Emigrar, pois claro

Desde o início que este Governo afirmou que, entre outras coisas, queria reduzir a despesa pública, aumentar as exportações, melhorar a balança de pagamentos e diminuir o desemprego. Sendo assim, a melhor maneira de fazer tudo de uma assentada é promover a emigração.

Com gente a emigrar, temos menos povo a encher hospitais, a pedir subsídios ou a fazer despesa ao Estado. Poupa-se no Serviço Nacional de Saúde, poupa-se na Segurança Social, etc. É só poupar.

Depois, exporta-se aquilo que cada vez há mais: desempregados. Ao exportar, não só diminuímos o desemprego, como ainda se melhora a balança de pagamentos quer pelas próprias exportações quer pela remessa de poupanças dos emigrantes para Portugal. Até mesmo porque fica sempre cá alguém da família. Sim, porque há sempre gente teimosa.

Até se deveria reformular o lema da diáspora, para “Emigrar é preciso. Viver não é preciso”. Os tempos mudam, e os lemas também deviam mudar.

Pela primeira vez há uma verdadeira política de emigração. Aliás, política de incentivo à emigração. E numa altura em que tanta gente fala que há falta de estímulo e de incentivos.Com a emigração não faltam novos horizontes. São horizontes a perder de vista. Não falta mundo.

Antigamente, nos tempos idos de Salazar, que era muito bom gestor e sabia fazer contas, e de Caetano, que até gostava de conversar com as famílias portuguesas, nem um nem outro deu palavras de incentivo a emigrar. As pessoas tinham de ir por iniciativa própria, sem uma palavra de estímulo, nem nada. Ao menos, agora, há um Governo solidário. E as pessoas ainda reclamam. Com franqueza!