O triste espectáculo com que as televisões nos brindaram durante a última semana acerca da morte da menina Jéssica, é sintomático do estado a que chegou a comunicação social em Portugal.
Com excepção da RTP, o canal público, todas as estações de televisão de cariz informativo tornaram a morte trágica de uma criança num espectáculo de circo que faria corar Victor Hugo Cardinali. O jornalismo caminha a passos largos para a degradação da informação, fabricando factos e aproveitando todo e qualquer fait-divers para lucrar com audiências. Foi assim, também, durante a última semana. O jornalismo tem o dever de informar e relatar os factos com o maior distanciamento possível e não, como parece ser o caso, de ir atrás de evidências de papelão, onde o que interessa fica sempre para trás: o respeito à memória de uma criança assassinada brutalmente.
Os directos que CMTV, SIC ou TVI/CNN Portugal fizeram à porta do velório da menina Jéssica devem envergonhar todos os portugueses. Os códigos deontológicos têm de valer para alguma coisa; e a lei também. Não pode valer tudo, no jornalismo como na vida, para que se tente chegar ao topo de qualquer maneira, pisando quem não tem capacidade de se defender – e, nestes casos, são sempre os mais pobres aqueles que estão em situação débil e sem capacidade de se poderem proteger.
É sabido que nada vai mudar na comunicação social. Vivemos, hoje, na época do mediatismo sem filtro, da azáfama da rede social, da ganância do lucro a qualquer preço. E, com estes pressupostos, não há espaço para se fazer jornalismo.
Jéssica morreu, já nada a traz de volta. Mas os abutres logo cobiçaram o seu corpo. Vivemos as trevas.






Ainda os corpos estão quentes, já sabe toda a gente quando, como e porquê, quais os organismos sem recursos que têm culpa, bem como o perfil psicológico de quem nunca se viu ou ouviu, bem como da família inteira. Nem era preciso polícia ou juízes, a turba decidiu, e há que pagar sangue com sangue, que é o nosso valor democrático cristão ou lá o que é.
Mas ninguém falau em ciganos… para veres como estão bem mandados…
A liberdade de informação tem um preço. Um deles é este tipo de coberturas “informativas”. Mas antes assim que como era no tempo do Botas onde acontecia mas nao se sabia. Quem nao quer ou não gosta de ver desliga.
Post errado… mas não, não se falou, falou-se em subsídios, onde há os filhos e enteados, e os outros. Ou Outros.