“Não é com slogans que as coisas podem mudar. É com actos.” – Moussa Marega, 2020

O racismo não tem cor clubística.

O racismo não é do SL Benfica, do Sporting CP ou do FC Porto.

Mas os racistas têm clube: e podem ser do Benfica, do Sporting, do Porto ou de qualquer outro clube.

O pior que se pode fazer nestas situações é, por um lado, apontar como racistas todos os adeptos de qualquer clube, o que ajuda, inconscientemente, a relativizar o racismo quando ele acontece perpetrado por adeptos do nosso clube. E acontece, porque os racistas estão em todo o lado. E, por outro, defender quem usa o racismo como arma “legítima” de arremesso, apenas e só por ser do nosso clube. Ou somos anti-racistas ou só o somos consoante a cor da camisola que o racista veste: quando aos racistas, o que os incomoda é sempre a cor da pele. E para isto pouco interessa se o jogador insultado é irritante, chato, trapaceiro ou gozão: se para nos defendermos disso, temos de ser racistas, então já perdemos a razão. Quem passa essa linha deixa de ter perdão.

O racismo e a xenofobia não têm lugar no desporto, porque não têm lugar numa sociedade que se quer saudável, inclusiva e respeitadora de todas as diferenças. E onde o desporto, sobretudo o futebol, devia ser o espelho de todas essas diferenças que nos unem em prol de algo tão bonito.

O que se exige aqui, como noutras situações, o que infelizmente nem sempre sucedeu, é mão pesada: neste caso, para Prestianni, jogador argentino do SL Benfica que, de boca tapada (ou de cara tapada, é sempre o refúgio de quem lança insultos racistas), chamou “macaco” a um jogador brasileiro, no caso Vini Jr. Um jogador tão jovem e com uma atitude destas, caso eu fosse benfiquista, defenderia que nunca mais poderia vestir as cores do clube; por outro lado, não pode, na minha opinião, volta a pisar um relvado num jogo da Liga dos Campeões por muito tempo, se o que queremos é passar o exemplo de que ataques racistas e xenófobos não têm espaço no futebol.

#NoToRacism

Comments

  1. Luis says:

    Até ao momento não se consegue provar se Prestianni disse ou não insultos racistas.
    A acusação de Vinicius, atendendo ao historial, é tudo menos credível.
    A boca tapada de Prestianni nada prova, hoje todos falam dentro de campo com a boca tapada.
    Lamentável é a postura de Mbappé, que estando distante de Prestianni afirmar que ouviu o insulto 5 vezes, e insultar o mesmo em claro e bom som. Se calhar já devia estar a ser alvo de uma queixa.
    O racismo e qualquer discriminação ou insulto pelas caracteristicas de quem é vitima, é condenável e deve ser severamente punido, assim como todos os falsos testemunhos.
    Se fosse Vinicius a insultar Prestianni com o mesmo insulto era o quê? Haveria tanto barulho?
    Se querem que o combate ao racismo seja levado a sério, para além de severamente punido, tem de ser levado a sério em primeiro lugar pelas vitimas do mesmo.

    • João L. Maio says:

      O Luisão discorda.

      Já agora, se estudasse um pouco a temática “racismo”, saberia que se Vinícius fizesse o mesmo insulto (isto é, chamar macaco ao argentino) seria só ignorante, porque macaco é um insulto dirigido a afrodescendentes e o Prestianni é branco – apesar de virmos todos dos símios, de facto.

      • Luis says:

        Luisão estava em campo? Luisão alinha pela solidariedade da nacionalidade.
        Quanto ao insulto está enganado, também é dirigido a brancos, com outros significados igualmente perjorativos, ligadas a formas de agir.
        Uma coisa é certa, se fosse de negro para branco não haveria tanta polémica.
        Eu próprio numa situação em que me dirigi a um grupo de trabalhadores negros, ouvi da parte de um deles a charmar a atenção do supervisor, “Olha ali o branco quer falar contigo”.
        Atendendo a que fui indicado pela minha cor de pele, também é racismo? Já sei que a “carga” historica existe, mas sendo todos iguais em sociedade em termos de deveres e direitos, não é tempo de agirmos em conformidade com essa igualdade?

  2. JgMenos says:

    Isto dos ‘tadinhos’ dispensa os pretos de que se lhes denuncie as macacadas?

