
Ainda sou do tempo em que Donald Trump era diferente dos outros, garantiam milhares de trumpettes no país e no mundo.
Ia acabar com a guerra na Ucrânia da noite para o dia, até se tornar mordomo de Vladimir Putin.
Ia denunciar pedófilos e revelar os ficheiros Epstein, até perceber que o seu nome aparecia muitas vezes nos documentos sobre o maior escândalo de pedofilia da história.
Ia defender os valores cristãos até transformar o velório de Charlie Kirk no Super Bowl neofascista.
Ia drenar o pântano até perceber que podia transformar os EUA numa oligarquia onde o nepotismo e as suas amizades pessoais seriam critério de selecção. E assim foi.
Ia acabar com a corrupção, mas depois percebeu que podia lucrar com ela e optou antes por normalizar o suborno e a usar a presidência para corromper e ser corrompido.
Ia combater as elites, mas mudou de alvo e decidiu combater a sobrevivência do americano médio para dar borlas fiscais aos mais ricos entre os mais ricos.
E ia também manter a América fora de guerras, porque não era como os neocons, mas invadiu a Venezuela, não pela defesa da democracia ou do povo venezuelano, mas para transformar Caraças num satélite e açambarcar o seu petróleo. Trump está-se nas tintas para a democracia e para qualquer povo que não seja o de Mar-a-Lago. Se não estivesse, não receberia Putin ou MBS com as maiores honras de Estado. Nem se deixava corromper pelo Qatar, regime-albergue do Hamas. Nem elogiava o “respeito” que chineses e norte-coreanos demonstram por Xi e Kim.
A decisão de Trump dá carta branca a Putin para prosseguir com a agressão contra a Ucrânia e para invadir os Bálticos. Oferece argumentos a Xi para ocupar Taiwan. O direito internacional morreu e a Europa está oficialmente refém de um autocrata. E todos os mitos que os trumpistas criaram em torno do seu criminoso preferido caíram por terra.
Se Maduro é uma besta?
É claro que é. E só posso lamentar que o seu povo não o tenha conseguido depor e prender para o resto da vida. Ou que uma cadeira não tenha feito o serviço por eles.
Mas isto não tem nada a ver com o ditador venezuelano.
Trump adora ditadores.
Só existem três razões para o ataque desta noite.
A primeira é o interesse da oligarquia americana em confiscar os recursos naturais da Venezuela e transformar o país num estado-cliente.
A segunda é atacar a influência da China na América Latina.
A terceira é retirar os holofotes do escândalo de pedofilia no qual está implicado.
Nada disto foi feito em nome da democracia.
Trump e a sua corte de delinquentes odeiam a democracia.
Nesse aspecto não são muito diferentes de Maduro.
Respira fundo, Dinamarca.






Sim, na verdade o ataque à residência de Putin, o ataque às bases de bombardeios nucleares, os ataques à de libertação da vida aos Crimenos, ou os amigos Uigures, depois de concluída a tarefa na Síria, e os ataques terroristas eram trabalhos de demolição caros que Trump fez o favor. Ou isso ou pescadores ucranianos a olhar para um mapa. Mas até o NYT e o The Telegraph agora estão infestados de fontes Putinistas a dizer o contrário, em quem acreditar?
Entretanto, a eurolândia da liberdade continua a censurar e a sancionar quem é inconveniente e não pode simplesmente agredir e prender na rua, só por não gostarem que uma colónia genocida faça o que lhe apeteça a todos os vizinhos com o nosso completo apoio. Tem que ser, o continente nunca esteve tão unido na rejeição desta corja que nos despreza com tanta clareza.
De pesar da treta em pesar da treta dos democratas liberais, para depois continuarem de joelhos como sempre a dizer que outra coisa é impossível, o importante era que fossem vassalos a bem como Milei ou Bukele, mas também Aliyev ou Akhannouch, sobre os quais os paladinos estão caladinhos. Ao menos o povo venezuelano pode, para já, continuar com o mesmo voto popular nas urnas contra o saque.
Porquê nova?
O que fez hoje Trump que já não tenham feito em Granada, Panamá e outros locais?
A diferença é que os Bushes ainda disfarçavam com a exportação da democracia, este afirma que vai tomar conta da chafarica até a malta puder começar a sacar o petróleo com segurança e estabilidade.
Decerto não foi ele a inventar o termo Monroe…
A dúvida é mesmo saber que percentagem de americanos se revê nisto. É certo que quem pensa e executa são os Bannons e Thiels da vida, mas tenho certas reservas de que muito “average american” não pense no Hemisfério como seu.
Próxima paragem, Nigéria. Há cristãos a proteger.
Tal como a elite da eurolândia, nem são contra, nem a favor, antes pelo contrário: o mau é não pedirem autorização ao outro lado do regime e partilhar a pilhagem.