Ainda me lembro quando a Polónia foi heroicamente elogiada, nas primeiras semanas da invasão russa, pelo seu contributo para o esforço de guerra ucraniano e pela forma como abriu as suas fronteiras aos refugiados que fugiam dos mísseis russos.
Quem ousou questionar o sentido de oportunidade de Varsóvia, foi imediatamente rotulado de putinista. O rótulo certo e eficaz para calar qualquer um que levante questões incómodas para a narrativa oficial.
Nunca tive dúvidas sobre o regime polaco. Uma autocracia em construção, que vem concentrando poder e erodindo a separação de poderes e as instituições que o suportam. Um regime que, tal como o húngaro, professa uma ideologia que tem mais pontos de contacto com Moscovo do que com qualquer democracia ocidental.
E se Orbán nem sequer tenta esconder a sua simpatia pelo Kremlin, aquilo que o separa do seu homólogo polaco mais não é do que trauma histórico que a memória da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria ainda mantém vivo.
Massacrados pelos nazis e, posteriormente, anexados e escravizados pelos soviéticos, os polacos têm bons motivos para não gostar do urso da porta ao lado. O que não invalida a indisfarçável proximidade ideológica.
Após uma primeira fase em que a Polónia transferiu grandes quantidades de armamento para a Ucrânia, incluindo tanques Leopard e caças MiG de fabrico soviético, Mateusz Morawiecki deu uma entrevista, julgo que em meados de Setembro, durante a qual avisou que a Polónia não voltaria a transferir armas para o país vizinho, alegando que o foco, agora, é o rearmamento do país.
Uma explicação provável para esta mudança radical de atitude está relacionada com a queixa apresentada pela Ucrânia contra a Polónia na Organização Mundial do Comércio, após as restrições colocadas à entrada de cereais ucranianos no mercado polaco, medida acompanhada por Budapeste e Bratislava.
O caso levou Zelenskyy a afirmar, na sua intervenção na Assembleia Geral da ONU, que a decisão polaca favorece a posição de Moscovo. O que me parece factual. Morawiecki não gostou e acusou o presidente ucraniano de insultar os polacos.
Com o aproximar das eleições, o endurecimento da extrema mais à direita do Lei e Justiça, que acusa o governo também de extrema-direita de não proteger os agricultores polacos dos preços baixos dos cereais ucranianos, ao mesmo tempo que cresce a insatisfação de muitos polacos com a permanência de milhares de refugiados no país, poderá significar um maior isolamento da Ucrânia.
As restrições, até há dias acompanhadas por Roménia e Bulgária, onde o sentimento pró-russo tem, à imagem da Eslováquia e da Hungria, uma significativa expressão, beneficia sobretudo a posição de Moscovo. Se juntarmos a isto a mais que provável reeleição de Donald Trump, a Ucrânia parece estar em péssimos lençóis. Porque a Europa não tem dinheiro para a sustentar.
Esta situação revela ainda outro problema, que, a longo prazo, coloca em cheque a sobrevivência da própria União Europeia. Regimes como o polaco e o húngaro não só não partilham os mesmos valores que os membros ocidentais e do norte da União, como não são parceiros confiáveis nem respeitadores do Estado de Direito e da separação de poderes. Bruxelas tentou impor a suspensão das restrições colocadas por estes países à entrada de cereais ucranianos nos seus mercados, mas Varsóvia e Budapeste decidiram não acatar a decisão. E a vitória de ontem de Robert Fico, nas Legislativas eslovacas, poderá reforçar o cerco que se começa a desenhar em torno da Ucrânia. Putin esfrega as mãos.






A Guerra Russo-Ucraniana não vai terminar tão cedo e desenganem-se aqueles que ingenuamente têm caído na propaganda da NATO e que, por isso, julgam que a Rússia “não tem capacidade” ou que de alguma forma “está exausta”. As Forças Armadas da Federação Russa nunca foram fortes, bem equipadas e bem treinadas como hoje. Ademais, a cada dia que passa, os russos estão gradualmente a adquirir mais capacidades, conhecimentos e meios. A experiência bélica na Ucrânia, está a ser uma autêntica escola para os militares russos, que estão a perceber melhor como funciona de facto a doutrina militar da NATO e o respectivo armamento da aliança atlântica, que de resto, tem tido um desempenho muito abaixo das expectativas na Ucrânia. A verdade é que o armamento da NATO não é feito para ganhar guerras, mas sim, para dar lucros pornográficos ao complexo militar-industrial que produz essas mesmas armas.
Os russos vão prosseguir esta guerra até que a Ucrânia se renda incondicionalmente. Sobre este facto que ninguém se iluda. Esta guerra vai acabar da mesma forma que terminou a Segunda Guerra Mundial para o Japão na Baía de Tóquio em 1945, ou seja, com a rendição total e incondicional da Ucrânia e muito possivelmente, com tropas russas na fronteira da Polónia.
Os russos vão prosseguir esta guerra até que a Ucrânia se renda incondicionalmente.
Exatamente. Isso foi mesmo foi dito, com todas as letras, muito recentemente por dois ministros do governo russo, Lavrov (ministro dos Negócios Estrangeiros) e Choigu (ministro da Guerra). O Ocidente faria bem em escutar e deixar-se de ideias parvas sobre cessares-fogo e coisas do género. Isto aqui é uma guerra em que, ou a Ucrânia sai totalmente derrotada, ou é a Rússia quem o é.
Em cheque? Isso é mais da competência do Costa.
Ainda faltam os Balcãs…
Sim, não há mais razão absolutamente nenhuma, nem pensar.
https://www.washingtonpost.com/world/2023/09/27/poland-ukrainian-nazi-veteran-canada-extradition/
Quanto aos valores europeus, vê-se no Azerbaijão, na montra de armamento na guerra por procuração na fronteira da guerra provocada, no colapso da Líbia, e no choro pela perda das últimas colónias em África, sem esquecer uma transição energética com bloqueio de quem a produz. Gente fina que nos salva dos bárbaros do pântano, pois claro. Sobre Assange ou Pablo González tão caladinhos.
Era conveniente que se lembrassem do que passaram debaixo da alçada dos russos durante décadas!
Andas a ver muito holywood
O artigo 5º e as bases militares da hegemonia garantem tudo o que é preciso, a destruição do mundo por um único centímetro. Não precisam é de aturar os desejos do Zé e camaradas de o precipitar ou de celebrar nazis do bem.
Isso e é a economia, estúpido; cada um por si resulta na protecção do paraíso privilegiado.