O cheirinho da diferença

Para os saudosos e para os da memória curta, eis o que teria sido outro governo PSD/CDS.

O extraordinariamente habilidoso PSD

Mandatado pelo PSD, Duarte Pacheco expressou o seu lamento pelo atingimento de um défice historicamente baixo, que reduziu a aritmética de Maria Luís Albuquerque ao absoluto ridículo. Diz o deputado que a redução do défice é um dado positivo mas que foi obtida “pelo caminho errado“. Porque o caminho certo, como todos sabemos, consistia na desvalorização salarial, nos cortes temporários que afinal eram permanentes, na desregulação das leis laborais e no ataque desenfreado ao Estado Social. É ver os excelentes resultados obtidos pelo anterior governo em matéria de défice para perceber isso mesmo.  [Read more…]

Educação, o parente pobre do regime

trofa

Está em curso uma guerra de números que diz respeito ao valor alocado pelo OE17 à Educação. O governo afirma que a rúbrica sai reforçada com 180 milhões de euros, a oposição contrapõe argumentando que será aplicado um corte próximo dos 170 milhões de euros. Aparentemente, ambos os lados têm razão. O governo tem razão porque, face ao valor inicial apresentado no OE16, existe um aumento da verba disponível. Por seu lado, a oposição tem também razão porque, face ao total que se prevê gastar em 2016 – houve um aumento do investimento na Educação de 348,9 milhões de euros ao longo do ano, face ao inicialmente previsto – haverá, um decréscimo no investimento. Contudo, existe uma lacuna na argumentação da oposição, na medida em que, tal como aconteceu este ano, em 2017 poder-se-á verificar um novo aumento da verba gasta. [Read more…]

Da hipocrisia da direita parlamentar

Hipo

via Uma Página Numa Rede Social

Onde estavas tu, Duarte Marques?

exame

Duarte Marques assina hoje um texto no Expresso sobre o fim dos exames no 4º ano de escolaridade, decidido pela actual maioria parlamentar através do normal exercício das suas funções, acusando-a de radicalismo e “revanchismo caviar”. Sobre o tema, relativamente ao qual não me sinto devidamente informado, não me alongarei. Não posso, contudo, deixar de referir o exemplo finlandês, considerado um dos melhores sistemas de educação do mundo, onde exames só mesmo no final do secundário e, no entanto, os resultados falam por si. [Read more…]

Ainda me lembro da PàF em campanha na Cercica. Foi há um mês.

Alunos sem apoio e pais com medo de falar. Associação Portuguesa de Deficientes descreve “cenário bastante grave”. (Foto: Lusa)

Sabem uma coisa?

Agora é que vamos ver se o corte de 600 milhões de euros nas pensões era um mito urbano ou não.

Pensionista: a reforma do Estado é você!

Pensoes

Cecília Meireles afirmou hoje no Parlamento que o CDS-PP concorda com um novo corte de 600 milhões de euros nas pensões. Existe um problema de sustentabilidade e quem o deve resolver são esses magnatas dos pensionistas que andaram a viver acima das suas possibilidades apesar de terem descontado a vida toda para a sua reforma. Para Portas, “a TSU dos pensionistas é uma fronteira“. As suas pensões não. Alguém tem que pagar as isenções fiscais do PSI-20 e os boys precisam de comer.

Cortamos o que escolhemos cortar

Os cofres estão cheios mas preparam-se novos cortes em pensões.

Vêm aí mais cortes em salários e pensões

FMI insiste numa “reforma mais abrangente de salários e pensões“. Governo poderá adiar implementação de novas medidas até às Legislativas. Se ganharem, a sua agenda mantêm-se intacta, se perderem, quem vier a seguir que se desenrasque.

Este país (de cofres cheios) não é para pensionistas

MLA

 

Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

Há algo que não bate certo em toda esta propaganda do milagre económico anunciado pelo governo. Por um lado temos uma dívida pública que não pára de aumentar, e que segundo dados recentes terá mesmo sofrido um agravamento de 9,3 mil milhões de euros durante os dois primeiros meses do ano, a que se junta uma trajectória errática dos juros, que ora descem pela mão de Mario Draghi, ora sobem porque uma cagarra espirrou nas Ilhas Selvagens.

