Embargar a China? Why not?

CH

Não querendo entrar em teorias rebuscadas sobre a origem do novo coronavirus, de natureza conspirativa, parece-me inegável que a China foi desonesta com o resto do mundo, ao ocultar, deliberadamente e durante várias semanas, a gravidade do problema que tinha em mãos.

Vai daí, é meu entendimento que o mundo deve exigir à China compensações financeiras pelo caos que a sua opacidade aprofundou. Vou ainda mais longe: parte significativa do Plano Marshall que a Europa e o mundo vão precisar, quando a crise económica que já se sente ocupar o primeiro plano das nossas preocupações, deve ser assumido por Pequim.

Caso a China decida não colaborar, defendo que deve haver coragem, pelo menos do mundo democrático, em impor sanções pesadas, e, eventualmente, um embargo total. De caminho, e pensando apenas no espaço europeu do qual faço parte, parece-me que estamos perante o momento ideal para um plano ambicioso de reindustrialização da Europa, capaz de, simultaneamente, gerar emprego e acabar com a dependência das importações chinesas. Isto será absolutamente crítico em sectores como o têxtil ou o automóvel, apenas para citar dois exemplos.

Naturalmente, tal intenção enfrentará poderosas forças de bloqueio, não só da própria China, como do sector financeiro e da grandes multinacionais ocidentais, cujos lucros, estratosfericos, dependem dos baixos custos de produção e de matérias-primas que a grande fábrica do totalitarismo chinês lhes proporciona. Mantendo o actual status quo comercial, é praticamente impossível ao Ocidente competir com um regime que explora a mão-de-obra, ignora direitos laborais e não respeita direitos humanos.

Ainda no campo dos interesses do modelo económico ocidental, importa realçar que a China é hoje um dos maiores mercados de consumo a nível mundial e um dos maiores clientes de produtos de luxo produzidos pela Europa e pelos EUA. Um embargo total à China resultaria numa perda significativa de vendas para inúmeras marcas, do sector da moda ao automóvel entre muitos outros. E o capitalismo, que não se deixa abalar por contradições éticas ou morais, dificilmente cederá. É o lucro que importa, não os direitos humanos. Muito menos a democracia.

Assim, encontramo-nos numa encruzilhada. Por um lado, estamos reféns de um regime comunista totalitário, que controla e comanda parte significativa da economia mundial, incluindo empresas estratégicas na Europa e EUA. Por outro, estamos nas mãos de multinacionais e instituições financeiras, que se deitam com qualquer oligarca ou autocrata que lhes pague o preço certo em euros. Ou dólares. Ou yuans. Talvez precisemos de uma revolução. E os ares de Abril costumam ser propícios para derrubar ditaduras. Why not?

O editorial esquerdalho do Financial Times

KM

O editorial que se segue foi publicado no Financial Times, sendo a tradução da autoria de João Rodrigues, perigoso ladrão de bicicletas. Tentem não entrar em pânico, não baixem a guarda, mas preparem-se: os esquerdalhos andam aí e querem comer os vossos filhos ao pequeno-almoço.

A existir um raio de esperança no Covid-19, este é a injecção de um propósito comum em sociedades polarizadas. Mas o vírus e o confinamento económico necessário para o combater, também lançaram uma luz horripilante nas desigualdades existentes, para lá de terem criado novas desigualdades. Para lá de derrotar a doença, o grande teste que todos os países enfrentarão em breve consiste em saber se os actuais sentimentos de propósito comum moldarão a sociedade a seguir à crise. Como os líderes ocidentais aprenderam na Grande Depressão e depois da Segunda Guerra Mundial, a exigência de um sacrifício colectivo implica oferecer um novo contrato social que a todos beneficie.

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O capitalismo em tempos de corona

DTJB

Foto: EPA (via Rádio Renascença)

Os Estados Unidos conseguiram a proeza de eleger Donald Trump presidente. Desde então, as proezas sucedem-se. De Trump já vimos quase tudo aquilo que não esperamos de alguém que dirige uma democracia ocidental. O racismo, a normalização do racismo e o elogio dos racistas. A xenofobia, a demonização do emigrante e o muro. A ignorância, a negação da ciência e as notícias falsas. A boçalidade, a falta de escrúpulos e ausência de uma espinha dorsal. A chantagem, a trafulhice empresarial e a corrupção. Nenhum dos seus antecessores ousou ir tão longe. [Read more…]

