Ricardo Esgaio e a grunhósfera da bola

Percebe-se bem o crescimento da extrema-direita, quando olhamos para a forma como o ódio se propaga no futebol, no seio do qual individualidades muitíssimo inteligentes concluem que insultar em massa um jogador vai fazer com que jogue melhor. Não admira, portanto, que o CH tenha sido cozinhado num programa de “debate” futebolístico, nessa ágora de erudição que dá pelo nome de CMTV.

Não sou do Sporting, não vi o jogo com o Braga e não reconheço a cara do Ricardo Esgaio se o vir na rua, mas tem toda a minha solidariedade. Já os adeptos de futebol chegados de 500.000 AC deviam ter acesso bloqueado às redes sociais. Desejar a morte de alguém por um erro num jogo de futebol é estar ao nível de um neo-nazi. Não tem espaço numa sociedade democrática e, seguramente, não encaixa nos parâmetros de liberdade de expressão. É, isso sim, discurso de criminoso.

Comments

  1. JgMenos says:

    Não há mal que lhe não venha,
    Não que não esteja a voar
    Para as penas lhe chamuscar
    Todo o fogo lhe querem chegar
    Do racismo ao futebol
    tudo vem sempre a propósito
    de a quererem depenar.
    Não que não esteja a voar…

    Pé-quebrado/ ideia direita

    • POIS! says:

      Pois bem…

      A avaliar por mais esta demonstração da variz poética do génio do autor, parece que a pila do Menos está transformada em drone.

      E com penas!

      Corrijam-me caso a minha interpretação não seja a mais correta, mas não vislumbro outra hipótese.

      • JgMenos says:

        Tu e as pilas…. não há maneira!

        • POIS! says:

          Pois tá bem! Não há dúvidas!

          Corrobora Vosselência que a interpretação está correta!

          Uma questão: as penas são para controlar a direção? Ou, simplesmente, para disfarçar a coisa?

          Já corre por aí que nasceu, pelo Menos, uma nova espécie biotecnológica: o passaralho.

          Não sei se Vosselência tem controle sobre o objeto, mas devia evitar pairar sobre locais perigosos, principalmente os estádios.

          E nunca sobre o Estádio da Luz. A Águia Vitória tem fama de predadora e os “very-lights” das claques podem causar estragos. tal como Vosselência tão genialmente traduziu em poesia.

          • José Peralta says:

            Pois !

            PASSARALHO, (de “asa” quebrada !!!) relativo ao “menos” ? Definidor e bem achado…

            Agora “deu-lhe” para a “poesia” !

          • POIS! says:

            Pois claro! E que grande poeta!

            É certo que a rima só funciona em ar (o que não admira, dado que tem um pendente – agora tornado inde-pendente – que anda no ar a voar) e a métrica também não ajuda, mas é de propósito.

            O Menos, por modéstia, não quer fazer sombra a vultos da nossa literatura tais como Camões, Guerra Junqueiro ou Cesário Verde (*).

            Quanto ao “Passaralho”, esse sim, vem na sequência de grandes feito tecnológicos da nossa história tais como a “Passarola” de Bartolomeu de Gusmão e a “Passarinha” da Carlota Joaquina.

            (*) Aliás, não esconde que as suas preferências vão para a prosa, sendo um grande admirador desse grande vulto da literatura portuguesa que é a romancista Corín Tellado.

  2. Paulo Marques says:

    Nem toda a gente segue a espuma dos dias para saber o que se passa…

  3. Anonimo says:

    Há grunhos, logo ha extrema-direita. Nem o La Palissa diria melhor.
    Deve ser por causa do Chega que os Macacos são figuras públicas, credíveis e respeitadas.

    O futebol é um fenómeno estranho, há intelectuais que falam mal de tudo e todos em procura de um país melhor, mas quando mete bola (o seu clube), tornam-se especialmente tolerantes. E alguns até trocam o decoro e educação do debate pelo enxovalho e insulto.
    Isto sempre houve, antigamente eram esperas com direito a insulto e umas amolgadelas no carro, hoje é escarro virtual. Sempre se poupa na chapa.
    Os árbitros então, era fugir pelas traseiras para não enfardarem.

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