F.C. Porto: Basta de Impunidade

Ontem foi escrita a página mais negra da história do meu clube, o FC Porto. E antes que alguns comecem a destilar bílis, fica já a minha declaração de interesses: sou sócio do FC Porto, nº 8.860 e não conheço o candidato André Vilas Boas de lado nenhum (a não ser, como qualquer outro adepto, de ter sido treinador do clube com mérito e êxito). Saber que sócios do meu clube viveram horas de terror, alguns deles chegando a ser agredidos, e ver, como vi nas redes sociais em tantos vídeos (alguns em circuito privado) tudo o que se passou, não só me envergonha como me revolta. 

E que crime cometeram os milhares que se deslocaram à AG do FC Porto? O crime de quererem discutir livremente e votar livremente a proposta de alteração dos estatutos do SEU clube. Uma espécie de “crime de desobediência” ao pensamento único que alguns, uma minoria, deseja impor a tudo e todos. Uma turba de delinquentes que não se inibiu de agredir mulheres e idosos. Um bando que todos, TODOS, na cidade do Porto e arredores conhecem mas que a Polícia Judiciária, a Polícia de Segurança Pública, o Ministério Público e as demais entidades públicas ignoram a sua existência. Isto a poucos meses de se celebrar os 50 anos do 25 de Abril é obra…

E como alguns só percebem a linguagem da cegueira clubística, a esses fica a explicação: ontem quem ganhou foi o Benfica, as comendadeiras de bola das televisões que nos destratam todas as semanas, os gajos d’ A Bola. Sim, esses que vocês dizem odiar venceram ontem por goleada e quem marcou os golos, todos na própria baliza, foram vocês. E Jorge Nuno Pinto da Costa, pelo seu silêncio cúmplice, pela mordaça notória do Porto Canal e pelas falinhas mansas d’ O Jogo, demonstra que já não lhe interessa o FC Porto, só salvar a sua pele. É muito triste assistirmos a este fim penoso daquele que foi o responsável pelas mais belas páginas da história do nosso clube. Ver esta caricatura ambulante é uma dor para todos nós e uma alegria imensa para todos os seus detratores. Porque o que aconteceu ontem é imperdoável.

O mal está feito, a vergonha sem nome executada e os culpados perfeitamente identificados. E agora?

Agora, enquanto sócio e adepto do FC Porto exijo que a actual direcção do FC Porto se demita, assim como todos os seus órgãos sociais, e se convoquem eleições o mais depressa possível, no cumprimento do estipulado nos estatutos do clube. E ao candidato André Vilas Boas exijo que tome medidas: exigir ao ainda Ministro da Administração Interna e ao ainda Secretário de Estado do Desporto que providenciem TODOS os meios para que a AG do próximo dia 20 de Novembro se realize em segurança e de molde a não serem cometidos mais crimes públicos, como os de ontem. E, se não confiam nas forças de segurança do Comando Distrital do Porto, que venham outros, de outras paragens. O André Vilas Boas se é mesmo candidato a Presidente do FC Porto não pode fazer de conta nem se esconder perante tudo isto e sabe, todos sabemos, que se não forem tomadas medidas drásticas e de imediato, vai voltar a acontecer o mesmo, se não for dia 20 será noutro dia. Basta de impunidade!

Por último: aqueles senhores todos que pertencem ao tal Conselho Superior, muitos deles autarcas, estão confortáveis com tudo isto? Já se demarcaram ou estão a fingir-se de mortos? Em especial, os autarcas, que batem com a mão no peito a falar de liberdade e democracia. Tenham vergonha. Eu preferia borrar a cara de merda…

Três perguntas ao senhor Comendador

André Saramago

Três perguntas ao senhor Comendador:

  1. Quantos sócios do Sporting sabem o que quer dizer “Revogação Colectiva”?
  2. Quantos sócios do Sporting irão confundir, no momento do voto, a palavra “Revogação” com “Renovação”?
  3. Quantos votos pensava o senhor Comendador ganhar com este truque?

Vasco Lourenço – Maiorias e minorias: Uma lição leonina

BLOGGER CONVIDADO – VASCO LOURENÇO

 

 

Depois das eleições legislativas de 27 de Setembro passado, o país anseia que os vários partidos consigam encontrar uma solução política, que permita constituir um governo minimamente estável.

Para isso, face à inexistência de uma maioria absoluta, é indispensável que a MAIORIA e as diversas MINORIAS se entendam, no essencial. É isso que os Portugueses exigem a todos: que a Maioria saiba ouvir as minorias, aceitando parte das suas posições e que as Minorias se não convençam, porque são necessárias, que se podem transformar em maioria, determinando o essencial do resultado final.

Essa, é uma das essências da Democracia.

Na assembleia-geral do Sporting Clube de Portugal (SCP) de 13 deste mês de Outubro, assistimos ao que considero uma verdadeira e autêntica lição de democracia.

Porque participei nessa acção, porque desejo esclarecer certos pontos, que levaram alguns a “enfiar uma carapuça” que lhes não era dirigida, mas, fundamentalmente, porque há que aproveitar o sucedido para fazer pedagogia aos políticos deste nosso Portugal, recordo o que ali se passou.

Em assembleia-geral anterior, o então Conselho Directivo do SCP viu chumbada uma proposta que considerava imprescindível para a sua política. Fez “ouvidos moucos” às posições das minorias existentes, teimou em manter a sua proposta inalterada e, apesar de obter a maioria dos votos, não alcançou a maioria qualificada, que os Estatutos do clube impõem para as decisões que estavam em causa. Resultado, não conseguiu ver aprovada a sua proposta.

 

Depois das eleições legislativas de 27 de Setembro passado, o país anseia que os vários partidos consigam encontrar uma solução política, que permita constituir um governo minimamente estável.

Para isso, face à inexistência de uma maioria absoluta, é indispensável que a MAIORIA e as diversas MINORIAS se entendam, no essencial. É isso que os Portugueses exigem a todos: que a Maioria saiba ouvir as minorias, aceitando parte das suas posições e que as Minorias se não convençam, porque são necessárias, que se podem transformar em maioria, determinando o essencial do resultado final.

Essa, é uma das essências da Democracia.

Na assembleia-geral do Sporting Clube de Portugal (SCP) de 13 deste mês de Outubro, assistimos ao que considero uma verdadeira e autêntica lição de democracia.

Porque participei nessa acção, porque desejo esclarecer certos pontos, que levaram alguns a “enfiar uma carapuça” que lhes não era dirigida, mas, fundamentalmente, porque há que aproveitar o sucedido para fazer pedagogia aos políticos deste nosso Portugal, recordo o que ali se passou.

Em assembleia-geral anterior, o então Conselho Directivo do SCP viu chumbada uma proposta que considerava imprescindível para a sua política. Fez “ouvidos moucos” às posições das minorias existentes, teimou em manter a sua proposta inalterada e, apesar de obter a maioria dos votos, não alcançou a maioria qualificada, que os Estatutos do clube impõem para as decisões que estavam em causa. Resultado, não conseguiu ver aprovada a sua proposta.