A Venezuela europeia da direita portuguesa

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Viktor Orban, o fascista que a imprensa controlada pela extrema-esquerda apelida de conservador, não vá a PIDE do politicamente correcto fazer-lhes uma visita, deu mais um passo no sentido de fazer a Hungria Great Again.

A poucos dias do Natal, para que não restassem dúvidas sobre a matriz católica apostólica romana que o norteia esta nova Hungria, onde a extrema-direita assume, sem rodeios ou cosmética, o namoro com neoliberalismo, Orban decidiu aumentar de 250 para 400 o número de horas extraordinárias anuais que o patronato pode exigir aos seus trabalhadores – e aqui a palavra “seus” assume contornos notoriamente esclavagistas – bem como de um para três anos o prazo-limite para proceder ao seu pagamento. [Read more…]

O PSD e o CDS-PP já cortaram relações com esta gente?

Na Hungria, laboratório de testes do neofascismo contemporâneo, o governo de Viktor Orbán escolheu o Dia Mundial do Refugiado para anunciar novas medidas anti-imigração, entre elas a criminalização de ONG’s humanitárias que ajudem refugiados sem documentos, cujos representantes podem mesmo ser presos e as organizações as organizações banidas e vistas como uma ameaça à segurança nacional da Hungria. Sim, isto está a acontecer na Europa, o último bastião da democracia mundial. E não, as autoridades europeias ainda não mexeram uma palha para alterar este novo “normal”. [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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Marcha contra os amigos fascistas do PSD e do CDS-PP

Andam por aí uns palermas – desculpem mas é o mínimo que se pode dizer de tais indivíduos, que, no limite, acumulam a parvoíce com desonestidade intelectual – que tentam convencer as massas de que partidos como o Bloco ou o Syriza estão no mesmo saco que as Le Pens desta vida. Palermas, desonestos e manipuladores, não raras vezes financiados pelos mesmos interesses que financiam PSD e CDS-PP. Palermas que se agarram a questões como a permanência no euro ou na União Europeia para tentar colar o racismo, a xenofobia, o isolacionismo ou o elogio da violência, palavras de ordem dos fascistas em ascensão, aos partidos da esquerda exterior ao centrão dos negócios. Percebe-se: com o PSD em queda livre e o CDS-PP cada vez mais perto de competir pelo lugar do PAN do que pelo do PCP, o sistema precisa destes arremessos de lama, face à manifesta falta de argumentos para torpedear os partidos fora do velho arco da governação. [Read more…]

A evasão fiscal e o fascismo de costas voltadas

“Luxemburgo sugere expulsar Hungria da União Europeia” [Público]

Miguel Poiares Maduro encerra a silly season com chave de ouro

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Miguel Poiares Maduro foi dar uma aula às camadas jovens do PSD, apresentando-lhes um exercício bizarro que consistiu em colar o governo português aos regimes polaco e húngaro. Segundo o Expresso, Poiares Maduro considerou que Portugal integra, juntamente com a Grécia, a Polónia e a Hungria, um grupo de países onde governos populistas chegaram ao poder, chegando mesmo a falar num caminho que conduz ao autoritarismo e à tirania. Palavras particularmente duras para o Fidesz, o partido-irmão do PSD que governa a Hungria como mão de ferro, liderado por um fascista assumido, de seu nome Viktor Orbán, que, por ocasião da estreia de Passos Coelho na cimeira de chefes de Estado e governo da UE, afirmou:

Pertencemos à mesma família política (Partido Popular Europeu), cooperávamos por isso ainda antes da decisão da nação portuguesa de lhe pedir para se tornar primeiro-ministro, e temos relações pessoais muito boas. Ele é um homem muito acessível, e por isso é muito fácil de trabalhar com ele.

