Um dia mau para o fascismo

O aeroporto de Lisboa passa a chamar-se Aeroporto Humberto Delgado. Uma homenagem merecida.

A importância de ser Humberto

O aeroporto da Portela vai, por decisão do governo, passar a chamar-se Humberto Delgado. Os telejornais deram a notícia. Segundo o que vi, o homenageado foi um senhor muito importante no arranque da aviação civil em Portugal. E pronto. Tem piada, o nome é igualzinho ao daquele Humberto Delgado candidato à presidência da República no tempo de Salazar, vencido por vigarice do regime e tornado importante referência da oposição democrática, vindo a ser assassinado pela PIDE. Chamavam-lhe “general sem medo”. Foi, lembro-me, a primeira vez que eu, ainda criança, confrontei o meu Pai com as minhas primeiras dúvidas políticas. É que na escola onde estava beatificava-se Américo Tomás e o meu pai, para minha surpresa, não parecia nada entusiasmado com esse facto. Hoje sei porquê e honro-lhe a memória.
Então – pelo menos segundo o telejornal – o homenageado vai ser o Humberto Delgado da aviação civil. Que coincidência, não é?…

Os sítios e os nomes

Finalmente, após um longo – e, certamente, sábio – silêncio no que diz respeito a propostas concretas, António Costa irrompe, firme, com uma das ditas. Dar o nome de Humberto Delgado ao aeroporto da Portela. Compreendo o embaraço das outras bancadas. É difícil e mal compreendido fazer oposição a este tipo de proposta. E, note-se, não duvido da boa vontade dos proponentes nem da sinceridade da sua consideração pelo homenageando. Mas reparem: quando se fazem estes exercícios de toponímia, que consistem em substituir um nome ou referência tradicional e popularmente consagrados por novas designações – independentemente dos méritos dos homenageados -, raramente o novo nome se sobrepõe ao antigo na fala popular, o que reverte em prejuízo da intenção com que a alteração é feita. Portela, continuará a ser Portela, excepto nos comunicados oficiais e, eventualmente, nas notícias da Imprensa. E, aqui, surge a segunda objecção: é que raramente se ouve ou lê uma boa notícia quando se fala de aeroportos. “Avião aterra de emergência no aeroporto Humberto Delgado”, “aviões desviados, devido ao mau tempo no H.D.”, “avião retido com grave avaria no H.D.”, ” ameaça de atentado no H.D.”, “avião despenha-se após descolagem no H.D.”, “voos adiados e caos no H.D.” e por aí fora, estão a ver a ideia.
Abreviando: esta é mesmo a melhor forma de homenagear alguém?

O que mais ainda virá que não estava no PEV IV?

Estava previsto o PEC IV acabar com as PPP, TGV e aeroporto? É que ontem o engenheiro disse, textualmente, que «as medidas previstas são essencialmente as do PEC IV».

 

Adenda
Se procura a tradução do  ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’, siga este link.

Uma coisa que não percebo…

Ora se os tipos que nos vão dar dinheiro* dizem que para o próximo triénio não haverá massa para PPP, TGV e aeroporto, será que os 51 magníficos que defenderam as obras públicas durante a campanha eleitoral das legislativas 2009 estavam errados?

poceirão

E já agora, para que vai servir esse pedaço de caminho de ferro entre a fronteira e o Poceirão?

* sim, parece que nos vão dar dinheiro, avaliando o que ontem foi dito só se pode concluir isto

 

Adenda
Se procura a tradução do  ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’, siga este link.

Obras Públicas : veio cá um senhor da UE!

Fatal como o destino, o que tem que ser tem muita força, o bom senso prevalece, dinheiro só no “totta”, o Presidente do BCE esteve cá ontem a deixar uns recados ao “animal feroz” e tudo lhe cai pelas pernas abaixo.

Não há megaprojectos, quem não tem dinheiro não tem vícios, felizmente que não haver dinheiro tem esta grande vantagem, não se estraga, não se gasta mal gasto. Para não perder a face adjudicou hoje um troço que, sem a ponte e os demais troços já congelados não serve para nada, vai ter que ficar à espera para estar operacional, mas enfim o pobre do “estadista” tambem não precisa de ser humilhado.

Um pesadelo a chegar ao fim ! Que dirão disto os “defensores do interesse nacional” que tão desinteressadamente se bateram pelas grandes obras públicas?

Obras públicas – aliança Sócrates / PCP

A guerra dentro do governo já é mais que evidente. Sócrates responde a Cavaco Silva e põe o ministro das obras públicas a responder a Teixeira dos Santos. A causa são, evidentemente, as obras públicas ! Sócrates acha que recuar, ou pelo menos adiar as obras públicas para melhores tempos, dá uma imagem de fraqueza. Pelo contrário, na presente situação, esta obsessão pelas obras públicas (TGV, Aeroporto e Ponte) levanta sérias e legitimas suspeitas. O que aproveita Sócrates, contra todas as opiniões e evidências, levar estes projectos ao ponto de não retorno?

Claro que Teixeira dos Santos, que faz as contas e que ouve as entidades financeiras da UE, sabe que esta obsessão não tem pernas para andar, ninguem vai emprestar dinheiro para obras faraónicas, a não ser a taxas de juro elevadíssimas que o país não tem como pagar. Quem vai continuar a engolir “sapos”?

João Cravinho, lá de Londres já veio apoiar Teixeira dos Santos e, Passos Coelho, espera que mais vozes se juntem no apoio ao ministro das Finanças, É que as contas ,para ajudar Portugal, apontam para 13 mil milhões de Euros o que corresponde a 8.1% do PIB e a cerca de 11% da dívida pública. Se lhe acrescentarmos, em contas redondas, mais 3.3 mil milhões para o Aeroporto, 1.8 mil milhões para a Ponte e o TGV até ao Poceirão e uns 7 mil milhões para o resto do TGV e, já agora, a autoestrada consignada há dias à Motta-Engil de 1,42 mil milhões, fica a dúvida legítima.

O que fará mover Sócrates para deixar o país numa situação miserável desde que  as obras públicas atinjam o ponto de não retorno? Porque o que faz correr o PCP,  apoiar as grandes obras públicas, é a existência de um Estado que tudo constrói, tudo controla, tudo pode.

Mas esses, os comunistas, não enganam ninguem! Sabe-se ao que vêm!