Margaret Thatcher e o Coronavirus

Parafraseando a uma citação muito popular entre a direita, da mais liberal à mais extrema, que tomei a liberdade de adaptar aos dias de hoje, penso que não será descabido dizer que o capitalismo dura até fechar a fábrica comunista. É que, a julgar pelo pânico que se instalou nos mercados, nas bolsas, nos bancos e nos grandes capitalistas em geral, que não gostam do comunismo, excepto quando é para deslocalizar a produção para a China ou para o Vietnam, de forma a poder aumentar os lucros e não ter custos adicionais com direitos laborais ou humanos, parece que o encerramento da grande fábrica chinesa, como consequência da epidemia covid-19, tem tudo para ser a acendalha da próxima crise mundial do capitalismo moderno. Em todo o caso, mercados, bolsas, banqueiros, especuladores e outros piratas das Caraíbas fiscais não têm motivos para ficar preocupados. Se isto realmente der o estouro, culpa-se o cidadão comum, esse gastador, aplica-se uma austeridadezita purificadora e resgata-se novamente o capitalismo com o dinheiro dos contribuintes. Como ainda estamos a pagar o estouro anterior, a malta nem vai reparar.

Luanda Leaks: Domingos da Cruz explica o capitalismo de saque às criancinhas

Sim, mas gera riqueza e cria empregos!

Os novíssimos indignados com Isabel dos Santos andaram, andam e andarão a desculpar circunstancialmente todos os países ou empresários que quiserem vir para Portugal pagar baixos salários e/ou lavar dinheiro.

Manuel Pinho, por exemplo, antes do episódio dos corninhos, aconselhou o investimento em Portugal porque os salários são baixos.

Rui Machete, então Ministro dos Negócios Estrangeiros, pediu desculpa a Angola porque a Justiça portuguesa cumpriu o dever de investigar a possível corrupção de figuras do regime angolano em Portugal.

De uma maneira geral, desde que exista, no mínimo, a ilusão de que poderão “gerar riqueza” ou “criar empregos”, qualquer milionário estrangeiro tem as portas e as pernas abertas para fazer o que lhe apeteça, o que, aliás, faz parte do espírito de uma aberração como os Vistos Gold.

Paulo Portas, ainda ministro, chegou a afirmar, diante das críticas ao regime angolano, que não tínhamos lições de democracia a dar a outros países, o que é próprio de quem prefere os negócios às pessoas.

Isabel dos Santos é uma flor nauseabunda que muitos garantiram cheirar a rosas. Não sei se o poder que manda hoje em Angola é melhor do que o anterior, mas não deixa de ser curioso assistir a eternos cínicos disfarçados de moralistas, depois de terem recolhido o pólen.

Lutas, causas, recuperações e inibições – Greta Thunberg e outras coisas

Sim, ela intervém numa sociedade que se tornou, há muito, perita em recuperar, instrumentalizar e, eventualmente, lucrar com as forças, movimentos e personagens que a contestam, por muito forte que seja a causa que representem. Mas isso não tira mérito a tais causas nem aos seus protagonistas. Cabe-nos estar criticamente atentos. Sendo assim, não entendo a hostilidade para com a jovem Greta Thunberg e a desvalorização de causa resultante desta atitude. Ela é uma criança. Uma adolescente, vá. Não era isto que queríamos? Não apelávamos a um compromisso da juventude na defesa de causas justas e de uma cidadania activa? E agora que isso acontece, qual é o problema de alguns de vós?
Ela pode cometer erros? Pode. E daí?
A luta que mobiliza os jovens pode ser recuperada e distorcida por um poder capitalista manhoso e que sabe bem como isso se faz? Pode. E daí?
Há causa mais imediatamente dramáticas e urgentes, com vítimas mais evidentes? Há. E daí?
Quando nos propomos lutar por uma causa temos que ir ao mercado das prioridades? Agimos ou é preferível ficar por uma imobilidade cínica? [Read more…]

Estados Unidos das Bananas

Documentário do canal alemão DW “On Bananas and Republics” sobre o império construído pela empresa United Fruit Company (UFC), considerada a primeira grande multi-nacional. Como esta empresa dominou diversos países da América Central, tomou conta das respectivas infraestruturas e colocou os governos e militares desses países ao seu serviço. A tomada de posse dos caminhos de ferro, telégrafo e terras por parte da UFC. A estratégia do não pagamento de impostos, pioneira no agora omnipresente “planeamento fiscal”. A história de como a revolta dos trabalhadores na Guatemala foi transformada num problema político dos EUA, tendo conduzido a uma guerra civil que durou 36 anos. A forma como a UFC montou uma história sobre a Guatemala, sem paralelo com a realidade, como forma de conter a revolta aos países vizinhos onde ela operava. A dívida dos países da América Central como instrumento de consolidação de poder da UFC. A expressão”República das Bananas” cunhada por O. Henry em 1901 para descrever o regime das Honduras e países vizinhos onde empresas como a UFC podiam fazer tudo o que queriam.