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Violência isenta de sanções

Devecser, 2012. augusztus 5. Demonstrálók vonulnak fel az Élni és élni hagyni - demonstráció a jogos magyar önvédelemért elnevezésû megmozduláson Devecserben 2012. augusztus 5-én. A Jobbik és több radikális szervezet részvételével megtartott demonstráció a katolikus templom elõtti téren kezdõdött, majd a résztvevõk felvonultak azokban az utcákban, ahol véleményük szerint cigányok laknak. A rendõrség kordonnal biztosította a felvonulók útvonalát. MTI Fotó: Nagy Lajos

É comum ouvir os apoiantes locais da extrema-direita fazer comparações com a extrema-esquerda. Como se partidos como o Bloco de Esquerda, o Syriza ou o Podemos promovessem a violência, a discriminação racial ou a xenofobia. Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda. Tal como os Estados Unidos, que como ninguém promoveu golpes de Estado, armou e apoiou terroristas e invadiu estados soberanos, deixando-os, regra geral, bem pior do que estavam antes. Conspiração? Irão, Iraque e os Talibans que o digam.  [Read more…]

Fascismo húngaro

Conservadorismo, proteccionismo e regulação do mercado nunca produzem crescimento nem defendem o consumidor. Apenas servem corporativismo e protegem interesses instalados. Os extremos tocam-se…

Portugal não é a Hungria. Mas o resultado pode vir a ser o mesmo.

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Manfred Weber, líder da bancada parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE), fez o frete a Pedro Passos Coelho e juntou-se ao coro da demagogia que à direita rejeita, de forma cada vez mais aberta, a democracia representativa. Segundo Weber, que acusa a esquerda portuguesa de “populista” e “radical“, o PPE “combate diariamente no Parlamento Europeu as forças extremistas e populistas, afirmação que não deixa de ser curiosa se considerarmos que um dos baluartes do extremismo e do populismo representados no Parlamento Europeu integra precisamente o PPE e é liderado por Viktor Órban, o ditador húngaro que surge na foto num momento de cumplicidade com Manfred Weber e que até já foi vice-presidente do PPE. Caso para dizer que o combate do PPE está a correr tão bem que alguns dos seus alvos chegam mesmo a cargos de topo no partido. Um notável fenómeno de reintegração social. Para quando a Frente Nacional? [Read more…]

Refugiados: de que é que a Europa está à espera?

Enquanto esperamos, a União Europeia faz aquilo que melhor sabe fazer: nada. Espera. Mas espera o quê? Que o Inverno chegue à costa do Mediterrâneo? Que os refugiados que chegam maciçamente à Turquia vindos da Síria morram de frio? Que Erdogan ganhe as eleições e mande construir campos de concentração para os refugiados sírios? Se a UE fosse uma associação, a Eslováquia, a Hungria e a República Checa já teriam sido expulsas há muito tempo – por não respeitarem os objectivos da associação.
Kai Littmann

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(photo) DFID UK Department for International Development / Wikimedia Commons / CC-BY 2.0

Ainda nos lembramos da cimeira em Bruxelas. Angela Merkel e François Hollande comprometiam-se a fundo na tentativa de alcançar um acordo sobre a distribuição de 160 mil refugiados pelos 28 Estados-membros da União Europeia (de fora ficavam a Inglaterra, a Irlanda e a Dinamarca, desse modo isentadas da responsabilidade de solidariedade europeia, por razões que aliás  permanecem de difícil compreensão). No fim da maratona negocial que durou uma noite inteira, os poderosos da política europeia pareciam satisfeitos: o acordo havia sido alcançado, apesar dos protestos da Hungria, da Eslováquia e da República Checa, que consideraram que o acolhimento aos refugiados ultrapassava as suas capacidades. Hoje, um mês depois desse anúncio, apenas 19 refugiados puderam ser enviados para um outro país. Dezanove. Em 160 mil. E esses 160 mil constituem apenas uma pequena parte dos refugiados que até ao final deste ano hão-de chegar à Europa. [Read more…]

Love wins

love wins

Na Hungria, apesar da política de ódio, neste momento capturado por Yannis Androulidakis, o amor vence.

Heil Orban!

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Governantes radicais na Europa, como sabemos, só existem na Grécia. Aquela malta do Tsipras é uma ameaça qualquer que ainda não sabemos bem em que consiste mas é gente perigosa, não tenhamos dúvidas.

Viktor Orbán é gente boa e lidera um partido conservador que até faz parte do Partido Popular Europeu, o mesmo de PSD e CDS-PP. Por falar em PP, aposto que o ditador primeiro-ministro húngaro já deve ter tido a oportunidade de saudar Paulo Portas pela sua intervenção sobre o papel procriador e doméstico das mulheres. Haja quem defenda o respeitinho, a moral e os bons costumes. [Read more…]

Refugiados: tenham medo,

muito medo de Laszlo Toroczkai, o presidente da câmara de Asotthalom, pequena cidade na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. «Se a Hungria é uma má escolha, Asotthalom é a pior».
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Hungria tem agora uma fronteira humana,

esta literal.
[Tweet de Pedro Moreira, repórter da TVI]

Qual é a pressa?

