Em Belém, onde Jesus nasceu, o Natal foi cancelado

Todos os anos, milhares de peregrinos cristãos chegam a Belém, na Cisjordânia, para participar nos festejos de Natal da terra que viu Jesus nascer.

A cidade prepara-se a rigor, há árvores iluminadas e decoração festiva por toda a parte, os hotéis e os restaurantes estão cheios e o comércio floresce.

Não há registo, que eu tenha conhecimento, de uma única restrição imposta pela Autoridade Palestiniana aos peregrinos cristãos ou à própria comunidade cristã que vive na cidade, que tem como autarca um palestiniano cristão, que sucedeu a uma palestiniana cristã.

Em Belém, cristãos e muçulmanos vivem lado a lado e a tolerância é a regra.

Na Basílica da Natividade, construída sobre o local onde Jesus nasceu, celebra-se, à meia-noite de 24 de Dezembro, a Missa do Galo.

A celebração reúne milhares de palestinianos, turistas, peregrinos e responsáveis civis como o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas. E é considerada, por motivos que me parecem óbvios, uma das cerimónias mais emotivas e significativas do mundo cristão.

Este ano, porém, o Natal de Belém foi cancelado.

O medo da guerra, numa cidade cercada de colonatos ilegais, afastou os turistas e os peregrinos.

Os hotéis estão vazios, os restaurantes sem clientes e o comércio às moscas. Joey Cavanati, proprietário do Alexander Hotel, resume a tristeza reinante:

É o pior Natal de sempre. Este ano, não há Natal em Belém. Não há árvore de Natal, não há alegria, não há espírito natalício. 

De facto, a cidade está deserta. E ninguém escreveu o nome de Jesus por toda a parte.

Pede-se o fim do massacre, o fim da ocupação, o fim da violência que não tem fim.

E nunca a violência dos colonos contra a população da Cisjordânia foi tão intensa.

A Reuters avança mesmo que, antes do atentado de 7 de Outubro, os números da violência dos habitantes dos colonatos ilegais contra os palestinianos estavam em máximos de 15 anos. É natural que turistas e peregrinos optem por não arriscar.

Belém, Cisjordânia, Gaza e Palestina pedem paz. A humanidade, de forma quase unânime, pede-a também. Aliados de sempre de Israel, como o Canadá e a Austrália, assumiram posições sem precedentes na ONU, ao votar favoravelmente a resolução de meados de Dezembro, que pedia um cessar-fogo humanitário imediato em Gaza.

E, no entanto, a vingança de Israel contra o Hamas traduz-se em mais de 20 mil pessoas assassinadas pelos ataques indiscriminados, a maioria civis. Mais de 6 mil são crianças. Até quando?

Feliz Natal.

Comments

  1. JgMenos says:

    E as propostas do Hamas para a Paz são…

    • Tuga says:

      E o JgMenos é?

    • Figueiredo says:

      O Movimento de Resistência Islâmica («HAMAS») foi criado e financiado pelo “Estado” de Israel, pertence à organização terrorista Irmãos Muçulmanos («Muslim Brotherhood») fundada com base na Grande Loja Unida da Inglaterra.

      O Movimento de Resistência Islâmica («HAMAS») serve os interesses do “Estado” de Israel e tem como objectivo impedir a criação de um Estado Palestino e perpetuar o confronto com o chamado “Estado” de Israel, fazendo com que este último tenha um pretexto para continuar a colonizar, ocupar, e assassinar, um País e território que não lhe pertence e o Povo Palestino.

  2. Até o nosso líder de cruzadas morais pelo mundo cortar a torneira para ir cuidar de outros interesses estratégicos pelo mundo fora, que nunca falta gente que não cede ao império. Até Jesus renascido seria um putinista socialista do Hamas.

  3. balio says:

    Não é só para a Palestina árabe que a guerra é muito má. Também o está a ser para a economia israelita.
    Lá como cá, a direita tem muita ideologia, mas em matéria de capacidade governativa é um desastre.

  4. Abel says:

    Como diria alguém: what??!!

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