Como tramar hipócritas, homofóbicos e palermas, por Adolfo Mesquita Nunes

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Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens@JN

À parte do mau estar que a revelação causou entre a ala salazarista e ultraconservadora do CDS-PP, para não falar nos seus aliados naturais como a Igreja Católica ou a Opus Dei, a saída do armário de Adolfo Mesquita Nunes, um dos mais promissores e competentes quadros dos democratas-cristãos, deixou uma série de conhecidos hipócritas, homofóbicos e palermas muito atrapalhados. E isso é sempre bonito de se ver.

Quem se lembra da entrevista da secretária de Estado Graça Fonseca, que em Agosto passado assumiu a sua homossexualidade numa entrevista ao Diário de Notícias? Lembram-se das reacções reaccionárias dos paladinos da moral, dos bons costumes e do conservadorismo labrego? Não? Pesquisem no Google, visitem os blogues e os pseudo-jornais da nossa alt-right ou procurem na sarjeta do neofascismo lusitano e rapidamente encontrarão a resposta. [Read more…]

Desculpem lá, Mas, Sou Só eu, ou Há por aí Mais Quem Não Entenda?

RENATO SEABRA CONFESSOU O CRIME
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Estava a fazer um esforço para não comentar a notícia da morte de Carlos Castro. Toda a gente e mais alguma entendeu ter alguma coisa a dizer sobre o assunto. Uns a falar da vida que Castro escolheu, outros a falar da vida que Renato abraçou, muitos a falar da violência e outros tantos a tentar branquear o que foi feito. Muitos também a dizer asneiras em cima de asneiras sem ter em conta os familiares dos envolvidos.
Mas acabei por não resistir ao ler que  a morte de Carlos Castro mais não era que um crime de violência doméstica e mais nada. Não percebi. Não deveriam estes senhores e senhoras levantarem-se e gritarem a uma só voz a sua revolta? Fiquei a saber que esta morte não abalou o mundo LGBT. Para o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, “Carlos Castro terá sido unicamente vítima de violência doméstica”, algo que “infelizmente” também acontece entre casais “heterossexuais”. [Read more…]

Quim Barreiros

Quando os movimentos LGBT copiam os movimentos religiosos…

Deixem-se de mariquices, e tratem mas é das coisas sérias

Em relação à instituição casamento estou de acordo com o Ricardo Teixeira: “Não consigo deixar de olhar para o casamento como o mais balofo património da heterosexualidade e o mais tolo acto de sexismo militante.”

Em relação ao casamento gay estou-me igualmente nas tintas. Acompanhei no seu início alguns dos primeiros movimentos de defesa dos homossexuais enquanto absoluta minoria, humilhada, perseguida, causa com que evidentemente estou. Agora há prioridades e patitices. Prioridade é por exemplo isto:

Gays, travestis e transexuais condenados à prisão em Belo Horizonte ganharam uma ala especial na penitenciária masculina de São Joaquim de Bicas. Aberta há um mês, a ala permite, por exemplo, que as travestis e as transexuais mantenham os cabelos compridos, o que não podia ser feito em presídios comuns. A ala ainda está em fase experimental e já conta com 37 presos. Além de valorizar a autoestima dos presos, a ala também prevê a diminuição da violência e a preservação da saúde, já que os homossexuais são as principais vítimas sexuais das prisões.

Sucede que nestas causas também há classes. E os movimentos LGBT não parecem estar preocupados com o que se passa nas penitenciárias, lugar por excelência onde vai parar o pobre (e aliás os pobres mesmo pobres,não se casam, que custa dinheiro, juntam-se). Ainda me desperta uma vaga solidariedade contra a estupidez humana a entrada em cena da ICAR e demais reaccionários defendendo a família, dizem eles, como se esta fosse una, a tradição como se o casamento de hoje tivesse alguma semelhança com o de há 50 anos, no seu eterno absolutismo somado à abelhuda mania de meter o nariz  no sexo dos outros. Só por isso se houver referendo como pelos vistos vai haver ainda sou capaz de ir votar. Só para chatear, que bem o merecem. E sinceramente, por muito que isso me estranhe, estou com estas cavacais declarações:

Interrogado se, então, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é para si uma prioridade, o Presidente da República reiterou que é com os «quinhentos e muitos mil» desempregados que está preocupado.

Com esses e com os que são enxovalhados por conta da sua opção sexual também, mas isso já não se pode pedir ao homem que vai receber o Papa na condição de Presidente da República crente.