Por outro lado, temos uma ministra das Finanças que anuncia ter os cofres do Estado cheios. Será que os encheu com os 9,3 mil milhões de aumento de dívida verificado no início do ano? Serão os euros do Partido Comunista Chinês e respectiva oligarquia? É difícil de perceber. Mais difícil ainda de perceber é a necessidade do governo Passos/Portas avançar com novo confisco aos pensionistasOnde está o primeiro-ministro que não ia cortar pensões? E o Paulo Portas do partido do contribuinte, que tantos idosos se prepara para beijar no circuito eleitoral que se avizinha? É caricato que as mesmas pessoas que apregoam o milagre dos cofres cheios se vejam novamente “forçados” a sacar mais 600 milhões aos pensionistas. Os cofres estão cheios, os bolsos dos pensionistas cada vez mais vazios.

Darwinismo universitário?

Nuno Crato prepara-se para promover a selecção natural nas universidades portuguesas.

Rapa, tira e não põe

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Corria por aí um boato orçamental segundo o qual os funcionários públicos recuperariam um bocadinho do que lhes tem sido roubado. Ora, segundo quem processa o meu vencimento, tal instrução não chegou ao serviço, e como tal este mês roubam-me o mesmo.

A confirmar-se, deve ser por essa via que o estado obtêm as tais receitas excedentes de que fala Paulo Portas, e que depois irão para os contribuintes que pagam a respectiva sobretaxa.

Eu sei que isto não faz muito sentido, mas com o Paulinho dos contribuintes e o Pedro dos saques nunca se sabe.

Estudos fiscais

impostos

Este governo é uma anedota

O recorde de dar o dito pelo não-dito vai em 24h. Vamos aguardar mais umas horas para se desdizerem na totalidade. Incompetentes e bem pagos é a marca deste governo.

O governo fora da lei continua a empatar

Onde pára o pseudo-presidente que se define como institucionalista?

Simulação optimista do esquema de pensamento do funcionário público

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 reciclado pelo senhor dos passos e pela senhora das portas:

Mais 6%, pá? Ora mais 12% de castigo sobre o estatuto, o corte dos subsídios de férias e de natal, a reposição de um deles subtraída do aumento do IRS e reduzida pela revisão da dedução à colecta e dos escalões, a sobretaxa e a taxa de solidariedade, o congelamento salarial e a inflação, o IVA… Isso dá… Bem, é fazer as contas…

Os outros sacanas é que tiveram culpa, é muita despesa pública. Nos outros países não há concerteza esta despesa com os salários no Estado, aqui é que é o regabofe. O que vale é que há cada vez menos funcionários públicos, bem, postos de trabalho. Mas o pior é que quem fica passa a trabalhar por si e pelos despedidos… É a economia, pá. Não há dinheiro, pé… Temos que compreender, pi. E Deus nos guarde de ficar desempregados, pó. E se for eu a seguir, pu? Ta que pariu, não seria melhor trocar de camisa de forças, que esta já cheira mal?

A nossa doença é um luxo

 

Se há coisa que me desperta curiosidade é saber se aqueles que acham que o país está melhor passaram recentemente por algum hospital público. Ando, há pelo menos duas décadas, a acompanhar a doença crónica de quem me é muito próximo. São pelo menos 20 anos de consultas, exames, operações cirúrgicas e internamentos num hospital público. E durante este período nunca vi uma degradação tão evidente da qualidade do serviço prestado por esse hospital em concreto, um dos maiores do país, como a que se vive hoje.
Muitos dos médicos mais experientes e qualificados, entre eles muitos chefes de serviço, debandaram para o privado. E não foram só os cortes nas remunerações a pesar na decisão, foi também a atitude de desprezo e de falta de consideração por parte de quem manda, a não valorização de qualquer esforço para prestar um melhor serviço público. Ficaram médicos jovens, acredito que muito qualificados, mas inexperientes, numa área em que a tarimba faz toda a diferença. No recibo de vencimento de um destes médicos não se espantem se virem um salário líquido de pouco mais de mil euros por um horário de 40 horas semanais.
A experiência das pessoas que conheço é a de que os tempos de espera por consultas e exames aumentaram. Os exames que requerem anestesia continuam a ser um problema. Na sala de espera ouvi, há dias, uma conversa entre médico e paciente elucidativa a este respeito. Se o doente quisesse anestesia para realizar certo exame, esperaria à volta de três meses, sem anestesia poderia fazê-lo no dia seguinte. O doente hesitou mas acabou por abdicar da anestesia.
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E cortes nos depósitos das contas salário e contas reforma?