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(c) Mstyslav Chernov / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

8 de Outubro: é a data da próxima reunião do Conselho Europeu dos ministros do Interior para debater as quotas de acolhimento de refugiados em cada país – determinadas em função do número de habitantes, performance económica, taxa de desemprego e número de pedidos de asilo em pendência. Será que não sabem que os refugiados já chegaram? Que há 15 mil bloqueados na Áustria? Que é preciso o quanto antes repartir entre todos os perto de 120 mil refugiados que estão neste momento em Itália, na Grécia e na Hungria? O Plano Juncker, sustentado numa alínea do Tratado de Lisboa, fracassou. Por sabotagem de vários países do Leste, apoiados por exemplo pela Eslováquia, que leva o racismo ao ponto de excluir refugiados que não sejam cristãos.

Perante isto (e sem esquecer o verdadeiro rosto do poder na Hungria, que esta crise destapou), a existência da União Europeia deixou de fazer qualquer sentido, remata o jornalista alemão Kai Littmann. [Eurojournalist]

«O mal

que levara o menino à praia eu sabia o que era, mas demasiado longe (e não só em quilómetros). Agora, reconheço o inimigo à mão. (…) Obrigado, Petra Laszlo. Há dias que me sentia desarmado.» [Ferreira Fernandes/DN]
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Repórter agride refugiados. Vamos generalizar?

Não, esta idiota não representa nem os repórteres nem os húngaros. Representa apenas o preconceito, o ódio, a xenofobia e o racismo. Representa também a crueldade e a mentalidade fascista instigada pelo ditador Viktor Órban, o radical de extrema-direita que, por ser do PPE, a mesma família política europeia onde têm assento PSD e CDS-PP, é referido pela imprensa europeia como sendo um “conservador”, por oposição, por exemplo, a Alexis Tsipras que é, para a esmagadora maioria das mesmas entidades, um radical. Talvez se Tsipras sugerir a criação de campos de trabalho forçado ou regresso da pena de morte na Europa o discurso amacie.

A idiota, essa, foi imediatamente despedida pelo N1TV, o que demonstra que, apesar da forte presença fascista, ainda existe bom senso naquele país. Por falar em bom senso, quem é que soltou esta malta recém-radicalizada, que tem usado casos isolados ou pontuais para fazer generalizações estúpidas? Alguém se lembra de semelhante onda de preocupação com os sem-abrigo? Será desta que o PNR elege um deputado para defender a supremacia da raça ariana no Parlamento?

Bem me parecia

que a crise dos refugiados não era um problema essencialmente europeu. É o The New York Times que o diz.
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Pontos sobre os refugiados

1- A verdadeira ameaça à Europa não são os refugiados. Não foram refugiados que há 70 anos mataram seis milhões de pessoas. A verdadeira ameaça são pessoas como o Viktor Orbán que debitam disparates sobre os valores Europeus sem saber nada de história ou de valores Europeus. Como dizia o editor judeu – húngaro – de Thomas Mann, a propósito de alguém que ambos conheciam:

Kein Europäer, sagte er kopfschüttelnd
Kein Europäer, Herr Fischer, wieso denn nichts?
Von grossen humanen Ideen versteht er nichts.

Ele não é um Europeu, disse ele abanando a cabeça.

Não é um Europeu, Herr Fischer? O que quer dizer?

Ele não percebe nada sobre os grandes ideais humanistas.

2- Do ponto de vista das infra-estrutras é evidente que a Europa não tem condições, especialmente se as coisas continuarem assim, para acolher tantos refugiados. A Alemanha diz que vai receber 800 mil pessoas, mas estará mesmo preparada para receber um influxo de quase um milhão de pessoas, especialmente num espaço de tempo tão curto? Mas a questão que se põe agora é como resolver a crise. A resolução passa por atacar a fonte ou seja, a instabilidade que começou nos países de origem. Para isso a Europa tem de admitir, juntamente com os Estados Unidos, a sua responsibilidade na criação desses mesmos problemas. O que teria acontecido se o Iraque não tivesse sido invadido, ou até, indo mais para trás, se a Europa e os Estados Unidos não tivessem interferido sistematicamente na região do médio oriente como andam a fazer desde há 40 anos?

