Sem rumo

“Don’t argue with me, Hemingway,” Miss Stein said. “It does no good at all. You’re all a lost generation, exactly as the garage keeper said.”
— Hemingway, “A Moveable Feast

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Felizmente, o jornal A Bola deixou de ter Vítor Serpa ao leme dos seus destinos. De facto, não lembra a um cacodemónio ter como timoneiro, num Portugal moderno, uma pessoa que faz a apologia da resistência silenciosa como forma de luta: quer em abstracto, quer, obviamente, no caso concreto, em relação ao AO90.

Além disso, trata-se de alguém que interpreta como geracionais comportamentos sui generis de indivíduos também eles, no seu direito, peculiares. Ora, o comportamento de Bruno de Carvalho é exclusivamente dele e não conheço estudos com amostras da população nascida em 1972 (da qual também faço parte) através dos quais se demonstre que os actos concretos indicados por Serpa relativamente a Carvalho sejam representativos de um comportamento geral da nossa geração.

Quanto à lógica dos raciocínios de Serpa, divirto-me, confesso, no labirinto do texto de despedida. Sabemos que eterno significa aquilo que não há-de ter fim, que dura sempre (se teve principio ou não, essa é outra questão). Todavia, no tal Portugal moderno há pouco mencionado, ler no mesmo texto “nenhum poder deve ser eterno” e “mais de trinta anos depois de ter assumido o cargo” dá-me tanta vontade de rir como a diferença entre a grafia anunciada e a grafia adoptada pelo jornal A Bola.

Serpa deixou de ser director, é certo, mas as recaídas, graças a Zeus e a todos os deuses, mantêm-se.

Desejo-vos uma óptima semana.

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As viúvas do outro senhor não mudam….

Ali para os lados do twitter anda a rapaziada a discutir umas coisas sobre o ex-presidente do Sporting e a namorada e o Big Brother Famosos. Entre os partidários de uma senhora intitulada “Pipoca mais Doce” e os partidários de Bruno Carvalho a coisa está mais bélica que a fronteira da Ucrânia. De repente, foi lançado um morteiro deste calibre:

O tempo passa mas as viúvas do outro senhor não mudaram nadinha. É o que temos.

Conversas Vadias 46

Na quadragésima sexta edição das Conversas Vadias, vadiaram António de Almeida, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, João Mendes e Orlando Sousa. Os temas rondaram a guerra do PP espanhol, Ayuso e Casado, detectives, máscaras e luvas, Bruno de Carvalho, a crise da Ucrânia e os caminhos da Europa, Bolsonaro e Lula, a decisão do Tribunal Constitucional que ordenou a repetição do acto eleitoral no círculo da Europa, os votos do emigrantes, a lei eleitoral, o clássico Porto/Sporting e as suas confusões. No fim, e como sempre, as sugestões: [Read more…]

Conversas Vadias
Conversas Vadias
Conversas Vadias 46
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Como assim, o Big Brother deu merda?

Como assim, o Big Brother é um degredo que não tem razão de ser sem polémica e violência?

Como assim, o Bruno Carvalho é tóxico e conflituoso, e foi precisamente por isso que foi escolhido para o programa?

Como assim, o modelo de negócio da TVI assenta no sensacionalismo, no escândalo e na exploração de emoções primárias?

Como assim, a Cristina Ferreira indigna-se e denuncia de casos de violência doméstica na sua revista e no programa da tarde, para depois pactuar com eles enquanto membro do Conselho de Administração da TVI, Directora de Entretenimento e apresentadora do Big Brother? Querem ver que a self made woman da Malveira é uma hipócrita?

Fui apanhado de surpresa, confesso. Não estava nada à espera destas informações dramáticas. Serão verdadeiras?

Frederico Bruno Varandas de Carvalho

A declaração à imprensa de Frederico Varandas no final do jogo entre o FC Porto e o Sporting é um verdadeiro tratado de manipulação. Expectável e até compreensivo.

