A consciência dos sociopatas

Santana Castilho *

1. Annette Schavan, directora espiritual de Crato para o ensino profissional e até há pouco ministra da Educação da Alemanha, demitiu-se após ter sido acusada de plágio pela universidade onde se havia doutorado há 33 anos. Na origem do escândalo esteve a denúncia de um blogue. Schavan reclama inocência e vai pleitear a causa em tribunal. Mas a sua consciência disse-lhe que, neste momento, esse era o caminho. Curiosamente, a tese que escreveu (ou plagiou) estudava o carácter e a consciência. Antes de Schavan, Karl Guttenberg, ministro da Defesa, procedeu do mesmo modo, por motivo idêntico. E, antes dele, fora a vice-presidente do Parlamento Europeu, Silvana Koch-Mehrin: mesmo erro, idêntico padrão de comportamento e de consciência.

2. A Lusa questionou Nuno Crato sobre o relatório do FMI, que alude ao eventual despedimento de 50 a 60 mil funcionários do sistema de ensino, docentes e não docentes. Importa reter e comentar algumas afirmações do ministro, extraídas da resposta:

– “Nós não somos irresponsáveis. Isso não está em causa, de forma alguma.”

– “O Governo irá apresentar um conjunto de medidas … para a redução da despesa, algo que todos os contribuintes querem”.

– “Nós, até este momento, não fizemos nenhum despedimento na Educação … “ [Read more…]

Annette “Relvas” Schavan

Relvas, afinal, não está sozinho. Nem Sócrates. Nem quejandos flibusteiros.

ImagemA ministra da educação alemã, Annette Schavan, acaba de perder o título de doutor por, alegadamente, ter plagiado grande parte da sua tese.

Antes dela, Karl Theodor zu Guttenberg,  Silvana Koch-Mehrin e Jorgo Chazimar-Kakis, todos políticos do arco de poder alemão, haviam sido despojados dos títulos académicos por iguais razões.

Não adianta, sequer, comentar. Lá, como cá, há complexos que fazem parte da natureza humana na globalidade. Não são apanágio dum povo.

O que é apanágio dum povo é a forma como esse povo lida com a trapaça: exemplares, neste campo, os alemães.

Escreve-se na imprensa que a ministra vai recorrer da decisão. Nada que não esperássemos.