Morreu um de Nós

Obrigado. Até ao Terceiro Anel.

“tenho dois amores: um é a Académica de Coimbra (…) o outro é o mesmo que o teu, Eusébio! É o BENFICA”

Guerra da Guiné (Pequenas memórias)

O velho Uíge atracou em Bissau no dia 13 de Maio de 1966. Entrámos dentro do forno da cidade. Aí aguardei um mês até ao meu destacamento para o mato. Eu e o meu colega e amigo Gomes Pedro, hoje professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa e Director do Serviço de Pediatria do hospital de Santa Maria. Ele seguiu para Cuntima, no norte da Guiné, perto da fronteira do Senegal, e eu embarquei para Canquelifá, no leste, próximo da fronteira com a Guiné-Conackry.

Um velho Dakota levou-me até Bafatá. Dentro do avião, além de mim, ia o piloto, o co-piloto que tinha meia cara feita numa cicatriz, uma mulher negra sentada sobre o caixão do filho e um capitão que eu não conhecia de lado nenhum. Este capitão desembarcara momentos antes no aeroporto de Bissalanca, vindo do Porto, e seguia directamente para o mato. Confessou-me que transportava consigo alguma angústia, pois deixara para trás mulher e nove filhos. Três meses depois encontrámo-nos em Bigene, no norte. Reconhecêmo-nos e tornámo-nos muito amigos. Era o capitão Brito e Faro. [Read more…]

11 de Março – eu estava lá!

O diálogo  salvador (de boina capitão Sebastião Martins; de frente em cabelo capitão Diniz de Almeida; à esquerda um dos militares de Abril que entretanto chegara e a TV em directo-mulher)

Ao tempo vivia ali em Alvalade para aí a dois kms em linha recta do Ralis. Estava habituado aos aviões do aeroporto próximo mas aviões militares e bombas a deflagrar distinguiam-se bem. Fui à janela os aviões rasavam o Ralis e ouviam-se disparos.

Meti-me no carro e fui para lá ver o que se passava enquanto os aviões militares abandonavam o local, forças furtivas tomavam posição nas escadarias dos prédios próximos e nas galerias exteriores. Paraquedistas, via-se pelas boinas verdes, armados de G3, a arma por excelência naquela altura, capaz de disparar tito a tiro ou em rajada. Procurei o comandante da força, tinha saído há pouco tempo da “guerra” ainda me lembrava como se procedia para não levar um tiro, mesmo que ocasional.

A minha surpresa foi enorme, o comandante da força era um amigo meu do Liceu, um tipo muito popular, generoso, poderoso fisicamente, mas do melhor como pessoa. Fiquei logo a saber que com o Sebastião, à força, íamos todos para o “galheiro” ele era destemido como poucos, mas com cuidado ele era um coração grande. [Read more…]