Um excendente de pobrezinhos na Comporta

Fotografia: Joaquim Norte Sousa@Expresso

Um excedente de 1,3 mil milhões nas contas do terceiro trimestre da Administração Pública é o mais recente conseguimento do CR7 do Eurogrupo, Mário Centeno. O resultado, revela o Expresso, é fruto de um crescimento de 5,4% da receita (que é como quem diz os nossos impostos mais umas taxinhas), superior aos 2,2% registados do lado da despesa (parcialmente cativada). Mas um tipo olha para aquilo e pensa “Porra, para quem está habituado e ver tudo no vermelho, um excedentezinho não é nada mau!”.

O que sucede? [Read more…]

Carta ao Sr. Menezes – em Gaia há mais uma cratera

Sr. Menezes, chegou mais uma!cimpor

Encarrega-me o remetente postal da missiva em dívida – uma sociedade do Luxemburgo, segundo se sabe – de dar conhecimento a Vossa Excelência da decisão judicial.

Sim, é verdade – Vila Nova de Gaia e os gaienses continuam a pagar a sua gestão municipal descuidada, incompetente e sem respeito pelas normas da lei e do bom senso. Desta vez, são uns míseros 3.63 milhões de euros pelo colocação de um sinal de proibição!

Parece-lhe pouco? Daria para 6849 meses de salário mínimo, ou seja, para 570 anos de salário a um trabalhador ou, até para pagar um funcionário em cada escola do Concelho durante 5 anos!

Espere! O senhor Luís Filipe está a achar pouco porque a condenação inicial passava os 32 milhões, é isso? Pois, mas sabe, na Câmara está alguém que procura gerir com cuidado o dinheiro que é do povo, embora a nova gestão seja obrigada – pelos erros do passado – a recorrer a um mecanismo de saneamento financeiro para tentar ganhar algum futuro.

Se aos  14 milhões da outra carteira, se juntarem estes 3,6 começa a ficar mais clara a qualidade da sua gestão que nos levou até aqui.

Mas, já que estamos numa de abertura, permita-me a pergunta: não acha que este sinal ficou um pedacito caro?

Não lhe parece que seria adequado Vossa Excelência sentar o dito cujo onde é devido, para prestar contas, porque se é verdade que a Democracia o castigou na Invicta, não é menos verdade que as facturas continuam a cair do lado de cá do rio?

Sou quem sabe, até à próxima factura,

Padrões

Regressa a discussão do aeroporto e a redução da TSU está em cima da mesa.  Se aparece uma nova parque escolar fica provado que Sócrates voltou.

O eleitoralismo aqui ao lado

Governo espanhol apresenta proposta de OE 2016 de onde se destaca o aumento da despesa na Educação, em políticas activas de emprego e nas transferências para Catalunha (10%). E claro que a ascensão do Podemos e do Ciudadanos não tem nada a ver com isto.

Já sabemos que Portugal não é a Grécia

mas os dois lideram, em conjunto, o ranking dos países da OCDE onde a despesa das famílias com saúde mais aumentou. Coincidências claro, que o nosso SNS está que é um espectáculo. Que o digam as urgências dos hospitais públicos.

Jotas por bilhetes e outros despesismos

JSD Paranhos

Fonte: Tesourinhos das Autárquicas 2013

A poucos meses das últimas Autárquicas, a JSD Paranhos promoveu um evento marcado por um interessante “estímulo”: por cada 5 militantes que os já militantes trouxessem para o núcleo, a JSD Paranhos oferecia um bilhete diário para a Queima do Porto. E, justiça seja feita, todos os jotas que conseguiram atingir o objectivo mereceram aquele bilhete. Aliás, trata-se de uma enorme demonstração de lealdade para com a estrutura: convencer cinco amigos a entrar para a JSD a troco de um simples bilhete que valeria uns 10€ não justifica o esforço e roça a exploração.

