
Eu era um daqueles gajos que tinha a certeza absoluta que Cristiano Ronaldo acabava a carreira em Portugal. O dinheiro há muito que não é problema, o Sporting foi o clube que o formou e apresentou ao mundo do futebol, e Ronaldo, acreditava eu, seria o bigger man, aceitaria uma redução salarial e terminaria a carreira como herói aclamado de Alvalade. Talvez um dia dessem o seu nome ao estádio.
A verdade é que não sei se o Sporting estaria interessado em receber Ronaldo, mais ainda numa fase em que as polémicas ultrapassam claramente a magia dentro das quatro linhas. Mas custa-me a crer que o Sporting, ou clube algum em Portugal, incluindo o meu Porto, recusasse o melhor jogador português de todos os tempos.
Mas Ronaldo lá aceitou os 200 milhões do Al-Nassr. O mesmo Ronaldo que, em 2015, afirmava querer terminar a carreira “ao mais alto nível, com dignidade e num clube grande”. E que não se via a acabar carreira numa liga menor, nos EUA, Qatar ou Dubai. Foi para a Arábia Saudita, um exemplo de país, governado por um Putin vestido de branco que, ao invés de envenenar os seus opositores no estrangeiro, manda um esquadrão da morte para fatiar e destruir o corpo de um jornalista incómodo.
Se era para terminar ao mais alto nível, o Sporting esteve na Champions e continua na Liga Europa. Portugal tem uma liga incomparavelmente melhor e maior que a Arábia Saudita. Mas Ronaldo escolheu o Al-Nassr. Se calhar não tinha mais quem o quisesse, dizem alguns. Não acredito. Ronaldo tem muito mercado na Europa. A Turquia pagaria milhões e o homem ainda se arriscava a marcar uns quantos golos nas competições europeias. A decisão, porém, é dele e só a ele diz respeito. Mas é muito triste, ver uma lenda partir assim, vergado aos petrodólares.






“Nani deu um passo atrás ao assinar pelo Sporting.
Sair dum Manchester para ir o Sporting não é uma mudança muito boa. Com todo o respeito estamos a falar do Manchester que é top no mundo a nível de clubes”. (CR7 / 2014)
Grande verga, 500 milhões.
Já sei, e já ouvi, eu jamais o faria. Nunca saberemos, pois não?..