O ainda presidente do Sporting vive na angústia e no medo. Não é fácil ser presidente de um clube do tamanho do Sporting, o terceiro maior clube português tendo contra si a principal claque do clube, a Juventude Leonina. Uma claque conhecida pela sua violência, cujos acontecimentos de Alcochete vieram apenas sublinhar o que todos no mundo da bola já sabiam. Ora, Varandas ganhou as eleições com um discurso duro contra os membros desta claque a quem apelidava de guarda pretoriana do anterior presidente, Bruno de Carvalho. Após a sofrida vitória, procurou cortar o mal pela raiz. A juventude leonina nunca lhe perdoou. Mesmo com a vitória no campeonato a coisa amainou mas não acabou. Temos que ter a noção de que não é fácil para a família de Varandas conviver com o medo, com as constantes ameaças e o perigo que é estar na mira dos elementos mais violentos do futebol. Quem conhece o mundo das claques dos grandes clubes percebe melhor do que estou aqui a falar.

Ora, Varandas precisava desesperadamente de algo que fizesse aproximar as partes. É preciso encontrar um inimigo e transforma-lo em inimigo comum. A vitória nas próximas eleições internas está mais que garantida mas a paz com os elementos mais violentos do clube ainda está longe. Ou estava. 

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O Conde das Forças Armadas e a velha questão do Criador e da Criatura

Ontem foi dia de jogo grande. O que começou por ser um jogo de futebol, acabou numa batalha campal. No jogo jogado vimos uma equipa a tentar ganhar, o FC Porto e outra a procurar não perder o campeonato logo em Fevereiro. Pelo meio um árbitro sofrível que conseguiu prejudicar as duas equipas. Propositadamente? Não me parece. Não é fácil para ninguém este tipo de jogos. E se os jogadores falham…

Não vou discutir a grande penalidade não assinalada nem o amarelo mal dado. Não. Nem vou discutir a batalha campal final. Foi feia? Foi. Mas quem não? Caso único? Não. Nem é um exclusivo nosso e nem será a última vez.

Depois de tudo isto ter acontecido e quando as coisas estavam mais calmas, com os dois treinadores a colocar água na fervura e ambos a explicar que tinha sido uma vergonha e que todos tinham culpa no acontecido, o presidente do Sporting vai à conferência de imprensa e acrescenta gasolina a um fogo que estava quase extinto. A que propósito? O “Conde das Forças Armadas”, no seu subconsciente, não acredita na capacidade da sua equipa para recuperar os seis pontos de atraso. Só isso justifica o triste papel representado. Um bom exemplo do “calimerismo” nacional que tantas vezes o Fernando Nabais descreveu aqui no Aventar.

Os adeptos do Sporting gostam? É possível. Bater em Jorge Nuno Pinto da Costa é um dos desportos preferidos de muito boa gente. Culpar o FC Porto de tudo e um par de botas, também. O problema é saber se resulta. Não me parece. Até pela forma como o FC Porto se une nestes momentos. Só que não deixa de ser de uma irresponsabilidade tremenda. Um momento ao mais puro estilo Bruno de Carvalho.

O Conde das Forças Armadas fartou-se de criticar o seu antecessor mas ontem provou que é uma mera cópia do outro. Os longos tempos em que trabalharam juntos, em que Varandas tanto o bajulou para depois o deixar cair com estrondo não foram inocentes. O que ontem vimos foi a criatura. O criador está no BB Famosos. Tudo farinha do mesmo saco.

