MUDAR – investimentos estratégicos

Continuando com o livro de Pedro Passos Coelho:

Quanto ao plano das grandes obras públicas é preciso distinguir entre o que é estratégico e as que não têm esse alcance, reescalonar os estratégicos no tempo em razão do seu enorme custo de oportunidade, e encontrar soluções mais baratas para os não estratégicos.

Estratégicos são:

– os que diminuam a nossa dependência externa no plano energético, que facilitem as exportações e que promovam a acessibilidade da procura turística.

aqui teríamos as barragens hidroeléctricas e o aumento de potência de algumas das existentes. O próprio desenvolvimento do cluster eólico obriga a aumentar o armazenamento em barragens porque a energia verde não é regular; conservar a energia produzida e não consumida, bombeando-se a água das albufeiras para as barragens e utilizando-a novamente; investimentos  em eficiência energética, tanto no sector residencial e nos serviços, como nos transportes e na indústria.

Baixar a factura energética ao exterior é fundamental, anda à volta dos 50% do nosso déficite externo corrente. Estes investimentos têm que avançar desde já.

Segundo lote estratégico, aposta pública no transporte ferroviário de mercadorias, em íntima ligação com as plataformas logísticas, a malha produtiva nacional e as infra-estruturas marítimo-portuárias, com ligações a partir de Sines e Aveiro. Porém, não faz qualquer sentido que tais ligações se façam na base da alta velocidade, o objectivo é baixar o custo de transacção e o TGV tem o efeito oposto.

Por fim, o NAL (novo aeroporto de Lisboa) em Alcochete. Trata-se de uma infra-estrutura essencial, ditada quer pelo congestionamento do actual aeroporto quer para melhorar a acessibilidade turística. O desenvolvimento deste projecto deve fazer-se a par com a privatização da ANA.

Este projecto como é modular não tem grande impacto financeiro.

Amanhã avançaremos com os investimentos não estratégicos.

(Adenda: para ajudar à leitura, alguns links de notícias económicas que podem servir de suporte a esta análise: Orçamento 2010, Economistas, Desemprego, Empresas e que devem servir de análise para quem defende grandes investimentos públicos)

O TGV não é para 2010, não é prioritário!

Com a apresentação do Orçamento muita coisa muda, as prioridades já não são chegar depressa a Madrid, nem o aeroporto é para já. Como o bom senso e até o patriotismo aconselham e que só quem julga que “pode, quer e manda” não reconhece, o estado do país obriga a investimentos de proximidade, com influência imediata no emprego e no crescimento da economia.

A prioridade agora, vai toda para os hospitais, escolas, lares, creches, como não pode deixar de ser e como muitos de nós sempre defendemos.

Felizmente, que as eleições tiraram a arrogância a um homem que tomou a maioria absoluta como se o país fosse coisa sua, sem dar explicações, embalado por ambições incompreensíveis e perigosas. Nunca apresentou, ele e os seus prosélitos, uma só explicação plausível para a pressa, no quadro de uma economia que definha desde Guterres.

É uma vergonha o que se passou com o aeroporto na OTA (situação que apresentava enormes e perigosos obstáculos a uma aviação segura) e que só o desassombro de um homem, ex-comandante da TAP, desarmou, quando chamou a atenção para a gravidade da decisão que se ia tomar. Os pilotos, que iriam levantar e aterrar na OTA, nunca tinham sido chamados a pronunciarem-se!

Quanto à via férrea, a prioridade vai agora para o transporte de mercadorias, ramais para e de Sines e Leixões, melhoramentos nas actuais linhas de passageiros que já são de velocidade elevada e que só precisam de actualizações. Parece que o TGV se irá ficar, daqui a uns anos (oxalá, é porque as contas públicas melhoraram) pela ligação a Espanha via Badajoz e a explicação é, que há anos que governo após governo, andam a prometer isso aos vizinhos, esses sim, muito interessados no TGV.

Cumprir com o vizinho ainda se aceita como desculpa, agora dar banho aos Madrilenos…

Orçamento de Estado 2010:

Eu sei que só agora cheguei de um jantar em família e, confesso, até bebi uma cervejita mas será que eu ouvi bem? 9,3%??? O deficit foi de 9,3% como estavam agora mesmo a dizer na SICN??? É que tanto no i como na TVI24 eu estou a ler 8,3%. Mesmo assim, uma enormidade. Mas 9,3???

Alô Grécia, alô Irlanda, aqui vamos nós. Mas será que a cerveja que bebi estava estragada? É que além dos 9,3% estou para aqui a ler que o TGV, a 3ª ponte e o Aeroporto vão avançar. É este o OE para 2010? Mas está tudo doido? Estão bêbados? Afinal, quem andou a beber álcool esta noite? E o PSD e o CDS alinham nisto?

Lá vamos nós, cantando e rindo, com Futebol, Fátima e Fado