Imagem do documentário “On Bananas and Republics” (clicar para ver)

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O capitalismo do calote

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Fotografia: Lusa

Joe Berardo não fez um favor aos bancos. Fez um favor ao país. Demonstrou bondade e compaixão por todos nós, pobres portugueses, ao apresentar-se perante a comissão de inquérito sem máscara, o que lhe permitiu gozar, abertamente e sem rodeios, com a cara dos deputados, do Parlamento e dos portugueses, deixando a nu a verdadeira face de uma certa elite parasitária, famosa por manobrar políticos sem espinha e viver à custa do erário publico. [Read more…]

Menos Estaline, mais Mao Tsé-Tung

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Nestes tempos de imbecis populistas, que passam as tardes no Parlamento aos gritos em bicos de pés, a semear o medo e a falar de estalinismos que não existem, é interessante verificar que, graças ao empreendedorismo do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, 8,8% da bolsa de valores portuguesa é hoje controlada pelo Partido Comunista Chinês. Estalines hipotéticos são um perigo, já os Maos desta vida são umas jóias de moços, que o digam Durão Barroso ou Franquelim Alves.

É a justiça ineficaz…

… que abre caminho aos bolsonaros – BPN: Seis mil milhões de prejuízo, zero presos

Ainda a questão da Hora Legal

A questão da mudança da hora, recentemente suscitada pela Comissão Europeia, passou por aqui sem grande discussão ou esclarecimento público, pelo menos sem a discussão e o esclarecimento que eventualmente mereceria, para além do referendo digital que, alegadamente, veio estabelecer uma opinião maioritária dos “europeus” sobre o tema. E, ao contrário do que possa parecer, o tema é muito importante: o Tempo abstracto. Pois foi a criação do Tempo abstracto que, ainda antes da invenção do relógio mecânico, fundou as bases do capitalismo e, em grande medida, a subjugação do Homem ao poder de outros homens.

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Bernie Sanders, o socialista democrata

O título com que Sanders se auto-adjectiva é estranho. Mas ouça-se o que ele diz quanto a, presentemente e na América, três pessoas terem, entre si, mais riqueza do que a metade mais pobre da população. Uma delas, Jeff Bezos, CEO da Amazon, vê a sua fortuna aumentar diariamente 250 milhões de dólares, mas paga tão pouco aos seus empregados que muitos precisam de recorrer a vales alimentares do sistema Medicaid. Ou, ainda, o que Bernie Sanders diz sobre o sistema eleitoral americano, onde os interesses das grandes fortunas podem financiar as campanhas eleitorais com centenas de milhões de dólares, para eleger representantes dos ricos e poderosos, em vez de representantes da população como um todo.

Este cenário não é exclusivo da América. Até no nosso Portugal, registamos como a banca, a EDP, a Galp e outras grandes empresas, incluindo as beneficiadas pelo esquema das PPP, vêem os seus interesses sistematicamente defendidos, com grande prejuízo da generalidade da população.

Onde vamos parar? Haverá luz ao fundo do túnel nesta sociedade mais preocupada com o lazer do que com as pessoas e com o planeta?

A homeostase do Capitalismo

 

Ancião. Fotografia: Bruno Santos | 2018

 

O sistema mecânico do Capitalismo tem uma dinâmica perpétua. A razão de a ter não está no Sistema em si, mas na sua religiosidade, melhor dizendo, na sua escatologia.

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A Cómoda

Há um erro gigantesco e utilíssimo que todos aprendemos na escola, erro esse que teve e tem a função de nos ajudar a ver o mundo como uma cómoda de quarto, cheia de gavetas.

Uma das gavetas é para as peúgas, outra para as camisolas, outra para as ceroulas, e por aí adiante. As pessoas que percebem desses assuntos chamam-lhe “especialização”, arte que consiste em compartimentar, o mais possível, a realidade, de maneira a fazer dela uma espécie de trama infinita, e infinitesimal, infinitamente segmentada, infinitamente dividida em realidades sempre mais pequenas, micro-gavetas da velha cómoda onde se guardam fibras microscópicas das peúgas, cuja utilidade temos esperança de vir a descobrir.

