Taiwan, um peão por sua conta

O resultado prático da visita de Nancy Pelosi a Taiwan foi este: um bloqueio naval e um país sitiado, refém de exercícios militares que, do ponto de vista de Pequim, podem passar de temporários a permanentes, na medida em que Taiwan é território chinês e Pequim dispõe do seu território como bem entende. Do ponto de vista chinês e do ponto de vista da comunidade internacional, que NÃO reconhece Taiwan como um estado soberano. E este é um dos raros casos em que a expressão “comunidade internacional” pode ser usada com substância, sendo que apenas 13 Estados reconhecem a soberania da Formosa. E o único europeu é a Santa Sé, so do your math.

Há quem defenda que Pequim teria já preparado estes exercícios militares há meses, porque estas coisas não se preparam de um dia para o outro. Como não sou especialista em assuntos militares, aceito sem levantar ondas que este desfecho seria igual com ou sem a visita de Pelosi. Mas sem Pelosi, seguramente, não haveria margem para desculpas esfarrapadas. E a speaker do congresso ofereceu uma perfeita a Xi Jinping.

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3 milhões de razões para a visita de Nancy Pelosi a Taiwan

Taiwan gastou mais de 3M$ em lobbying com Nancy Pelosi, entre 2018 e 2022. Mas aí de ti que ouses estabelecer uma relação entre estes três milhões de factos e a visita da speaker do congresso à ilha reclamada pela China, que os próprios EUA não reconhecem como soberana. Ela só foi lá porque é muito solidária com o povo de Taiwan. E quem se atrever a discordar é lacaio do Xi Jinping. E do Putin também.

O timing de Nancy Pelosi

O timing da visita de Nancy Pelosi a Taiwan não é inocente e ameaça directamente a segurança da população daquele país. De todos os momentos que poderiam ter sido escolhidos pela speaker da câmara dos representantes, Pelosi decidiu escolher o momento de maior tensão mundial desde a guerra nos Balcãs.

Não é inocente e, parece-me, tem mais a ver com política interna norte-americana do que com as aspirações independentistas do povo de Taiwan. Um país que, é bom recordar, os EUA não reconhecem enquanto Estado soberano. E são apenas 13, os Estados que reconhecem. Os EUA chegaram a reconhecer, durante vários anos, mas a globalização, o capitalismo e os renminbis falaram mais alto.

Como sempre falam.

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