Tecnoforma: a face (ainda) oculta de Pedro Passos Coelho

Tecnofraude

(Comeriam estes convivas uns bons robalos nos tempos das jantaradas da JSD?)

Quantos robalos se podem comprar com 5 mil euros por mês durante três anos? Não faço a mínima ideia, tudo dependerá das flutuações no preço desta commodity, algo que me ultrapassa, nunca percebi muito bem os meandros da especulação mercantil. O que eu sei, pelo menos a julgar pelo que a “imprensa” cor-de-rosa regurgitou há uns meses atrás, é que a família Passos Coelho aprecia um bom robalo (e deixa boas gorjetas). Eu também gosto muito de robalos. Armando Vara e Manuel Godinho são connaisseurs. Miguel Relvas será com toda a certeza doutorado em robalologia, bastará para isso que tenha passado, pelo menos uma vez na vida, a 100 metros de uma peixaria.

Comer um bom robalo, para aqueles que ainda o conseguem fazer neste país espartilhado, é muito saudável. Já a fuga ao fisco e a violação do estatuto do deputado não são tão saudáveis assim. E parece que o apreciador de robalos Pedro Passos Coelho andou metido nas duas e, ao seu melhor estilo, ainda conseguiu mentir sobre o assunto. Ainda se fossem umas carnes gordas ou uns vinhos carrascões a malta até percebia. Agora isso de fugir aos impostos e andar a receber uns trocos por fora quando se exercem funções de deputado em regime de exclusividade não é lá muito aconselhável, qualquer médico lhe dirá o mesmo. Principalmente num país que parece assistir ao acordar da justiça em casos de trafulhice político-partidária.

O caso Tecnoforma é uma versão do caso Face Oculta com Pedro Passos Coelho no papel de actor principal. O primeiro-ministro era administrador da empresa – sem esquecer que, antes deste cargo, a função de Passos Coelho na Tecnoforma era a de consultor para a formação e para o programa Foral – quando Miguel Relvas, então Secretário de Estado da Administração Pública, geria o programa Foral que despejou a esmagadora maioria das suas verbas para a região Centro na Tecnoforma. Milhões de euros sacados aos cofres públicos e investidos em inutilidades que dariam para dotar Portugal de modernos sistemas de aquacultura para, quem sabe, aumentar a produção nacional de robalo e dar uma lufada de ar fresco ao mercado dos favores.

Mas este caso não se resume a Miguel Relvas e Passos Coelho. São ao todo 8 ex-JSD, todos eles com funções de direcção da estrutura na mesma época que Passos e Relvas, todos eles ligados à Tecnoforma ou ao programa Foral que a alimentou. E num momento em que tanto se tem falado desse suposto despertar da justiça que aparentemente deixou de temer os poderosos, era importante que nos fosse explicado como foi possível que este grupo de pessoas tenha sido brindado com a canalização de 76% dos fundos europeus destinados ao programa Foral para a região Centro no período entre 2002 e 2004 (em 2003 foram 82%), altura em que Relvas era o Secretário de Estado com a tutela. O Organismo Europeu de Luta Antifraude já anda em cima desta marosca desde Julho mas por cá nem um pio. Alguém avise Paulo Rangel que o ar continua tão irrespirável como em 2009 e 2011.

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P.S. Para quando novos hinos e romarias de autocarros laranjas em direcção a Évora?

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  1. […] Salgado não é a mesma coisa que andar a fazer negócios suspeitos com os fraudulentos do BPN ou orientar amigos com fundos europeus numa Tecnoforma perto de si. Mas não nos venha o senhor vender paleio de saco pré-eleitoral. Não nos tente negar que […]

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