Conversas vadias 11

Os vadiolas voltaram a reunir-se, munidos de telemóveis e computadores, para a vadiagem semanal. Fernando Moreira de Sá, António Fernando Nabais, António de Almeida, Orlando Sousa, Francisco Miguel Valada, José Mário Teixeira e João Mendes reuniram-se para discutir os seguintes temas: Carlos Moedas, política maiata, Sporting Clube de Portugal, Pedro Pinho, Café Ceuta, CarboSidral, Café Imperial, McDonald’s, framboesas, salsichas de aves, Bruno Nogueira, aliás, perdão, Bruno de Carvalho, gravidezes, desconfinamentos, confinamentos e até houve tempo para a expressão alemã Jemandem Honig um den Bart schmieren. Enfim, a conversa vadia do costume. A vadiagem terminou com sugestões de livros (Rui Correia, Marco Neves), músicas (Rui Reininho), comidinha da boa (o nosso Orlando é uma enciclopédia) e vinho maduro tinto do Douro. Até para a semana.

Conversas Vadias
Conversas Vadias
Conversas vadias 11







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Conversas vadias 9

A nona edição das “Conversas vadias”, contou com António Fernando Nabais, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando de Sousa, António de Almeida e Francisco Salvador Figueiredo, que vadiaram à volta de José Sócrates, fotocópias, ecologia, Fernando Medina, António Costa, Estaline, Abrantes, Salgueiros, Nixon, Mourinho, Sporting, Marcelo Rebelo de Sousa, papagaios, capitalismo, microfones, Andarilho, Paula Bobone, Pamela Anderson, Bruno de Carvalho, gravidez, eleições autárquicas, Vila Real de Santo António, e, claro está, o tirano Francisco Moreira de Sá.

Conversas Vadias
Conversas Vadias
Conversas vadias 9







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Quando Seixas da Costa, o embaixador pistoleiro, andava aos tiros a jornalistas

Depois de ter chamado javardo a Sérgio Conceição, aos portistas e aos sportinguistas apoiantes de Bruno de Carvalho, o embaixador Seixas da Costa veio admitir que provavelmente não escolhera bem as palavras.

É uma constante, de resto, na vida desta personalidade pouco diplomática: a má escolha das palavras e das acções.

Que o diga o jornalista Simões Ilharco, que em 1975 levou um tiro. Seixas da Costa deixou-o entre a vida e a morte.

Muita sorte teve Sérgio Conceição. Desta vez, o embaixador pistoleiro ficou-se pelas ofensas verbais.

Pouco certeiro no tiro a Ilharco, que ainda assim escapou, Seixas da Costa foi bem mais certeiro nos seus disparos politicos. Com um único tiro junto do ICOMOS, assassinou a Linha do Tua em nome de uma barragem que interessava a muita gente.

Interessava ao Governo PS, que em 2017 o nomeou para o Conselho Geral da RTP. Interessava à construtora Mota-Engil, que o convidou para administrador da empresa. Interessava à EDP, que também o convidou para seu administrador.

É hoje tudo isso e ainda administrador da Jeronimo Martins e opinador em tudo o que é sítio.

Não há almoços grátis e Seixas da Costa sabe-o melhor do que ninguém. Ele e a generalidade do PS, que neste tipo de promiscuidades consegue ser ainda pior do que o PSD.

Os outros? Os outros são uns javardos.

 

 

 

Francisco Seixas da Costa é um javardo


Francisco Seixas da Costa até nem parecia ser um mau embaixador. Mas é – sejamos claros! – um javardo. Deixemo-nos de eufemismos. E os políticos que se revêem no seu estilo são isso mesmo – uns javardos.
Para além de javardo, é cobarde. Atira a pedra e esconde a mão. Não gostou que lhe respondessem à letra no Twitter, vai daí fez-se de calimero (como se os primeiros insultos não tivessem partido dele) e a seguir bloqueou a sua conta.
Para além de javardo, não sabe escrever. Revêem-se escreve-se com dois e. Com um e, fica revêm-se – se não sabe o que significa, pergunte ao seu colega Jorge Ritto.
Quando penso em Francisco Seixas da Costa, penso num dos coveiros da Linha do Tua. A mando de Sócrates e de Mexia, prestou junto do ICOMOS um trabalho essencial para a construção da barragem e para a destruição de uma das mais belas linhas férreas do mundo. Espero que tenha sido recompensado em conformidade.
Entretanto, muito atento ao fenómeno futebolístico, ficamos a saber por si que os adeptos do FC Porto são javardos e que todos os sportinguistas apoiantes de Bruno de Carvalho também o são. De fora da sanha javarda de Francisco Seixas da Costa fica Luís Filipe Vieira. Pelos vistos, o discurso por ele proferido na Assembleia Geral do Benfica há pouco tempo – «Não comprámos o filho da puta de um resultado», «Jorge Mendes não tem um caralho de um jogador, caralho» ou «Isso é merda» – não é suficiente para ser apelidado de javardo.
Pois é, senhor embaixador, o respeitinho é muito bonito.

