Professores em luta no Portugal sOcIaLiSta

Num Estado com tiques autoritários, ou a caminho disso, o governo dá instruções à polícia para colocar no terreno várias operações stop, com o propósito de atrasar, dificultar e evitar que uma manifestação, na capital do país, ganhe dimensão.

E diz que por lá andou que esse Estado, hoje, foi Portugal.

O tal que é socialista.

E neste Portugal socialista, perdão sOcIaLiSta, o dia da grave nacional dos professores foi recebido com inúmeras operações stop, onde autocarros foram mandados parar uma e outra vez, e os professores repreendidos (constou-me também que multados, mas não pude comprovar) por levar as carteiras no colo ou comer no autocarro.

O nível de perversidade daquilo foi amplamente relatado rebenta a escala quando percebemos que esta situação coloca em confronto duas das classes mais maltratadas deste país: professores e polícias. Duas classes mal pagas, negligenciadas, com péssimas condições de trabalho, e em avançado estado de degradação, apesar da importância nuclear para o bom funcionamento de uma sociedade livre e democrática.

Se este degradante espectáculo acontecesse durante o mandato de um governo de direita, com um Passos Coelho na liderança do país, não demoraria muito até que alguém gritasse “fascismo!”. Eu não diria tanto, mas que isto tresandou autocracia, lá isso tresandou.

Quanto aos professores, que nunca desarmem. A luta deles é a luta por mais e melhor ensino, escola pública, liberdade e democracia. Como a mim, representam milhares de portugueses que estão incondicionalmente do seu lado. Este país tem com eles uma imensa dívida de gratidão. Mas a gratidão não paga dívidas, portanto que o Estado português pague o que lhes deve.

Já!

Comments

  1. Joana Quelhas says:

    Não, os milhões de portugueses não tem nenhuma divida de gratidão pelos professores.
    O ensino tem piorado de ano para ano. Esse rumo só pode ser alterado quando o estado deixar de ser o “fornecedor” desse bem tão importante para a sociedade( imaginem hoje em dia o Estado como fornecedor de telemóveis, quantos meses de espera seriam necessários pra o cidadão comum obter um desses aparelhos, e a sua qualidade).

    Os milhões de portugueses sabem que por causa da oposição dos professores (ou dos infiltrados do CGTP/PCP) é muito difícil privatizar o ensino, por isso não lhes perdoam.

    Dê o estado a possibilidade ao cidadão de receber um cheque ensino para verem onde os pais matriculariam os seus filhos. Logo viam quão “incondicionalmente” estão os portugueses “ao lado dos professores” da escola pública.
    Os portugueses estão é fartos de aturarem as greves, o facilitismo e a incompetência no ensino.
    O ensino estatizado nada mais é que uma arma política na mão do comunas do PCP/BE para desestabilizar a sociedade capitalista de bem estar. E não só pela greve, mas por questões até mais importantes que não tenho tempo agora para descriminar. Fica para uma próxima oportunidade.

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Pois tá bem, ó Quwelllhhass (1) (2)

      Vosselência estará a melhorar? Pelo menos, os dois neurónios que lhe restam estão frenéticos! Agora faz comparações bué de inteligentes!

      Esta do ensino e dos telemóveis é de boquiabertar qualquer um! Vosselência tá muito á frente, direi mais, à frente da frente da linha da frente (3).

      Sugerem-se agora novas comparações apropositadas: a saúde e o Bacalhau à Brás; a segurança social e as cuecas de senhora; a Defesa e as dentaduras em acrílico; a Justiça e as samarras de pele de raposa; a Polícia e os ovos moles…”and so on, if we can be on”, como tuitou o seu querido Donalde Trampe, em homenagem à memória do seu adorado Ale Capone.

      Entretanto ,veja lá, não se distraia das lides domésticas. Está na hora de dar de comer ao unicórnio. E como é domingo, é dia de sopa de linguados de andorisco, guisado de gambozinho e mousse de nhonhas. Tem muito trabalho à sua frente, e ainda não chegou o pelotão de fuzileiros que está a caminho em passo acelerado!

      Vá p’ra dentro!

