Que têm em comum António Barreto, Dias Loureiro, António Borges e Artur Santos Silva?

Serem, ou terem sido, trabalhadores de um grupo exemplar.

Centenário da República: os posters comemorativos (2)

2. O culto à sagrada bandeira: Liberdade, Igualdade, “Fróternidade”

Um dos aspectos nada negligenciáveis destas comemorações oficiais que se avizinham, consiste numa re-leitura da História, tentando adaptá-la à conveniência do sistema vigente.
Órfãos de referências que solidamente indiquem uma continuidade, alguns elementos mais preponderantes na conformação da verdade oficial tudo têm feito ao longo dos anos, para apresentar a actual República como uma directa sucessora daquela outra que implantada em 1910, baquearia vítima dos seus próprios erros. Assim, a audácia na apresentação de uma ruptura habilmente apresentada como hiato – o “interregno” de que o dr. Mário Soares se tornou paladino -, tem como fim, a total evaporação do pesadíssimo legado histórico, político e social que a 2ª República significou. Regime saudado com esperança e saído do desespero colectivo em que o país mergulhara, teve uma vida inicialmente acidentada e com a consolidação, durante algumas décadas normalizou-se naquela expressão que Salazar caracterizaria como “viver habitualmente”.

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Centenário da República: os posters comemorativos (1)

1. A DOCE MÃEZINHA

Mário Soares anda todo ancho, já perspectivando o ciclo de forró comemorativo que se avizinha. Assim, vai avisando que apenas serão comemoradas as duas repúblicas do imaginativo esquema vigente, deixando a mais longa e duradoura, como coisa esquecida no limbo da conveniência. Olvida assim, aquela que foi precisamente a 2ª República, – a actual, queira ou não queira, é mesmo a terceira – quem solidificou a instituição, tornando-a corriqueiramente respeitável e alçando os Venerandos à semi-divina condição de entes intocáveis, de que aliás, Mário Soares muito beneficiaria.

A sua questionável coerência, deixa-nos por vezes pérolas de inestimável valor republicano e nos meandros do texto que hoje o Diário de Notícias publica, encontra-se esta saborosa justificação para o dinástico alçar do sr. Artur Santos Silva à presidência da Comissão Oficial do Centenário:

“O Governo decidiu – e bem – constituir uma Comissão Nacional para as Comemorações, presidida pelo Dr. Artur Santos Silva, bisneto de um dos heróis do 31 de Janeiro de 1891 (…), neto de um ilustre médico, várias vezes ministro da 1ª República (…) e filho do ilustre advogado e resistente antifascista (…) de quem tive a honra de ser amigo.”

A plutocracia tem destas coisas. Os amigos são para as ocasiões, mesmo sendo santos entre silvados.

Os laparotos milionários da Comissão do Centenário da República

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O banqueiro Artur Santos Silva (PSD,/BPI/Partex/Gulbenkian/Jerónimo Martins, etc), veio ontem inaugurar publicamente as actividades da milionária  Comissão Oficial do Centenário da República.

Como curiosidade, declarou que …”a república representa a afirmação da liberdade e da cidadania, o combate à pobreza e a celebração do Estado de Direito“. Dada a actual situação que o país vive social, económica, financeiramente, na Justiça e no progressivo cerceamento da liberdade de expressão, a atoarda do sr. Santos Silva não deixa de ser uma originalidade.

De todo o babado e risonho discurso, apenas retivemos desta Comissão, a promessa do tal pau de bandeira com cem metros de altura – o laparotismo autárquico do  Guinness – e o anúncio de fazer soar A Portuguesa no próximo dia 5 de Outubro, tocada por “centos de bandas filarmónicas em todo o país”.

Fazem bem. O Hino é patriótico, bonito e como se sabe, bastante apreciado por  D. Carlos, a quem foi dedicado pelos seus autores. Aqui deixamos em imagem, a capa da partitura original. Talvez o sr. Santos Silva decida publicá-la para o povo ver.

Ainda têm dúvidas?