A procuradora malcriadona…

… que até faz parecer o ex-líder da Juve Leo, Fernando Mendes, um tipo respeitável.
Não admira. É preciso não esquecer que os procuradores do Ministério Público são aqueles que tiveram a pior nota no exame do CEJ. Podiam ter chegado a juízes, mas nunca passaram de procuradores.
Embora, como é óbvio, a educação não se compre. Podes até chegar a presidente da República, não é por isso que serás mais educado do que o mais pobre que te elegeu.

A detenção de Bruno de Carvalho é a vergonha da Justiça portuguesa

Não vou aqui discutir os acontecimentos de Alcochete, porque não é isso que está em causa. Desde o início, pareceu-me que tinha sido o presidente do Sporting o mandante da invasão.
A questão é outra. A detenção de Bruno de Carvalho durante quatro dias prova mais uma vez que, em Portugal, os poderosos nunca têm problemas com a Justiça. Nem sequer são importunados. Se o forem, é só depois de perderem o poder. Foi assim com Vale e Azevedo ou com José Sócrates. Foi assim com Ricardo Salgado. Foi assim com Bruno de Carvalho.
Alguém acredita que, se José Sócrates continuasse como primeiro-ministro, algo teria acontecido? Ou se o BES não tivesse caído? Ou se Vale e Azevedo e Bruno de Carvalho continuassem a ser presidentes do Benfica e do Sporting?
Alguém acredita que, se Jorge Nuno Pinto da Costa já não fosse presidente do FC Porto na altura do Apito Dourado, as provas e as escutas recolhidas não teriam servido para incriminar – em vez de, devidamente validadas e consideradas, como realmente foram, terem servido para inocentar?
Alguém acredita que Luís Filipe Vieira, que se dá ao luxo de nem sequer responder à Justiça, alegando crises de amnésia e fugindo para o estrangeiro, só não está preso há meses, nem sequer foi ainda constituído arguido, porque é presidente do Benfica? Alguém acredita que algum dia vai sê-lo?
Em Portugal, a Justiça não é cega e tem dois pesos e duas medidas. Tal como a generalidade dos governantes, é fraca com os poderosos e forte com os fracos. Num país corrupto, muito pior do que a Itália, a Justiça portuguesa é uma vergonha.

«Medidas de coação de Bruno [de Carvalho] e Mustafá»

Tradução: «medidas de acto ou efeito de coar de Bruno de Carvalho e Mustafá» ou «medidas de porção de líquido coado de Bruno de Carvalho e Mustafá».

O peculiar Bruno de Carvalho

Que me desculpe quem ficar aborrecido, mas só me ocorre uma coisa: face ao diz que disse que não disse que disse de Bruno Carvalho, só me ocorre que esta é a versão Trump em jeito nacional. Depois de ter dito ontem que, afinal, nunca foi sportinguista e que deixou de ser sócio, hoje afirmou que vai impugnar a Assembleia Geral de ontem e que se vai recandidatar. Este percurso errático faz-me lembrar Trump, que não tem escrúpulos em dizer uma coisa e o oposto, se preciso até no mesmo discurso. Eu não sou pessoa de bola, mas não posso deixar de sentir pena ao assistir ao definhar de uma organização centenária. É, também, uma oportunidade para sublinhar a imensa mediocridade que envolve o futebol no geral, que estica os seus tentáculos à política e aos negócios. Este caldinho tem todos os ingredientes para correr mal.