Líder da bancada do PSD garante que não haverá mais cortes de salários e pensões. Gentinha sem palavra.

Boa notícia

Hoje foi um dia feliz no conselho de ministros. Quando discutiam onde fazer mais cortes e angariar mais fundos, o ministro da saúde entrou de supetão e, exultante, informou os seus colegas que, nas suas visitas e conversas em hospitais vários, obtivera a informação de que (quase) todos os portugueses eram dotados com dois (dois!) rins, quer dizer, tinham um rim supranumerário! Que recurso!

Entusiasticamente saudado pelos seus colegas por tal descoberta, logo ali foi preparada a nova estratégia de comunicação governamental: convencer os cidadãos de que estavam a urinar acima das suas possibilidades.

As linhas que nos separam deles

Linha que separa

Há uma linha que separa a mentira da verdade. Que separa a merda da dignidade. Que separa os direitos adquiridos do “sistema” dos direitos facilmente suprimidos da “plebe”. Que separa a propaganda do mundo real. A imagem que ilustra este post poderá ferir susceptibilidades. Ela representa mais um exemplo que retrata a forma como este governo gere as poucas moedas que afirma ter, cortando rendimentos aos “segmentos” sem “poder negocial” enquanto mantém privilégios totalmente incoerentes com a fanática narrativa da austeridade.

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Os cortes nos bolseiros

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O governo não encerra, reconfigura

Que é como quem diz, recalibra.

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) não quer que se diga que encerrou o Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (SASU) do Porto. O serviço deixou de funcionar a 1 de Janeiro, quem precisar de atendimento urgente já não pode ir lá, o telefone está desligado, mas “encerramento” é uma palavra grande, tão definitiva, tão irrevogável.

Vai daí, em comunicado de imprensa, a ARSN explica que prefere chamar-lhe “reconfiguração”, numa “lógica de maior acessibilidade e proximidade às populações” que, “em síntese, se traduziu no alargamento de horário das unidades de saúde do Covelo e da Carvalhosa”, e que permite a redução do valor da taxa moderada, “que passa de 10 euros (atendimento em urgência) para 5 euros”. [Read more…]

Esvaziar porque sim

Isabel Mões

Por todo o País fecham ou irão fechar tribunais, escolas, centros de saúde, repartições de finanças e por ai adiante. Estima-se por exemplo que no distrito transmontano fechem entre onze a catorze repartições de finanças a que se somam mais onze no distrito de Évora e por aí fora. Ainda esta semana aparecia nas notícias o fecho das finanças e do tribunal em Nisa fazendo os seus moradores deslocarem-se até Portalegre para resolverem o mais básico dos assuntos.

Em distritos envelhecidos e sem uma rede de transportes que supra as necessidades das populações percebemos o que significam todos esses fechos. Para quem viveu como eu no Alentejo sabe o que é ser servido por um autocarro de manhã e outro à noite, e por isso não preciso de dizer mais nada. [Read more…]

Os devoristas

Santana Castilho *

O Governo de Portugal e o Governo da Europa perderam o contacto com os seus cidadãos. Para quem não desiste da sua cidadania, outrossim dela faz alimento da alma, a raiva e o desespero dominam. Só me contém a noção dos meus limites e da minha mortalidade. Mas sofro. Sofro com tantos que sofrem às mãos de devoristas.

