
Sabem quantos dias de luto nacional foram decretados quando o capitão Salgueiro Maia faleceu?
Zero.
Zero dias de luto nacional pelo homem que desceu a Rua do Arsenal desarmado e enfrentou os tanques de Junqueira dos Reis.
Assim elogiou Portugal um dos grandes heróis da democracia, o que não surpreende, ou não fosse Cavaco Silva primeiro-ministro, o mesmo que atribuiu pensões vitalícias a ex-PIDEs e a recusou a…. Salgueiro Maia.
Agora, 30 anos depois da morte do último grande herói, assisto, perplexo, ao decretar de 3 dias de luto nacional pela rainha de Inglaterra, sem perceber muito bem porquê. Ou talvez se perceba: o luto nacional, como outras ferramentas protocolares ao serviço de quem governa as várias instituições deste país, não passa de um privilégio que os privilegiados usam para privilegiar as suas castas. Corrijam-me se estiver enganado, mas não me recordo de nenhum serviço prestado por Elizabeth II à REPÚBLICA portuguesa que justifique tal honra.
Vocês recordam?
A verdade, inegável, é que este país deve mais a Salgueiro Maia do que à rainha, ao Cavaco, ao Costa e a toda a casta de privilegiados que se privilegia entre si. Todos juntos não valem uma unha do capitão.






Entre outras coisas é o provincianismo elevado à quinta dimensão. A rainha que morreu era também rainha de Portugal…e eu não sabia.
O rapaz que se recusou a disparar o canhão julgo que estará vivo.
Há que desde já fazer uma comissão de luta por luto nacional …
Pois está vivo e perdoado!
Esclareceu que teve medo que algum obus fosse enterrar-se no real fundo das costas de algum Lorde!
E que a rainha não gostava de barulho quando era viva, quanto mais depois de morta! Aliás, consta que, por vezes, não se apercebia de que era um canhão e bradava logo: “não batam com as portas!”.
Foi prontamente libertado e condecorado. Considerou-se que estava perfeitamente integrado no espuma dos dias (e na seca das noites).
Eu não quero passar por defensor do luto pela senhora, mas creio que existe uma regra diplomática, que se aplica aquando da morte de um chefe de Estado de um país com relações diplomáticas com Portugal e que faleça durante as suas funções.
O Brejnev, por exemplo, morreu na véspera do dia de São Martinho, em 1982. Porque é que eu me lembro? Porque no dia seguinte, por estar de serviço, comandei o piquete de um regimento de Infantaria que fez guarda de honra ao içar da bandeira a meia-haste (*), com direito a toque de corneta e tudo.
Nessa altura governava a “saudosa” AD e a Direita rejubilava à fartazana. Ainda me lembro da pergunta de um soldado: “O que é isto? Luto? Então o gajo não é comunista?”.
Tanto quanto me lembro, o luto foi decretado sem polémica. O Brejnev escapou ao cinismo e moraleirice aplicados ao Otelo e ao silêncio oficial votado ao Salgueiro Maia.
(*) Na realidade, o cabo deu um puxão com mais força e a bandeira encravou lá no cimo. Foi preciso chamar os bombeiros para a baixar para o meio-pau…
Uma injustiça vergonhosa, igualmente com Otelo Saraiva de Carvalho!!! Devemos concluir e fazer análise, por quem somos governados!
Muito provavelmente o comentador de televisão preferia ser rei a ser presidente! Está taciturno com os sonhos de realeza não concretizados…
Ora pois, mais uma lapalissada saída do lamparíneo génio vozinhazerodecibolos!
Claro que um comentador quer ser rei. Todos aspiram ao título de “Rei do Comentário (*).
“Presidente do Comentário”? Não soa bem!
(*) dado o atual fenómeno da mundialização da informação o título poderá ser mesmo “Rei do Comentário de Aquém e Além-mar”.