Três perguntas ao senhor Comendador

André Saramago

Três perguntas ao senhor Comendador:

  1. Quantos sócios do Sporting sabem o que quer dizer “Revogação Colectiva”?
  2. Quantos sócios do Sporting irão confundir, no momento do voto, a palavra “Revogação” com “Renovação”?
  3. Quantos votos pensava o senhor Comendador ganhar com este truque?

Meanwhile, in Singapore

Desculpe, senhor juiz, mas ele abriu a carteira e não pude deixar de o assaltar

Enquanto os holofotes mediáticos nos entretêm com o circo, o governo entreteve-se a não zelar pelo interesse nacional.

Entretanto, voltado ao tema do post, Costa, não destoando dos seus antecessores, aposta em resolver os problemas com mais legislação. Sempre fica mais simples dar a entender que a causa do problema é a ausência de legislação do que explicar porque é que a legislação existente não é aplicada.

O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]

O jornal Record é mentiroso

Bruno de Carvalho não sublinha “objetivos“. Bruno de Carvalho  refere “objectivos“. Muito bem, Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho no rumo certo.

Há uma grafia rasca em Portugal

Quem te não viu anda cego

Zeca Afonso

DOC: Symptoms, ma’am, symptoms.

SALEM: Symptoms!

SONNY: Things that show on the outside what the inside might be up to.

— Sam Shepard, “La Turista

O penalty é penalty.

— Rodolfo Reis. 27/8/2017

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Durante as férias, depois dos arredores de Putzu Idu, algures em Portugal, porque era efectivamente sábado e se calhar havia vento de Gibraltar,

Algures em Portugal, Agosto de 2017

apareceu-me este texto de Vítor Serpa, director do jornal da irresponsável resistência silenciosa.

En passant, acho deliciosa a avaliação “excelente”,

feita pelo director do jornal A Bola, de um trabalho “apresentado com rigor”, [Read more…]

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Há uma grafia rasca em Portugal







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Efectivamente, não pode ser

The people ahead of them are shooting up to the stratosphere, and then comes the scapegoating.

Noam Chomsky

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Amigo atento enviou-me esta primeira página, com palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990. É sabido, desde d’Andrade e Viana, que a ‘rutura’, além de inventada, é “injustificada”. Contudo, ei-la.

Além disso, tratando-se do presidente da direcção do Sporting, a grafia correcta é ‘ruptura’.

Exactamente.

Aliás, como é sabido, pelo menos desde que se leu aquilo que ainda há pouco escrevi («palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990»), no Brasil, [Read more…]

Os incendiários mandam no quartel dos bombeiros

O futebol, goste-se ou não, é um fenómeno social com um peso desmesurado na vida da tribo. É importante, claro, ir educando os elementos da tribo no sentido de darem menos importância ao futebol e, sobretudo, às respectivas ramificações, como sejam os inúmeros programas de aparente debate em que cada lance, repetido dezenas de vezes, é considerado gravíssimo ou inócuo, conforme a cor do comentador.

Na verdade, verdadinha, sobre futebol pouco ou nada se diz. Em teoria, é um desporto praticado por duas equipas de onze; na prática, os únicos agentes desta modalidade são os árbitros. Como se isso não bastasse, os adversários passaram, de facto, a ser inimigos, com reflexos que vão desde insultos até mortes, numa confirmação de que somos homo mas sapiens não e muito menos sapiens sapiens.

