
Raro é o dia em que não lido com indianos, nepaleses, brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que chegaram à Trofa nos últimos anos, em busca de uma vida melhor.
Vamos sublinhar já esta parte: em busca de uma vida melhor.
Como aqueles portugueses que começaram a sair daqui quando Portugal era uma ditadura fascista. Fugiam de um regime opressor, fugiam da guerra e da miséria. Os mesmos motivos que levam indianos, nepaleses e brasileiros a fugir.
Ao contrário daquilo que afirma a extrema-direita e a direita radical, coro ao qual se juntou recentemente Pedro Passos Coelho, não se registou qualquer aumento de insegurança, ou mesmo da criminalidade, decorrente da chegada destas pessoas ao nosso país.
É falso e é uma canalhice usar este pretexto para atacar os imigrantes.
E é xenofobia também.
Igualmente falsa é a ideia de que estes imigrantes vêm para Portugal roubar os empregos dos portugueses. Porque os portugueses não querem trabalhar nas obras, nem na apanha da fruta, nem no Uber Eats ou sequer no call center.
O que estes imigrantes vêm fazer é preencher as necessidades do mercado laboral português, sobretudo na construção, no turismo e na restauração.
E, não esqueçamos, têm um saldo positivo de 1604 milhões de euros na Segurança Social. O que significa que, contas redondas, geram um excedente, entre contribuições e prestações sociais, que paga 1604 milhões de euros das pensões dos nossos reformados.
Posto por outras palavras, os imigrantes dão lucro.
E contribuem mais para a Segurança Social que a esmagadora maioria das empresas portuguesas.
No meu dia a dia, convivo com imensos imigrantes. Alguns treinam comigo no ginásio, outros atendem-me em lojas e restaurantes, e já conversei com alguns na Alameda, nos dias em que vou andar de bicicleta com o meu filho. Nunca apanhei um que não fosse menos que simpático.
Porque é que tudo isto é importante?
Porque, em primeiro lugar, são seres humanos como nós. Como os portugueses que fugiram à ditadura fascista na década de 60.
Em segundo lugar, porque, sem eles, a economia portuguesa colapsa amanhã.
E, em terceiro, porque existem demagogos, com Ventura à cabeça, que desejam fazer destas pessoas bodes expiatórios do seu discurso populista. Que desejam, seguramente, ver a economia portuguesa colapsar.
Um voto no Chega é um voto no ódio, na desumanidade, no colapso.
É um voto nos valores de Putin e Trump, não nos valores da democracia liberal que fez da Europa o espaço mais próspero e abundante da história, a todos os níveis.
Um voto em Ventura é um voto contra a democracia. É o caminho de volta para a miséria salazarista do analfabetismo, da fome e das barracas. E tu tens outras opções. Acorda para a vida.






Mais um chorrilho de idiotices temperado por evidências e embrulhado em ignorância.
Comecemos por exemplo de cultivada e deliberada ignorância:
– Quantos imigrantes, em particular os asiáticos, montam establecimentos comerciais, ocupando o mercado empregando compatriotas seus em condições laborais que ninguém investiga ou cuida de saber se cumprem as regras legais no mercado? Não é isto concorrência desleal e perda de emprego para nacionais?
A defender o ACT, que funciona e faz falta, muito bem! Também não é aí que querem cortar, portanto.
A evidência de que são humanos à procura de melhor vida é do tipo que só visa temperar a estupidez de que não se justificam fronteiras e que a imensa matilha de instituição públicas só servem para facilitarvum qualquer trânsito livre de condições.
Non-sequitor, mano.
Para idiotice basta ser a regulação requerida pelo Chega traduzida em afirmar oposição à imigração.
No caso, essa idiotice é antes pura mentira para alimentar a idiotice esquerdalha.
Regulação já existe, a desumanização nã… existe um bocadinho menos.
A segurança mereceria uma análise bem mais cuidada.
Tanto se me dá que os imigrantes roubem como que capturam empregos e por essa via levam nacionais a roubar.
E quanto a estatísticas de segurança é só analisar os engulhos e incómodos que a denúncia de um qualquer furto cometido por desconhecidos – a que acresce a certeza de improvável utilidade – para ter a certeza que o ‘muito seguro país’ é fábula conveniente para atrair turistas!
Tem que arranjar inquiridos com outras vibes; talvez com mais notícias sobre o que não existe isso mude, funciona noutras paragens.
Pois claro!
Citando Menos, mas citando…
“Tanto se me dá que os imigrantes roubem como que capturam empregos e por essa via levam nacionais a roubar”.
Brilhante nexo de causalidade! E que não se atrevam a casar com gente de cá. Por essa via ainda levam nacionais a violar!
“É um voto nos valores de Putin e Trump, não nos valores da democracia liberal que fez da Europa o espaço mais próspero e abundante da história, a todos os níveis.”
E de Netanyahu. E de Navalny. E de Merkel. E de Macron ou Sarkozy. E de Biden. E de Obama. E de Rutte, o nosso novo general. E de Frederiksen (da Dinamarca). E, e…
Os nossos valores são muito bonitos. Deviamos tentar cumpri-los um dia destes.