Portugal, o atraso económico e os empresários terceiro-mundistas

Quando se discute a fuga de jovens para o estrangeiro, o debate centra-se muito na questão fiscal e muito pouco nos baixos salários e na ganância de empresários que querem CVs de excelência a preço de imigrante ilegal de Odemira. Profissionais qualificados têm um custo proporcional às suas competências. E, se o ordenado for proporcional e justo, os impostos serão um problema menor. Não é à toa que as sociedades mais prósperas assentam em modelos sociais apoiados em impostos altos.

Um tecido empresarial com visão terceiro-mundista é inimigo do desenvolvimento e nunca, em momento algum, alavancará uma economia de primeiro mundo. Passamos os dias a falar nos fracos políticos que temos, mas é igualmente importante debater, sem medos, o problema dos empresários que querem pagar 760€ a jovens com mestrados. Quando não são doutoramentos. Sem noção não saímos da cepa torta.

Comments

  1. José Meireles Graça says:

    É urgente que o capital de risco financie estes licenciados para lançarem as suas próprias empresas ou, melhor, adquirirem algumas desses exploradores que as vendem baratas. E o Sol nascerá para todos nós.

  2. Anonimo says:

    Sim, depende da área… e da localização geográfica.
    Nas TI há a famigerada flexibilidade, não é difícil mudar de emprego, para melhor, mas apenas em Lisboa e Porto. Em cidades de média dimensão, havendo “um” empregador, normalmente aproveitam-se dos recém-licenciados. Por outro lado, existe evolução, pois não querem perder gente qualificada e com conhecimento.
    Mas em PT existe muito o estigma da idade, putos é para pagar pouco, salários vão aumentando com a idade.
    Mas duvido que sejam “os empresários ” os únicos a explorar a classe operária.
    Há uns anos vi um anúncio da UC, comecei a ver as exigências curriculares (conseguia cumprir boa parte), pensei em algo a pagar entre 2k e3k, o que seria norma para a experiência exigida. Afinal eram pouco mais de mil euritos, e, e..

    • Paulo Marques says:

      Sim, o estado dá o exemplo, e anda tudo com imensa falta de pessoal.
      Obrigado Costa!

      • Anonimo says:

        A culpa é do Passos. Costa faz o que pode para mitigar o atraso estrutural herdado da direita neoliberal.

        (isso do anda tudo… falta gente, há gente a mais… o problema é não haver flexibilidade para contratar/ despedir conforme as necessidades que mudam)

        • Paulo Marques says:

          O Costa, como Sócrates antes dele, Guterres ainda antes, e outros quando era novo demais, corta alegremente salários, empurra para a reforma, burocratiza, fomenta as divisões politiqueiras, aferroa a possibilidade de carreira e independência e corrói a iniciativa que nunca vai a lado nenhum.
          Não estou a ver em que torná-lo ainda mais como a gestão privada vai resolver alguma coisa, mas lá saberá. Quando passar tudo a subcontractado é que vai ser, que corre sempre tudo bem mais caro e pior qualidade por aí fora.

          • Anonimo says:

            Subcontractado não digo, mas subcontratado já é muito serviço a empresas privadas. Por valores bem superiores ao de contratar um quadro, e sem controle total sobre o indivíduo que desempenha o serviço.
            Porque é difícil contratar um funcionário, e mais difícil dispensar.

          • Paulo Marques says:

            É difícil contractar porque se põem com merdices de empresas grandes ainda por provar que servem para alguma coisa, enquanto pagam amendoins. Ou, pior, um aborto ortográfico que ninguém quer saber.
            Despedir é fácil, não só têm 180 dias para ver se gostam, só têm que pagar 8 dias por ano para o mandar de volta. Nem a Cofidis oferece tão boas condições.

          • Anonimo says:

            Nao sei o que contractos (de trabalho, já os outros) ou practicas têm a ver com acordos ortográficos, mas há aqui gente das letras que explicará.
            A FP tem dificuldade em contratar, não contractar, de facto, pois tem restrições legais (e salariais) à contratação, e ainda mais ao despedimento. A solução é subcontratar a privados, bem mais simples comprar horas, mas bem mais caro, e com dificuldade em gerir o recurso.

          • Paulo Marques says:

            Sim, tem a solução que não funciona para o problema errado. O melhor é aumentar a dose da ivermectina, perdão, do neoliberalismo.

    • Luís Lavoura says:

      em PT existe muito o estigma da idade, putos é para pagar pouco

      Exatamente.

      Em Portugal não se paga pelo mérito nem pela produtividade, mas sim pela idade e pela antiguidade na empresa.

      A esquerda concorda com isso, é por isso que os sindicatos passam a vida a reivindicar “carreiras”. As carreiras são isso: um tipo ter direito a ganhar mais por estar há mais tempo no emprego, mesmo que a sua produtividade até seja menor.

      • Paulo Marques says:

        O Lavoura deve achar que isto é o Japão, esse país em constante recessão… err, pois, deve tar.
        Carreira é oportunidade de carreira. Morreu, percebe o que isso é, ao cúmulo de poder estar à 23 anos sem possibilidade ganhar nem um € a mais como os técnicos superior de diagnóstico? O resto pouco tem acima disso.
        Pois não, não sabe. Não lhe custa a ele. Azar, fica sem pessoas nos serviços na mesma, a bem da eficiência.