Neste fim-de-semana, depois de um intenso Sporting-Benfica, Luís Filipe Vieira veio acrescentar uma mangueirada de gasolina a um incêndio que lavra imparável, sem extinção à vista. Segundo o que percebi, Bruno de Carvalho convidou o presidente do Benfica para assistirem juntos ao clássico, na tribuna do Estádio de Alvalade. Por uma vez, parece-me que o presidente do Sporting teve um gesto nobre, que, de tão raro, faz pensar na atitude do pobre diante de uma esmola demasiado grande. Aceitar-se-ia, portanto, que Luís Filipe Vieira, depois de ter sido mandado “bardamerda” em conjunto com todos os que não são sportinguistas, entre outros mimos, tenha recusado o convite. [Read more…]

A escolha de Bruno de Carvalho

João Borba

Ontem, se tivesse votado nas eleições do Sporting, votaria em branco.

Bruno de Carvalho fez um mandato de 4 anos globalmente positivo.

– Voltámos a ser “algo” no panorama nacional
– Voltámos a ter uma equipa competitiva
– A dívida está reestruturada (mas até 2025 temos metas financeiras bastante exigentes)
– Voltámos a ter casas cheias em Alvalade
– Estamos a rentabilizar a maior parte do ativos, em particular no ano passado com as vendas fantásticas de Slimani e João Mário
– O número de sócios aumentou
– O Pavilhão João Rocha está quase aí (e eu contribuí, com todo o gosto)
– Apesar de não estar no ponto, melhorámos muito em termos de scouting
– No Futsal somos os reis disto tudo
– Uma ligeira melhoria nas restantes modalidades, em particular no andebol.

Mas existem outros tristes episódios negativos que têm de ser uma lição para melhorar: [Read more…]

No rumo certo

bruno carvalho.png

O meu grande Amigo Francisco (porque amigos presentes como o Francisco como o Ricardo, como o João, como a Ana, como o António, como o Fernando, como a Eva, no fundo como todos os que tenho aqui nesta grande família que é o Aventar, escasseiam) tinha razão quando aqui escreveu que Bruno de Carvalho estava no rumo certo.

Efectivamente.

Uma grande “sova”, pá. De Sportinguismo, em primeiro e único lugar. Estamos mais vivos que nunca.

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Eleições no Sporting: O milagre da multiplicação

18 755 votantes, 83 244 votos. Este é que é o verdadeiro milagre.

Luis Filipe Vieira; as mil formas de coacção e o ódio, aquele sentimento visceral

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Vi com a máxima atenção a entrevista exclusiva que a CMTV levou a cabo na noite de ontem a Luis Filipe Vieira. Pela primeira vez concordei com algumas das posições do presidente do Benfica, apesar de continuar a discordar do seu método de actuação.

Cumpre-me saudar o facto do presidente do Benfica ter sido um dos primeiros dirigentes senão mesmo o primeiro a admitir que um erro de arbitragem beneficiou o seu clube, mesmo apesar da habitual (clássica) tentativa de spin para o lance do penalty que ficou, a meu ver, injustamente por marcar em Setúbal. Continuo a acreditar, em questões de arbitragens que não existem erros admissíveis assim como continuo a acreditar piamente que em relação ao meu clube, indiferentemente da postura mansa ou agressiva dos nossos presidentes e dirigentes, existe (factualmente) uma postura por parte da arbitragem, dos seus dirigentes e das influencias que historicamente os movem ou moveram uma intenção deliberada de errar para o segregar e para o excluir das vitórias. Se acredito que existem árbitros que erram por clubite aguda ou por instruções de terceiros? Se acredito que existem encomendas? Claro que acredito. Faz parte do futebol. O que não faz parte do futebol é errar sempre para o mesmo lado. Tanto erro, para o mesmo lado, é uma evidência clara de um futebol altamente viciado, que a continuar assim, diga-se a bom da verdade, irá afastar investidores e consumidores.