3- Admitindo que haja radicais islâmicos nos milhares de pessoas que chegam à Europa, a experiência diz-nos que os terroristas vêm de avião e têm dinheiro ou nascem na periferia de Paris. Custa-me a acreditar que a malta que arrisca a vida em barcos de borracha porque a alternativa – ficarem em casa – é tão má, venham para matar gente na Europa.

4  – Historicamente, na Europa, o racismo, a xenofobia, as perseguições e os preconceitos religiosos protagonizados por cristãos mataram mais gente que o radicalismo islâmico. Lembrem-se disso quando falarem de História.

Chamam-lhes migrantes (III)

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31/08/2015: desembarcam no porto do Pireu (Atenas, Grécia) mais 2500 refugiados, a maioria sírios, depois de, no dia anterior, terem ali aportado 1745. Destino: a UE via Hungria, passando pela Macedónia e pela Sérvia, percorrendo cerca de 1500 quilómetro

Chamam-lhes migrantes (II)

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(c) Darko Bandic/AP

Uma Europa cada vez mais unida

O governo húngaro prepara-se para levantar um muro na fronteira com a Sérvia. O fascista Orbán, membro do PPE e amigo de palmada nas costas de Juncker continua a não integrar o lote dos radicais na narrativa do pensamento único. A pena de morte é já ao virar da esquina.

Páre, escute e olhe: uma Alemanha pode esconder outra [Vasco Pulido Valente em 1992]

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Fundamentalismo de tijolo e cimento

RDA, Israel, EUA, Bulgária e agora Hungria. Os radicais adoram rodear-se de muros.

Viktor Orbán, fascista assumido

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

 

Viktor Orbán é uma daquelas pessoas – acho que conta como pessoa, não tenho bem a certeza – que se presidisse a um partido como o Syriza ou o Podemos seria considerado uma ameaça à liberdade e a não sei quantas coisas mais. Felizmente para ele, a opção pela extrema-direita tem-se mostrado uma escolha acertada. Governa a Hungria, agora sem maioria, mas continua em grande forma no que às melhores práticas fascistas diz respeito. E enquanto alguns dos colegas do Partido Popular Europeu (PPE) que podemos ver na foto se dedicam a evitar que o actual governo grego exista, o primeiro-ministro húngaro dedica-se a outras causas como a cruzada pela discussão da reintrodução da pena de morte na União Europeia ou o envio de imigrantes para “campos de internamento”, para serem forçados a trabalhar,

Se isto fosse na Rússia de Putin, bom amigo de Orbán, na Venezuela ou no Irão, soariam alarmes de direitos humanos, neounicórnios cor-de-rosa relinchariam em profunda indignação e o mundo estaria provavelmente perdido. Mas a Hungria do Orbán, que até já foi vice-presidente desse bastião da cultura democrática que é o PPE, não é um desses desvarios esquerdistas que nos levarão à perdição. Afinal de contas, o homem só quer poder eliminar cidadãos “inconvenientes” e criar uma versão moderna dos saudosos campos de trabalhos forçados. Puxão de orelhas e está resolvido. Entre isso e deixar os maluquinhos das reestruturações de dívida à solta, deixem andar o Orbán. Mais fascista menos fascista, este pelo menos já saiu do armário. Será que o jornal do regime também lhe arranja uma história de amor daquelas mesmo fofas e… falsas?

 

Lobby: a nobre arte de comprar pessoas influentes

99% against lobby

Apesar de aproximadamente 99% da população mundial não ter condições para contratar um profissional do lobby, existe sempre aquele 1% disposto a financiar um Miguel Relvas pelos mais variados motivos. Quer sacar fundos europeus para seu benefício? Crie uma ONG de fachada e contrate um “abridor” de portas num dos partidos do arco (o modelo Passos Coelho já provou ser altamente eficiente). Quer controlar um país no quintal do seu arqui-inimigo? Contrate um Poroshenko, encomende um vídeo emotivo com uma menina bonita e a extrema-direita fará o resto. O dono do quintal zangou-se e a coisa evoluiu para sanções que prejudicaram a sua empresa? Contrate dois senadores norte-americanos na reserva e eles resolvem por si em Washington. Dirige um regime autoritário oficial com inclinação para o anti-semitismo? Não há problema: contrate você também um antigo senador norte-americano para que ele defenda os seus direitos junto do centro do império. Ele era activista anti-anti-semita e o seu novo emprego poderá causar constrangimentos? Também não há problema. (AlmostNo one cares!