  3. JgMenos says:

    A idiotice vigente define qualificação como papel emitido por um qualquer estabelecimento de ensino.
    Sendo isso uma mais-valia a considerar, sempre domina a menos-valia de saber-se obtido num banho de cultura da irresponsabilidade, do facilitismo e do coitadismo de classe.
    E se quando vão lá para fora imergem em culturas que os despem da merda que lhe meteram na cabeça, dão normalmente boa conta de si.

    • Paulo Marques says:

      É, os trabalhadores portugueses formados em Portugal normalmente elogiados por empregadores estrangeiros que lhes pagam bem melhor, seja cá dentro ou lá fora… são burros mal habituados. Claro que sim.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Foi por isso que Vosselência por cá ficou. Lá fora estavam avisados.

      Quando tentassem “despir” Vosselência arriscavam-se a que o país ficasse impróprio para ser habitado.

    • JgMenos says:

      Os representes da cambada logo se assanham, para o ‘argumento’ do costume: algo que não tenha a ver com o assunto!

      • POIS! says:

        Pois é!

        Nota-se à distância que Vosselência está bastante assanhado.

        Não era necessária a confissão, mas regista-se a ocorrência.

      • Paulo Marques says:

        O gajo introduz a farsa, e o contraditório trivial é desconversar. A argumentar sozinho também ganho sempre.

  4. Luís Lavoura says:

    a preço de imigrante ilegal de Odemira

    Os imigrantes de Odemira são ilegais? Duvido muito que o sejam. Como entraram eles em Portugal? Provavelmente vieram de avião e, à chegada ao aeroporto, tinham um visto de entrada legal que foi devidamente controlado. Nem eles poderiam estar em Portugal, ter número de contribuinte (essencial para receberem salário), etc, sem estarem legais.

    • Paulo Marques says:

      E os comunistas é que são líricos…

    • Carlos Almeida says:

      Só li hoje 21/2/23, este seu brilhante post sobre o legal e ilegal nos emigrantes.
      O meu amigo não tem mesmo a mínima ideia do que se passa nesta área.

  5. Luís Lavoura says:

    É curioso ver a esquerda a defender a desigualdade salarial. No bom velho tempo, a esquerda defendia a igualdade. Agora, pelos vistos, acha bem que um engenheiro de ambiente com mestrado ganhe bem mais do que um apanhador de morangos em Odemira.

    • Paulo Marques says:

      Já se fez a revolução e ainda ninguém reparou, até os custos pessoais se igualizaram. Onde levo o bolo?

    • Joana Quelhas says:

      Muito bem apanhado Luis Lavoura.
      Oa comunas são mesmo assim, sempre incoerentes menos no “combate” ao Capitalismo.

      Joana Quelhas

      • POIS! says:

        Pois é, ó Qwuewelllasss(1) (2)

        Diz o povinho, lá na minha terrinha: “Quando alguém mostra que não sabe ler, logo uma analfabeta o vem bendizer”.

        Diz o povinho. Lá na minha terrinha.

        Aliás o Lavoura é um às nas caçadas às incoerências. É mais ou menos como Vosselência, que é imbatível em matéria de nhonhas e gambozinos.

        1) Continua a seguir-se a máxima do Alencar, seja ele quem for (2), introduzida aqui por Vosselência, seja Vosselência quem for “não mencionar o…Vosselência!”.

        (2) Era melhor que não se soubesse quem era. mas ainda ontem o vi: estava ali na tasca a acabar de comer umas ameijoas á Bulhão Pato. E logo me disse: “por favor não mencione a Qu…(uff!), isto é, Vosselência!”.

  6. Sandra R. says:

    Há poucos meses, numa entrevista para o sector hoteleiro, diziam -me que prestavam serviço de 5 estrelas. Sou pós graduada. Pagavam o salário mínimo.

  7. Maria Aldina Lopes Brás says:

    Inteiramente de acordo! O caos em que está Portugal deve-se na minha opinião não só à péssima competência e formação do seu Governo, mas sobretudo à ganância de alguns empresários sem valores humanos. Falo apenas do que conheço bem. As compras no supermercado subiram para o dobro do preço e e maioria dos artigos não vinham da Ucrânia. A guerra não lhes pode servir de desculpa. Entre muitos outros exemplos que poderia referir, refiro que comprei 3 minúsculos lombinhos de salmão (peso 375g) por 20,99 euros. Isto para não falar notras explorações em que não quero meter-me, para não prejudicar trabalhadores.

  8. Maria Aldina Lopes Brás says:

    Não tenho nenhuma cor política nem nunca fui sindicalizada, mas achei extremamente bem feito o texto que li no site abril.abril.pt. Passo a transcrever uma frase” O lema do Pingo Doce é “sabe bem pagar tão pouco”. Um caso raro na publicidade uma vez que o lema corresponde à verdade, e à empresa está a saber bem a política de baixos salários”.
    Gostei porque os preços baixos para os clientes é que não correspondem à verdade como verifico todos os dias.

  9. Maria Aldina Lopes Brás says:

    Continuo a verificar o aumento das nossas facturas sem que o ordenado dos trabalhadores das respectivas empresas sejam aumentados. Falo apenas do que posso confirmar. Onde é que as empresas metem o dinheiro que nos tiram?

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