Este erro gigantesco e utilíssimo é o que vem a constituir o fundamento, a estrutura, não apenas da nossa cosmovisão – uma cómoda do tamanho do Universo -, mas de coisas bem mais terrenas, como a nossa organização social, as nossas teorias do conhecimento, a base doutrinal comum a todas as ciências, a todas as artes e até – daí a sua utilidade – do governo dos países e do mundo.

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Caso Skripal: o Reino Unido mentiu

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Há exactamente duas semanas, a 22 de Março, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico lançou o tweet que pode ser visto em cima, garantindo que a arma química usada para executar o espião Sergei Skripal em Salisbury era de fabrico russo. Curiosamente, ou talvez não, o tweet em questão foi posteriormente apagado. Como diria o outro senhor, “que passou-se”?

No mesmo dia, quase à mesma hora, e sem apresentar qualquer prova de que o regime russo estava por trás do assassinato, Theresa May instava os seus aliados a expulsar diplomatas russos, afirmando ainda que a ameaça russa não respeita fronteiras, o que é sempre muito interessante vindo da líder de um país que tem um longo historial de não respeitar fronteiras sempre que os seus interesses económicos possam estar em risco. Russos, britânicos, americanos, há hipócritas destes para todos os gostos. E hordas de palermas para os seguir. [Read more…]

Um capitalista também chora

O presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, parece não estar conformado com o negócio que envolve a Altice e a TVI, duas empresas privadas, pelo que exige ao Estado que intervenha no sentido de impedir a venda da estação de televisão ao grupo que também já comprou a PT.

Um dos mais importantes e bem sucedidos representantes do Capitalismo português, em vez de agir como um capitalista e fazer uma oferta de valor superior pelo negócio – afinal, isso é que é a livre concorrência – decide ir chorar para os ombros do Estado, o monstro marinho que uma vezes é um empecilho ao livre funcionamento do mercado, outras um pai protector que vem ralhar aos outros meninos que jogam melhor à bola.  Assim qualquer um pode ser empresário.

Bom, não é bem qualquer um. É alguém que consegue misturar na mesma notícia a eleição para a presidência do Eurogrupo e a Legionella.

Feicebuque Sic Notícias

Com a Geringonça, até os milionários ficam mais milionários

Cartoon via Definitely Maybe

Milionários, não desespereis! Com a Geringonça não é só devolver rendimentos, reduzir o desemprego ou controlar o défice. Com a Geringonça, os milionários também podem ficar ainda mais milionários. Sim, mais milionários! Foi exactamente isso que aconteceu com o top 25 dos mais abastados portugueses, que ao longo do último ano viram as suas fortunas combinadas crescer 3,8 mil milhões de euros, a uma média de 10,2 milhões de euros por dia. [Read more…]

O Partido Comunista ao serviço dos capitalistas

 

 

 

 

 

 

 

Há uns anos, ninguém diria que um dia o Partido Comunista Português iria ser um mero serventuário dos mais ferozes capitalistas portugueses.
Mas é verdade. Afinal, de suportar um Governo com políticas de Direita até apoiar capiltalistas, vai um pequeno passo. É uma questão de hábito.

Ontem, o Partido Comunista Português decidiu declarar o seu apoio a capitalistas condenados que devem milhões a um Banco cujo resgate foi e será pago por todos nós, contribuintes.
A presença da deputada Rita Rato no beija-mão ao presidente do Benfica vincula todo um Partido.
É que o presidente do Benfica não deixou falir um restaurante. O presidente do Benfica deve 500 milhões de euros. O PCP sente-se confortável com isso.
No fundo, não é surpreendente. De um Partido que disse não acreditar que houvesse ditadura na Coreia do Norte, não é de espantar. De uma deputada analfabeta que desconhece os gulag, também não.
E quanto ao tráfico de droga na Guiné-Bissau, nada a dizer?

Os cravos da revolução ficaram sem pinta de sangue perante os avanços da extrema-direita

Não será preciso recuar muito, talvez uns 10 anos, para constatarmos como se considerava impensável este cenário que hoje vivemos.  Ditadores a usarem a democracia para chegarem ao poder, baluartes da liberdade a cederem ao populismo, o Joker, esse do Batman, com a mão sobre o botão vermelho das nukes, os vermelhos transformados em sacerdotes do capital – tudo transformações num mundo que parecia estar em equilíbrio.

