Democracia deposta no Brasil

O golpe foi consumado esta quarta-feira no Senado brasileiro. Dilma Rousseff foi afastada do cargo e Michel Temer assume, definitivamente, a presidência do país até 2018. Era um resultado previsível mas, quando acreditamos na Democracia e na Justiça, é um murro no estômago. E, na verdade, é um murro em mais 54 milhões de votos, na Educação, na Saúde, na Justiça, na Democracia. É um “chega para lá” em milhões de pessoas.

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O lápis azul de Angola – há 16 anos era assim

Textos, textos e mais textos. Basicamente a minha vida tem mais textos do que dias. Hoje, ao arrumar uma série de ficheiros, encontrei um texto que escrevi há quase 16 anos. Em Junho de 2000, mais precisamente. Por tudo o que se passa hoje, 16 anos depois que aparentemente não passaram, decidi publicar aqui o texto.
A 11 de Novembro de 1975 nascia a maior esperança africana – a República Popular de Angola. Agostinho Neto proclamava a independência e punha fim aos anos do colonialismo repressivo português. Vinte e cinco anos depois, assiste-se em Angola à morte da dignidade e da liberdade de um povo.

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O tabu do tabu

Fazer uma reportagem com um ângulo definido e não procurar o outro lado é mau jornalismo. O Público este domingo, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, estreia a “Série Especial: Racismo em português” com a reportagem “Ser em africano em Cabo Verde é um tabu”. Não porque seja mentira que Cabo Verde, na generalidade, não quer ser África. É verdade. Mas a identidade cabo-verdiana existe e está bem vincada, nas nove ilhas habitadas. A generalização de África, enquanto continente, a uma única cultura (a dita “africanidade”) é a típica visão ocidental. Mas agora os ocidentais querem quebrar o tabu. E caíram no perigo da história única, que Chimamanda Ngozi Adchie explica tão bem. Entramos, portanto, na era do tabu do tabu. Continuar a ler “O tabu do tabu”