Abandono escolar diminuiu: mais cosmética estatística

O secretário de Estado da Educação considerou esta terça-feira que Portugal fez “progressos notáveis” nos últimos anos, destacando a redução do abandono escolar em 2,5 pontos percentuais, no ano passado, para 28,7%, em parte devido às vias profissionais.

Os “progressos notáveis” no âmbito do combate ao abandono escolar só são possíveis graças a um governo constituído por especialistas em maquilhagem estatística, assim nas Finanças como na Educação, perdoai-lhes as ofensas (ou não).

As escolas, na realidade, não podem comunicar os casos de abandono escolar: há, portanto, alunos que estão matriculados, mas que não frequentam as aulas ou têm uma assiduidade baixíssima, mantendo-se no sistema, pelo menos, até ao final do ano, onde entrarão, no máximo, nas estatísticas das reprovações. Pelo meio, os professores ainda são obrigados a simular – é a palavra certa – planos de recuperação para alunos que, de facto, abandonaram a escola.

Aliás, o conceito de abandono escolar até poderia chegar ao ponto de incluir os alunos que vão às aulas e não trabalham ou não querem aprender. São tantos, ainda, os problemas por resolver na Educação em Portugal que a divulgação de estatísticas enganadoras só pode contribuir para agravar as deficiências, porque cria a ilusão de que se está no caminho certo.

A quantidade de vezes que os dois últimos governos já anunciaram números de sucesso na Educação poderia ser sintoma de que ultrapassámos a Finlândia. A comunicação social, como de costume, limita-se a desempenhar o papel de gravador colocado à frente dos responsáveis políticos: não é jornalismo, é publicidade eventualmente gratuita.

Valter “Areia para os olhos” Lemos: o desempregado é uma espécie em vias de extinção

Valter Lemos doutorou-se, recentemente, em biologia virtual, com uma tese sobre o desempregado, uma espécie em vias de extinção, de acordo com as conclusões a que chegou após um estudo aturado, sob a orientação de Maria de Lurdes Rodrigues, que, como se sabe, fez desaparecer o insucesso escolar meia hora depois de ter chegado ao Ministério da Educação, em 2005. Segundo o estudioso “há muita gente a falar de desempregados, sem saberem, na realidade, o que é um desempregado.”

Socorrendo-se de uma imagem zoológica, Valter Lemos afirmou que também é usual os leigos confundirem um jaguar com um leopardo. “Para se ser desempregado” explicou “não é suficiente não ter emprego. Esse raciocínio é de um simplismo próprio dos ignorantes. Só se pode ser considerado desempregado após a sujeição a uma bateria de testes psicotécnicos, o preenchimento de trinta e três impressos e conseguir dar duzentos toques numa bola de futebol sem a deixar cair. É por isso que Portugal tem os melhores desempregados do mundo, poucos mas bons.”

Quanto a projectos para o futuro, Valter Lemos continuará a dar formação no âmbito da odontologia, com uma acção intitulada “Mentir com quantos dentes tem na boca: a importância dos incisivos.” Também no campo da criação animal, dará, proximamente, uma conferência: “A verdade sobre o desemprego: no dia em que as galinhas tiverem dentes.”

Aldrabices…

Quantos portugueses terão recebido amáveis convites da banca, sempre desejosa em satisfazer a clientela? “Quer ir de férias? Vá e pague durante os próximos cinco anos! Quer um pedaço de lata nova com jantes de liga leve? Vá ao stand e quando estiver pronto para a troca, faremos outro crédito!”

Os portugueses habituaram-se a aderir. Passivamente aderiram ao 5 de Outubro e entusiasticamente adeririam ao 28 de Maio, 25 de Abril, 11 de Março, 25 de Novembro, NATO, CEE, etc. Aderem a tudo o que lhes é proposto. Até à moda das férias a crédito, coisa absurda e fora de cogitação para qualquer mente mediana.

A campanha presidencial já terá começado de forma mais ou menos declarada. À guinada à direita que Manuel Alegre de Mello Duarte terá protagonizado, juntou-se a “adesão” à República do até agora membro da Causa Real, o Dr. Fernando Nobre. Apesar do seu republicanismo de pacotilha – diz que continua a ser simpatizante – ficámos sem saber se ainda é, ou não, membro da Real.

É a reserva mental a funcionar a toda a força, esperando enganar uns tantos incautos. Pois não contem com qualquer colaboração.

Agora chegou a vez de Cavaco Silva, aconselhando os portugueses a fazerem “férias cá dentro”. Com a profusão de carteiras vazias, que remédio…!

Devido a inexplicáveis lapsos de memória, o residente de Belém anda a precisar urgentemente de um tratamento à base de fosfoglutina. Aquilo que aconselha aos outros, rejeita para si próprio e respectiva família. Quem já se esqueceu da hilariante viagem à Capadócia, terra montanhosa e distante que lhe emprestaria o cognome pelo qual ficará conhecido para a micro-história?

Quem já se esqueceu das recentes “bacánces” familiares na Ilha do Bazaruto (Moçambique), num resort de exclusivo luxo, à beira Índico e com todas as mordomias de que os velhos colonos jamais puderam desfrutar?

Para nem sequer referirmos os tais tostões acumulados e ainda mais relevante, o subrepticio “adiantamento” de mais 4.000.000 de Euros, para juntar à verba de 17.700.000 de Euros auferidos por Belém.

Começou o eleiçoeirismo da patetice encartada em Instituição. Durante uns sete ou oito meses, o ruído será ensurdecedor e apenas teremos de esperar pelos próximos episódios.