E, no entanto, ei-las. Trump e Putin confraternizam, em maior ou menor grau, conforme a táctica do momento, de uma forma que os levaria à fogueira no tempo da caça aos vermelhos e aos ianques. O mundo já não está dividido por esse Tratado de Tordesilhas da modernidade que foi a NATO vs. Pacto de Varsóvia. O Oriente, com a China à frente, atingiu um patamar de poder que o torna uma presença entre pares. Curiosamente, foi a natureza do capitalismo, na sua busca pela maximização do lucro, que cindiu esse mundo bipolar, num acto que acabará, inexoravelmente, por o enfraquecer. [Read more…]

Torremolinos, o lado negro da Força

Fabuloso, Nabais:

Tiago: Pá, se o governo se vê embebido dessa cena, quessafoda o colchão!

O drama, a tragédia e o horror. O geringonçismo a apoderar-se das mentes frágeis dos estudantes e a manipulá-las contra a propriedade privada. O colchão pela janela, a guerra civil, a Internacional a tocar ao fundo do corredor com cheiro a urina e o adolescente com vómito no canto da boca. Demais. O fim deve estar mesmo próximo. Pelo menos a julgar pela claustrofobia democrática anunciada pelos profetas do apocalipse. Obrigado, Nabais. Foi um belo momento e retratou na perfeição uma das mais anedóticas e alucinadas teorias da conspiração de que tenho memória.

In other news, shit that (apparently) really matter. Segundo Luciano Alvarez, jornalista do Público, Torremolinos, assim como outros destinos idênticos escolhidos para as viagens de finalistas, podem depender de quem ganha as eleições nas associações de estudantes dos liceus portugueses. As agências de viagens patrocinam coisas às listas concorrentes à AE, que podem ser um insuflável ou uma Barbie aspirante a dondoca de qual dos Big Brothers esteja a bater agora, e, e agora vem a parte engraçada, se aquela lista ganhar as eleições, a agência ganha a organização da viagem de finalistas. Free market rules! [Read more…]

Negócios da Índia

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Desde o seu planeamento em 2006 que o novo Parque Empresarial de Águeda, o Parque Empresarial do Casarão, obra pensada, projectada e comercializada pelo executivo socialista aguedense, executivo que cessará funções este devido à impossibilidade de Gil Nadais se recandidatar ao cargo, está envolto numa enorme polémica e é motivo de discussão entre os munícipes.

A longa demora nas obras, a falta de empresas interessadas na aquisição de lotes no referido espaço para construir unidades de produção, a desistência verificada por parte do LIDL em ali se sediar com um novo entreposto de mercadorias para a região centro, devido às péssimas acessibilidades rodoviárias de acesso ao Parque, o excessivo despesismo cometido pela autarquia em 2012 na instalação de postes de alta e média tensão no parque quando ainda não existia nenhuma empresa a laborar no espaço, aliada a um forte consumo energético 24 sobre 24 horas da iluminação pública que se verificou desde 2012 até aos dias de hoje, para literalmente nada produzir foram alguns dos problemas publicamente levantados sobre a forma em como foi gerido todo o processo por parte do executivo camarário aguedense.

Porém, os problemas não se resumem ao que acabei de enunciar…

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O toque de Midas da jihad financeira

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O capitalismo que temos, talvez o pudéssemos ter mais regrado e amigo da (esmagadora) maioria, é selvagem, opressor e não olha a meios. A regra é lucrar o mais possível e, sempre que necessário, levar tudo pela frente. Os ayatollas da coisa chamam-lhe liberdade, e o mercado livre ao qual rezam o terço não difere muito do conceito de imprensa livre preconizado por Hitler ou Estaline. As armas e os métodos podem ser diferentes. O fim, esse, é essencialmente o mesmo.

E como tudo vale, seja exterminar espécies em vias de extinção ou florestas tropicais, seja recorrer a trabalho escravo para reduzir custos e aumentar a produtividade, que o ambiente e os direitos humanos não têm espaço nas folhas de Excel dos déspotas do capital, as alterações climáticas e a poluição, como tudo na vida, são excelentes oportunidades de negócio que o empreendedorismo da ganância não pode desperdiçar.  [Read more…]

Lemos, ouvimos e vemos

Ana Cristina Pereira Leonardo

 