O pior de Portugal não é a dívida em si. É o que foi feito com a dívida contraída. Não edificámos com ela uma economia competitiva e produtiva. Não tornámos sustentável um débil Estado social, que agora soçobra às investidas dos devoristas. Instituímos, tão-só, um perene cartão de débito internacional, que alimenta a sofreguidão da “mercadotecnia” dominante. Até o presidente da República traveste, de modo repugnante, o juramento que fez em mercantilismo primário, anunciando que a constitucionalidade ou não do orçamento não é assunto de Direito, mas de custos. Para ele, o mais honesto entre os honestos, os compromissos de honra prescrevem se os custos forem altos. Os recursos do nosso país, o destino dos nossos filhos, estão hoje entregues a pessoas que nada fizeram para os merecer. Chefes que representassem verdadeiramente os portugueses só podiam seguir outras políticas e actuar com moral diferente. Malevolamente, dolosamente, o discurso oficial mistura o custo dos serviços que o Estado presta aos cidadãos (razão da sua existência) com os custos operacionais da máquina burocrática e política. Os primeiros diminuíram drasticamente. Os segundos cresceram exponencialmente. A análise das contas de 2012, única possível neste momento, mostra isso: a aquisição de bens e serviços cresceu 1.500 milhões de euros. [Read more…]

Sr. Funcionário Público, ponha aí o seu recibo de vencimento a jeito

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A Escola, a crise e a fome no dia Mundial da alimentação

Hoje, um pouco por todas as escolas do país comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação.cocas

Diziam-me que os putos insistem em ir para as aulas sem pequeno-almoço  e decidi, por isso, aproveitar a aula de hoje para trabalhar a questão. Lá perdi umas horitas a procurar os conteúdos certos, nomeadamente, um vídeo e um jogo, recursos sempre eficazes nestas matérias… E lá fui.

A caminho da escola, no meio do trânsito, pensei em fazer algo mais – um cocas do pequeno almoço. Lá fui a correr comprar o papel colorido e …

Com tudo isto acabei por perder muito mais tempo a preparar a aula do que a …

Quando me cruzei com uma colega – daquelas que eu gostaria que fosse professora dos meus filhos – que me falou nos cortes, ainda ironizou quando lhe falei da actividade que tinha desenvolvido.

“és de bom tempo” (…) “o que eles querem é isso, que a gente continue a trabalhar para os alunos”

Caramba!

Fiquei a pensar no que ela me disse, no corte de mais de 25% que Passos e Coelho fizeram, como governantes, na Educação. Em todas as maldades que Nuno Crato tem feito e até no crescimento orçamental para apoiar o ensino privado.

Tens razão!

Está na altura de desistir!

A ver se entendem

Conhecem aquela expressão “Estás a perceber ou queres que te faça um desenho?”. Estão a ver qual é, não estão? Não é preciso fazer um desenho, certo? Ok, então para aquelas que ainda não perceberam as críticas à lógica dos cortes deste Governo, aqui está algo ainda melhor do que um desenho:

Difícil de entender…

A ver se percebo.

O anunciado corte nas pensões de viuvez dificilmente será aprovado pelo Tribunal constitucional. Certo? Assim sendo, quem é o autor da ideia? Mais, a poupança em causa nem o será. É mais um corte com efeitos de tal forma negativos na economia que em vez de ajudar na receita vai aumentar a despesa a médio prazo. Certo? Pelo que li (e vale o que vale) estamos a falar de 100 milhões de euros. Uma gota no oceano, como bem explicou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sinceramente, não consigo perceber. Nem o alcance nem a frieza.

Acabem com eles!

“Os cortes nas pensões não vão ficar pelos 10%, aprovados na última semana pelo governo.”

Vá lá, deixem-se de coisas…

Está visto que cortar aos poucos não chega: uma contribuição aqui, uns 10% acolá… Não resulta!

Epá, não resulta! Esqueçam!

Toca a arregaçar as mangas e cortem de vez e no que é essencial: nos pensionistas.

Acabem com esses sorvedouros de dinheiro, que não trabalham e só reclamam.

Acabem com os pensionistas!

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