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Carlos Pinho mente! Reposição pública da verdade

carlos-pinho

“Sabe que sou uma pessoa que também me controlo” Carlos Pinho, presidente do Arouca, ontem, em declarações à Rádio Renascença (2º ficheiro na peça; minuto 0:46)

Em primeiro lugar, voltemos a repor as imagens captadas pelas cameras de video vigilância do local do acontecimento ocorrido entre Bruno de Carvalho e Carlos Pinho nos corredores de acesso aos balneários do Estádio José de Alvalade

Momento 1: Carlos Pinho vem acompanhado do balneário do Arouca e vai direito a Bruno de Carvalho com o braço no ar. Segue-se a troca de argumentos e a tal cuspidela de que queixa o presidente do Arouca nas declarações proferidas ontem à Rádio Renascença. Até concordo que indiferentemente do acto, se foi uma cuspidela ou uma simples libertação de vapor para a cara do presidente do Arouca, o acto em si foi uma tremenda falta de educação e de bom senso do presidente do Sporting.

Momento 2: Já libertado da confusão, o presidente do Arouca, continua obviamente emocionalmente “controlado”. O controlo das suas emoções era tanto e tão visível que passa imediatamente a agredir o assistente de recinto desportivo que o tentou acalmar e afastar da confusão.

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Pedro Madeira Rodrigues – descubra as diferenças

pedro-madeira-rodrigues

1. Jorge Jesus

Aquando da apresentação da sua candidatura a 27 de Dezembro de 2016 “Jorge Jesus é o treinador do Sporting. Tudo farei para não prejudicar ou influenciar a carreira desportiva do Sporting. Tenho esperança de que ainda com Jorge Jesus seremos campeões esta época”

Ontem: «Isso reforça aquilo que eu já sabia, que o projeto que quer continuar a apoiar é o de Bruno de Carvalho e não o meu. É um descanso para os sportinguistas porque sabem que, a partir de 5 de março, vão ter alguém diferente a treinar a equipa. Não há qualquer dúvida»

No dia 22, em declarações à TVI 24: “Não vou pagar nem mais um tostão, ele vai pedir a demissão. O Sporting já pagou muito dinheiro a Jesus para termos a Supertaça e agora termos de o ouvir dizer que vamos lutar pelo segundo lugar. O Jorge Jesus vai-se demitir, não tenho qualquer dúvida. O projeto de Jorge Jesus acaba dia 4 de março. Eu não vou ter de o indemnizar.

Hoje, em declarações: “Vamos ter um treinador melhor do que este. Lembro-me de não dormir quando Jesus disse que uma arbitragem vergonhosa tinha sido ‘limpinho, limpinho. Jesus é um homem de carácter e saberá como sair pelo seu próprio pé”

Como é que um treinador que vai sair pelo seu próprio pé, o que de resto não vai acontecer, a 5 de Março, poderá vir a ser campeão no final desta temporada?

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Não me venham falar de virgens ofendidas – o Sporting merece mais respeito!

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O golo bem validado ao Marítimo na 1ª parte. Denote-se que num lance destes, o árbitro tem que estar atento obrigatoriamente a dois pormenores.

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Na 2ª parte, o mesmo auxiliar, no mesmo ângulo de visão, com uma linha espacial de passe bem menor do que aquela que tinha na 1ª parte para analisar no lance do golo do Marítimo, com Bast Dost no campo de acção directa do olhar (enquanto que no lance do Marítimo, o árbitro tinha que estar atento a dois pormenores: ao momento do passe a 40 metros de distância da linha defensiva e ao posicionamento dos homens que estavam dentro da área) viu um fora-de-jogo inexistente e o árbitro João Pacheco só decidiu apitar quando viu que Ruiz tinha ultrapassado Charles, encontrando-se completamente isolado para dar o toque final…

A minha pergunta de partida para este post é a seguinte: Se o lelé da cuca Madeira Rodrigues for eleito e o Bruno de Carvalho e o Jorge Jesus forem queimados em praça pública como se fazia no tempo da Inquisição, fazem o favor de nos deixar em paz?

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Bruno de Carvalho no rumo certo

quando escreve projecto. Bruno de Carvalho no rumo errado quando escreve técnico-tático. Prefira-se o rumo certo.