O capitalismo é como aquelas pessoas a quem emprestamos um dedo e, dois dias não são passados, nos querem levar os membros. A frase não é do velho Marx, nem sequer de Žižek: é minha. E em época tão dada à arrogância da humildade opinativa, digo-o sem falsa modéstia. Porque o caso é este, ao debate de ideias opõe-se hoje uma batalha de opiniões: «Eu acho isto, tu achas aquilo. Eu tenho direito a achar isto, tu tens direito a achar aquilo. Eu estou certo em achar isto e tu és uma besta em achar aquilo» – como se ao criticismo kantiano acrescesse, vá lá, uma espécie de democratização do insulto e do disparate. São tempos palavrosos, pois, em que o império das imagens (cf. o fenómeno narcísico das selfies) não correspondeu ao colapso anunciado das palavras: à imagem de Trump como palhaço de cabeleira bizarra seguiu-se a presidência dos EUA por via de meia dúzia de frases feitas e curtas (não será por acaso que não larga o Twitter).

Quem fala de Trump, fala de capitalismo, pelo que não me desvio do assunto. E o assunto é este: são OITO. Contas feitas, oito multimilionários detêm riqueza idêntica à miséria somada de cerca de metade da população mais pobre da Terra: 3,6 mil milhões de pessoas. [Read more…]

O sucesso do Capitalismo

Ana Cristina Pereira Leonardo

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Quando a fortuna acumulada de 8 (OITO) marmanjos equivale à miséria detida pela metade mais pobre da população mundial, 3,6 mil milhões de pessoas (TRÊS VÍRGULA SEIS MIL MILHÕES), somos obrigados a concluir que o Capitalismo é um sucesso, pelo menos para oito terráqueos.

Tempo de antena do Comité Central da PàF

Depois do sucesso que foram as declarações do camarada Passos, recuperadas pelo totalitário Luís Vargas, recordemos o camarada Núncio, imortalizado por lutas famosas como a Lista VIP e os Vistos Gold.

Morte ao capitalismo!

Fonte: Geringonça

A papelada do Panamá e a Pirataria global

O transporte marítimo é o pilar central do comércio internacional e um dos principais motores da globalização, movimentando cerca de 80% do comércio mundial e mais de 70% do seu valor. Toda esta mercadoria, que vai das bananas aos automóveis de luxo, é transportada e distribuída por mar pelos portos de todo o mundo, alimentando as economias e as “necessidades” de consumo das sociedades ditas desenvolvidas ou em desenvolvimento.

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O longo epílogo capitalista

Abespinham-se quando as suas verdades são postas em causa pelas verdades dos outros mas borrifam-se para o modo como as suas são construídas, mesmo quando o são à custa do respeito pelos outros. Outros que não se reduzem aos que usam os ignorantes/desesperados que se fazem explodir. Não falo só de bombas, mas do capitalismo, que também directamente as alimenta, e da sorridente subjugação de tudo quanto é humano em que assenta a sua lógica. Também lhe podem chamar globalização financeira, terciarização, terceiromundização, precarização, colonização, parasitação, animalização, filhadaputização. Não há inocentes mortos, há indecentes vivos. E carne viva para canhão. Resta-nos evitar as manhãs, as aglomerações e as horas de ponta.

Admirável mundo novo

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Na Coreia do Sul, de acordo com uma reportagem da BBC, algumas empresas propõem aos seus funcionários a simulação do seu próprio funeral. A ideia pretende ser, digamos assim, generosa: ajudar os empregados a gerir o stress provocado por uma sociedade altamente competitiva e com uma das maiores taxas de suicídio do mundo, de modo a reconciliá-los com a vida, torná-los mais equilibrados e… produtivos.

O enredo desta iniciativa assenta num ritual que tem tanto de macabro como de pueril: depois de confrontarem os voluntários com vídeos que realçam a forma positiva como certas pessoas reagem a problemas muito mais graves – pessoas com cancro terminal gozando a última réstia de vida, pessoas sem membros aprendendo a nadar… -, é-lhes pedido que redijam, perante um caixão aberto, uma carta de despedida para os seus entes queridos. Terminada a tarefa, entre soluços, prantos e outras pieguices, são convidados a entrar no féretro, que será encerrado durante 10 minutos, o suficiente para se confrontarem com o sentido da vida.

Afirma um dos adeptos do método, presidente de uma firma de – é isso mesmo – recursos humanos, que “a experiência de entrar num caixão é tão chocante que lhes pode provocar um reset às suas mentes, permitindo-lhes reconfigurar totalmente as suas atitudes”.

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O escravo deve aprender a língua do dono

Chinês chega a 23 escolas secundárias no próximo ano lectivo