Bem vindo ao admirável mundo do lobby. Seja corrupto, prejudique milhões, contribua para a morte de outros tantos ou simplesmente ajude a destruir a sua economia. É fácil e ainda se habilita a chegar a primeiro-ministro ou presidente da república.

Se a informação tem autoestradas, então deve pagar portagem

autoestrada da informação

Basicamente é isto que diz o governo da Hungria ao querer colocar um imposto real sobre algo virtual – a circulação de bits. Dirão que é ridículo, e eu concordarei, mas não temos nós, para citar apenas um exemplo, uma fiscalidade verde com o pretexto de ser boa para o ambiente, quando, cinismo à parte, se trata essencialmente, de aumentar o imposto sobre os produtos petrolíferos?

Já o governo húngaro diz que serão os fornecedores de Internet, e não os consumidores, a suportar este imposto, apesar dos primeiros dizerem que a factura irá mesmo para os consumidores. Onde é que, entre nós, ainda recentemente, ouvimos este argumento de novos impostos serem pagos pelas empresas e não pelos consumidores? Pois, foi exactamente na questão da cópia privada, com a SPA e governo a dizerem que a taxa sobre memórias e armazenamento digital não recairá sobre os consumidores.

Agora, com a pressão nas ruas, o governo húngaro ofereceu-se para baixar o novo imposto, sem no entanto desistir desta ideia peregrina. À semelhança do que por cá fez o governo quanto ao imposto da cópia privada, baixando-o mas, mais importante, mantendo a intenção de o aplicar, apesar da injustiça que está na sua base.

Com tantas semelhanças entre o nosso governo e o congénere húngaro, vão-se preparando. É uma questão de tempo até que a sede de impostos chegue onde nem lhe passava pela cabeça que tal fosse taxável. Sim, sim, isso em que está a pensar também.

Alguma preocupação

O parlamento húngaro acaba de, por iniciativa da maioria de direita (de um partido que, no Parlamento Europeu, se senta nas bancadas da família do PSD) instituir um regime de tipo fascista. Já sei que o nome incomoda algumas almas mais sensíveis, mas é mesmo a sério.

Apropriando-se do controlo da justiça e estabelecendo que a maioria pode ignorar e rejeitar as deliberações do Tribunal Constitucional – logo, lá se foi o estado de direito – volta a autorizar o uso dos símbolos e organizações nazis enquanto proíbe os comunistas. De resto, comunistas, sem-abrigo e homossexuais passam a ser ilegais. O anti-semitismo é encorajado, enquanto piedosas referências ao cristianismo passam a fazer parte do texto constitucional. Segue-se a perda de direitos das mulheres e a reinstituição dos trabalhos forçados na moldura penal (“o trabalho liberta”, não é?). Entretanto, órgãos de comunicação são fechados, jornalistas fazem greve da fome.

Durão Barroso e os seus manifestam alguma preocupação por aquilo que se passa. Deputados do Parlamento Europeu – dos seus sectores decentes – já defendem a necessidade de uma intervenção imediata e mais assertiva, de acordo com os tratados, que prevêem medidas claras quando os direitos humanos estão em causa em qualquer país da união. Mas os manda-chuva não têm pressa. Nestas coisas, nunca têm.

“Tipo” kosher-KLOP!

Notícias dos frechados camaradas do Partido Jobbik, informam-nos acerca de uma curiosidade de verão: no Parlamento Europeu, está uma versão disco do Feld-Marschall Erhard Milch. É mesmo caso para um vibrante KLOP!

PIIGS já se escreve com o agá de Hungria

Chegou (ou regressou) a Hungria, que acaba de pedir “ajuda” ao FMI. Com um governo de direita, fora do euro, a Hungria terá sido vítima de quê? dos mercados, da especulação e da crise internacional que provocaram, não foi que isso não existe. Deve ter sido bruxedo. Só pode.

Entretanto procurem bem pela notícia que encontrei por mero acaso. Está escondida, para ninguém saber. É segredo, tal como o facto de os mercados estarem a votar em Espanha desde ontem e Rajoy antes de tomar posse a ir da rajada.