      (1) Continua a seguir-se a máxima do Alencar, seja ele quem for (2), introduzida aqui por Vosselência, seja Vosselência quem for, “não mencionar o…Vosselência!”.

      (2) Era melhor que não se soubesse quem era. mas ainda ontem o vi: estava ali na tasca a acabar de comer umas ameijoas à Bulhão Pato. E logo me disse: “por favor não mencione a Qu…(ufff!), isto é, Vosselência!”.

      (3) Embora tenha de ter cuidado! Atrás marcha um pelotão de fuzileiros comunas, muito assanhados!

    • Paulo Marques says:

      Claro, retira-se os meios, retira-se a carreira, retira-se a independência, retira-se a motivação, acrescentam-se tarefas secundárias atrás de tarefas, e, como ainda resistem, salta a tampinha e sai a boca para a verdade que o seu problema é ser uma chatice terem que se misturar com a plebe.
      Estão com azar, ganharam tantas vezes as suas lutas que as carteiras dos portugueses não permitem que a ilusão dos cheques-tretas vão a algum lado – um pouco como as cripto-cornices ou as acções da Tesla aqui da menina.

    • motta says:

      Gostei dessa do “descriminar”. Será um erro de português ou um erro genético?
      De resto o comentário só vem confirmar de novo que o Pi de la Serra tinha mesmo razão: “Se os filhos da p@ta voassem nunca veriamos o sol”.

  2. Bach says:

    Só é pena que a polícia, e a guarda, sejam tão zelosos para cumprir este tipo de ordens… Afinal os filhos deles devem estudar todos em colégios privados … Estão quase sempre no lado errado da luta…

  3. Anonimo says:

    Os portugueses têm uma dívida de gratidão para com os professores… e para com profissionais de saúde, bombeiros, polícia, profissionais da recolha do lixo, motoristas de pesados, empregados do retalho, agricultores, trabalhadores das águas, das companhias de gás e electricidade, entre muitos outros que vão mantendo a coisa a funcionar, sendo que muitos nem reconhecimento público têm.

    • francis says:

      palmas

    • Paulo Marques says:

      Esses e outros não só têm a minha gratidão, como a minha compreensão se quiserem partir isto tudo; já o apoio é condicional à universalidade, mas também ao possível.

  4. JgMenos says:

    Para toda a gangada da função pública o trabalharem menos 20 horas por mês continua a dizer-se que ganham o salário mínimo quando ganham mais 12,5% que o comum dos trabalhadores a salário mínimo,
    Pouca coisa, tadinhos!

    • POIS! says:

      Ora pois!

      E quando vão ao supermercado, pagam em horas!

      Também há senhorios que, coitados, lá têm de as aceitar. Mas não faz mal, porque a usam para pagar as contas do dentista ou a despesas com a canalização.

      Alguns até juntam as horas todas e tiram férias no Algarve ou deixam-nas aos familiares para estes tentarem adiar o funeral, criando assim ondas de pura inveja nos trabalhadores do privado.

    • Paulo Marques says:

      Há demasiado trabalho a fazer para trabalhar menos 20h, por muito que isso aumentasse (o índice) da productividade que tanto gostam, e o ordenado médio só é mais alto porque a parte de baixa foi privatizada, o resto é tão bom que ninguém concorre.
      Mas os factos não interessam face à ideologia.

  5. JgMenos says:

    ‘os factos não interessam face à ideologia’

    Até que enfim que dizes alguma coisa de jeito.

    20 horas não interessa, sempre são do público!!!!
    Ainda se fossem do privado que os sustenta…

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      Até que enfim um elogio ao Paulo Marques!

      Também não admira! Copiou o lema de vida comentadeira de Vossa Salazaresca Excelência!

      E não pagou “copyright”! Isso é que é grave!

    • Paulo Marques says:

      Mais quais 20 horas, pá? Isso é no papel.

  6. Zé Povinho says:

    Apesar de tudo este artigo mostra bem o ÓDIO de caciques ao SOCIALISMO. Preferem o capitalismo selvagem, de bestas!!!

  7. marsupilami says:

    Para aqueles que escrevem que os professores “apenas” trabalham 20 horas por semana. Quantas horas trabalham os futebolistas profissionais do mais alto nível? 😉 Houba ….

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