente nocivo na nossa sociedade o que quer dizer nas pessoas de carne e osso. E os Marxista apoiam pois vem nisso uma ferramenta de “luta” contra o Capitalismo. Muito mais havia a dizer mas por ora não há tempo para mais…

            Joana Quelhas

          • Paulo Marques says:

            É, o que mais se vê por aí não são homossexuais e transexuais a quererem viver a sua vida em paz; não, pedem para ser torturados para resolver o que não sentem como problema.
            Não sei que amigos e conhecidos tem a Joana, mas achar que não há trans homossexuais diz tudo. Nem vale a pena perguntar onde vê tais números, é melhor não saber.

  3. JgMenos says:

    «A identidade de género – que não é a mesma coisa que o género biológico, sublinhe-se – não é uma doença.»

    Está em curso um movimento progressista para retirar quem assuma a identidade de Napoleão Bonaparte das lista dos marados – sublinhe-se.

    • Menos, Quelhas & barreiro, separados à nascença says:

      Ver um troll com uma identidade falsa falar da identidade de género só pode ser um fenómeno sobrenatural.

    • Paulo Marques says:

      Um fala de uma consequência que não existe, outro fala de uma doença que não existe.
      Bem, estou convencido!

  4. JgMenos says:

    Introduzir a homosexualidade na normalidade da exploração/ experimentação sexual é o objectivo oculto a toda esta paranoia da identidade de género.
    A cambada esquerdalha alinha entusiásticamente em toda a merda que lhe pareça anormal!

    • Paulo Marques says:

      Oculto? Não tem nada de oculto, cada um que faça o que quiser, consensualmente. Não quer pôr nada no rabo não ponha, homem, tem boa companhia na preferência.

    • POIS! says:

      Pois…não em toda!

      Não consta que alinhe entusiasticamente em salazarices, tipo as de Vosselência.

      Até porque essa merda não parece. Essa merda é.

  5. JgMenos says:

    Haverá que estabelecer que toda a doença se vai definir perante um padrão de normalidade verificável segundo os dados relevantes para a ciência.
    Ser feio, é referente a um padrão de normalidade, mas não envolve necessariamente dados relevantes para a ciência que identifica e trata doenças.
    Já a prevalência de hormonas ou do mais que possa condicionar comportamentos a partir de acções que à falta de melhor conhecimento posso relacionar com a química, pode, nos limites do que é conhecido, ser matéria de ciência e consequentemente equivaler a doença.
    Em final que cada um se organize do melhor modo com o que lhe saia em sorte, mas a paranoia esquerdalho-progressista de juntar ignorância a uma necessidade patológica de se dizerem diferentes, é todo este carnaval do género agora em curso.

    • Paulo Marques says:

      Não tem conhecimento, mas sabe coisas porque não pode ser de outra maneira na cartilha.
      Ó Menos, isso já todos percebemos.

    • POIS! says:

      Ora pois! Vosselência estará lixado, e com razão.

      No carnaval do género, calhou a Vosselência o género palhaço.

      Toda a gente sabe que tal é um absurdo, já que não se lhe vislumbra graça nenhuma.

      Vosselência revelou, sim, lautas qualidades, dos géneros de contorcionista e arara amestrada. Mas também não ficaria mal como malabarista, se for com aquele número dos barris de petróleo.

      É esse o padrão de normalidade hormonática de Vosselência.

  6. luis barreiro says:

    Long live to mussels lgb in islam.

    • Paulo Marques says:

      Ui, com esse argumentário, vão já a correr para a IL.

      • luis barreiro says:

        Querido sei bem que para um esquerdopata a realidade não interessa. Mas facto é que no mundo islâmico onde os árabes LGBT têm mais direitos é em Israel, e já agora onde têm maior esperança de vida.

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