  3. balio says:

    “Prestianni que, de boca tapada, chamou “macaco” a Vini Jr”

    Se ele estava de boca tapada e se o João Maio não estava em campo, como é que sabe se chamou ou não chamou, e o quê?
    Prestianni nega ter chamado. Eu não faço ideia se chamou ou não chamou. Mas o meu filho, que é entendido em coisas de futebol, diz que Vini Jr é useiro e vezeiro em fazer estas acusações, o que sugere que elas por vezes sejam falsas.
    As pessoas têm o direito de ser consideradas inocentes até que se prove a sua culpabilidade.

    • João L. Maio says:

      Acredito à partida na palavra da vítima. Especialmente quando é alvo de insultos racistas dia sim, dia sim. Como acredito na Inês Bichão.

      • Anónimo says:

        “Acredito à partida na palavra da vítima”, corrigindo, “Acredito à partida na palavra do negro, jamais do branco”

        Nós sabemos, por isso é que este assunto nem sempre é levado com a importancia e seriedade que merece.

      • balio says:

        Acredito à partida na palavra da vítima.

        Ah, bom.

        No dia em que uma mulher (ou um homem, sabendo-se que o João Maio é homossexual) acusar o João Maio de a (ou o) ter violado, o João Maio acreditará e dirá que essa mulher (ou homem) é uma vítima dele.

        Eu não acredito à partida em ninguém. Sei que as pessoas, quase todas, mentem. Mentem com quantos dentes têm na boca.

        Sei que neste caso alguém está a mentir (ou possivelmente estão ambos a mentir). E, portanto, há uma vítima de calúnia. Não sei quem está a mentir, mas tenho para mim que os negros têm tanta tendência a mentir como os brancos.

  4. A presunção de inocência, que era uma conquista civilizacional, passou a depender explicitamente da cor de pele, do sexo, da orientação sexual, e da cor política de quem acusa e de quem é acusado. Voltámos ao tempo dos macacos.

  5. JgMenos« says:

    Por falar em macacos:
    Há-os para vários modos e laços de parentesco e tudo indica que os desgraçados que perderam a cor preta na Idade do Gêlo e que, nas agruras aí vividas, se adiantaram aos pretos que permaneceram à sombra das fruteiras tropicais, são agora supostos maus da fita.
    Vai daí, aparecem-nos agora como tadinhos cretinos que, sendo pretos, e sendo grunhos, querem ser tidos por cavalheiros!

    • POIS! says:

      Pois cá está!

      Mais uma tentativa, pelo Menos, macacona, de tentar macacamente resumir a História da Humanidade a sete linhas.

      Proeza só ao alcance de um perfeito primata, como é, pelo Menos, o caso.

      Aguardam-se para breve, resumos de outras obras tais como a Bíblia (incluindo o Antigo e Novo Testamento, com Apocalipse e tudo!), “Os Analectos” de Confúcio, “Guerra e Paz”, de Tolstoi e o clássico “História da Macacada Por Um Confesso Macacão” de JgMenos.

  6. O regime dentro do regime a discutir sobre a UEFA como se fosse sobre a LPF tem piada.
    O resto é o que temos, não percebem, não querem perceber, e acham que ganham muito com isso.

  7. Rafael says:

    eu acho que isto tudo é culpa do treinador; se vai jogar contra um clube de racistas o bom senso diz que o Vinicius não devia ter jogado

    • E se calhar é culpa do outro treinador; se vai jogar numa competição inquinada, contra uma das equipas que é mais inquinado, diria o bom senso que deviam estar com o melhor comportamento e não cometer erros de palmatória.

  8. Asnonimo says:

    A presunção de inocência ao que parece aqui não se aplica
    Os valores da uefa e fifa sao os do $$. Igualdade e inclusão, sos racismo, e suspendem-se jogadores que não usam o arco-iris, mas depois há Mundial no Qatar
    Posto isto, a reacção dos intervenientes não é racista, ou laxista, ou o que seja, é aquela imbuída na cultura nacional, seja na bola ou outra coisa qualquer: negar, desculpabilizar, atacar. Mandam-se uns bitaites, os peões de brega fazem barulho, e eventualmente a poeira assenta. Importante é antes de mais que ninguém (nós) saia prejudicado. Infelizmente para os envolvidos, não funciona assim lá fora…

    • Tem alguma verdade, também já fui culpado de relativizar por causa do clubismo futebolístico. Mas isso só acontece porque é normalizado, e mais importante do que a reacção individual, é que seja aceite como normal.

  9. Anonimo says:

    O único macaco que tem lugar no futebol é o Madureira

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