Aeroporto Humberto Delgado

Embora, em tempo de três efes, tanto a ANA, como praticamente toda a comunicação social, se recusem a escrever o seu Nome, aquele aeroporto que fica em Lisboa chama-se Aeroporto Humberto Delgado. General Humberto Delgado.

Assalto ao (nome do) aeroporto

Claro que, quanto ao caricato disparate do aeroporto da Madeira, poderíamos desejar que Cristiano Ronaldo recusasse a honra. Porém, apesar de um génio da bola e um sobredotado em vários aspectos, no fundo é ainda um garoto imaturo e deslumbrado demais para perceber a armadilha que lhe ficará amarrada aos pés. Quanto ao presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, seria esperar demais vê-lo abdicar do seu rasteiro oportunismo e populismo barato e perceber que um jovem ainda tem muito tempo – e direito – para desgostar – por razões respeitavelmente humanas – quem o homenageia com um cheque de confiança absoluta no futuro. Não é por acaso que gente bem mais sábia que Albuquerque espera pela maturidade ou morte do homenageando para o honrar na toponímia. É porque, na velha tradição positivista, estes homenageados se constituem em referências cívicas e culturais que podem servir de exemplo aos vindouros. Homenagear deste modo após a morte não é sinal de morbidez, mas de sabedoria. Claro que o governante madeirense já refutou esta ideia, debitando as tolices apropriadas ao tema naquele tom modernaço e négigé tão grato aos neo-reaccionários.
Suponho que quem faz o favor de me ler está, neste momento, a pensar em vultos madeirenses de indiscutível grandeza, como Herberto Helder, ou em grandes figuras ligadas à aviação e ciência como Gago Coutinho. Qualquer deles seria mais adequado. Mas duvido que o primeiro desejasse tal honra e o segundo a quisesse vinda de quem vem e, de resto, já tem o seu nome espalhado por toponímia dos quatro cantos do mundo.
Finalmente, já o escrevi aqui, não me parece que os que dão o nome a aeroportos venham a ter uma memória alegre. É que não há boas notícias relacionadas com esses lugares. Só más. E, se tudo corre bem, notícia nenhuma.

Um dia mau para o fascismo

O aeroporto de Lisboa passa a chamar-se Aeroporto Humberto Delgado. Uma homenagem merecida.

A importância de ser Humberto

O aeroporto da Portela vai, por decisão do governo, passar a chamar-se Humberto Delgado. Os telejornais deram a notícia. Segundo o que vi, o homenageado foi um senhor muito importante no arranque da aviação civil em Portugal. E pronto. Tem piada, o nome é igualzinho ao daquele Humberto Delgado candidato à presidência da República no tempo de Salazar, vencido por vigarice do regime e tornado importante referência da oposição democrática, vindo a ser assassinado pela PIDE. Chamavam-lhe “general sem medo”. Foi, lembro-me, a primeira vez que eu, ainda criança, confrontei o meu Pai com as minhas primeiras dúvidas políticas. É que na escola onde estava beatificava-se Américo Tomás e o meu pai, para minha surpresa, não parecia nada entusiasmado com esse facto. Hoje sei porquê e honro-lhe a memória.
Então – pelo menos segundo o telejornal – o homenageado vai ser o Humberto Delgado da aviação civil. Que coincidência, não é?…

Os sítios e os nomes

Finalmente, após um longo – e, certamente, sábio – silêncio no que diz respeito a propostas concretas, António Costa irrompe, firme, com uma das ditas. Dar o nome de Humberto Delgado ao aeroporto da Portela. Compreendo o embaraço das outras bancadas. É difícil e mal compreendido fazer oposição a este tipo de proposta. E, note-se, não duvido da boa vontade dos proponentes nem da sinceridade da sua consideração pelo homenageando. Mas reparem: quando se fazem estes exercícios de toponímia, que consistem em substituir um nome ou referência tradicional e popularmente consagrados por novas designações – independentemente dos méritos dos homenageados -, raramente o novo nome se sobrepõe ao antigo na fala popular, o que reverte em prejuízo da intenção com que a alteração é feita. Portela, continuará a ser Portela, excepto nos comunicados oficiais e, eventualmente, nas notícias da Imprensa. E, aqui, surge a segunda objecção: é que raramente se ouve ou lê uma boa notícia quando se fala de aeroportos. “Avião aterra de emergência no aeroporto Humberto Delgado”, “aviões desviados, devido ao mau tempo no H.D.”, “avião retido com grave avaria no H.D.”, ” ameaça de atentado no H.D.”, “avião despenha-se após descolagem no H.D.”, “voos adiados e caos no H.D.” e por aí fora, estão a ver a ideia.
Abreviando: esta é mesmo a melhor forma de homenagear alguém?

O que mais ainda virá que não estava no PEV IV?

Estava previsto o PEC IV acabar com as PPP, TGV e aeroporto? É que ontem o engenheiro disse, textualmente, que «as medidas previstas são essencialmente as do PEC IV».

 

Adenda
Se procura a tradução do  ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’, siga este link.

Uma coisa que não percebo…

Ora se os tipos que nos vão dar dinheiro* dizem que para o próximo triénio não haverá massa para PPP, TGV e aeroporto, será que os 51 magníficos que defenderam as obras públicas durante a campanha eleitoral das legislativas 2009 estavam errados?

poceirão

E já agora, para que vai servir esse pedaço de caminho de ferro entre a fronteira e o Poceirão?

* sim, parece que nos vão dar dinheiro, avaliando o que ontem foi dito só se pode concluir isto

 

Adenda
Se procura a tradução do  ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’, siga este link.