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Laranja do Algarve é que não

O problema do nosso país não teve a sua origem apenas no lapso de Paulo Portas ou na carta de Vítor Gaspar. O erro tem concentradopelo menos dois anos e foi assinado, de cruz, por todos os portugueses que votaram neste conjunto de incompetentes.

Digamos que esta semana foi apenas a apresentação pública do sumo concentrado que tem estado na base da bebida servida pela TROIKA aos Portugueses. Palpita-me que o sumo tinha acabado e Cavaco, talvez a pedido da Maria, mandou vir mais um frasco de concentrado. Para que tudo fique na mesma, claro.

E dentro do frasco original, vinha um bando de gente mal preparada que chegou ao governo achando que tudo se resolvia cortando. Dois anos depois está mais que provada a falência da receita – temos mais desempregados, maior dívida e o défice com um valor historicamente elevado. O problema, repito, não está em saber se Paulo fica ou sai, se o Gaspar tinha razão ou, até, se foram os  Professores que provocaram esta confusão no governo. A receita do sumo está errada e, além do sabor, temos que deixar os sumos concentrados e passar a servir um sumo natural de frutas nacionais, pêra rocha, por exemplo. Laranja do Algarve, por causa das confusões, será de evitar.

Cavaco Silva e os seus boys têm uma intenção clara – permitir aos grupos económicos a entrada na Saúde, na Educação e na Segurança Social. E, só vão desistir, quando o conseguirem. É por isso, que não podemos continuar a beber este sumo de segunda. Portugal e os portugueses precisam de voltar a ter economia e para isso o mercado interno tem que voltar a ser uma aposta central do governo. Não podem continuar a cortar nos salários e nas aposentações – podem, por exemplo, dispensar todos os assessores e agências de comunicação que por estes dias encheram os jornais, as televisões e a blogosfera de pseudo-informações. Fica a sugestão…Mas, mais laranjas é que não.

Impostos, receita e despesa 1977-2013

 

A infografia original e o respectivo texto de análise podem ser consultados aqui.

Não há pachorra para idiotas

como os que gabam o corte orçamental “na despesa”. Foi o meu subsídio de férias, ó filhodaputa.

Augusto Santos Silva e as despesas de um Pasquim

Augusto Santos Silva, ex-Ministro da defesa escreve no seu mural do Facebook:Imagem do perfil do Facebook de Augusto Santos Silva

“O total de pagamentos efetuados com o cartão de crédito que utilizei como ministro da Defesa foi de 2.954,39 euros (dois mil, novecentos e cinquenta e quatro euros, e trinta e nove cêntimos). Considerando que estive 20 meses nesse lugar, isto dá uma média mensal de 147,72 euros (cento e quarenta e sete euros, e setenta e dois cêntimos).”

Este facto mostra como é imbecil a forma como um pasquim vestido de jornal continua a correr atrás de fantasmas!

Emigrar, pois claro

Desde o início que este Governo afirmou que, entre outras coisas, queria reduzir a despesa pública, aumentar as exportações, melhorar a balança de pagamentos e diminuir o desemprego. Sendo assim, a melhor maneira de fazer tudo de uma assentada é promover a emigração.

Com gente a emigrar, temos menos povo a encher hospitais, a pedir subsídios ou a fazer despesa ao Estado. Poupa-se no Serviço Nacional de Saúde, poupa-se na Segurança Social, etc. É só poupar.

Depois, exporta-se aquilo que cada vez há mais: desempregados. Ao exportar, não só diminuímos o desemprego, como ainda se melhora a balança de pagamentos quer pelas próprias exportações quer pela remessa de poupanças dos emigrantes para Portugal. Até mesmo porque fica sempre cá alguém da família. Sim, porque há sempre gente teimosa.

Até se deveria reformular o lema da diáspora, para “Emigrar é preciso. Viver não é preciso”. Os tempos mudam, e os lemas também deviam mudar.

Pela primeira vez há uma verdadeira política de emigração. Aliás, política de incentivo à emigração. E numa altura em que tanta gente fala que há falta de estímulo e de incentivos.Com a emigração não faltam novos horizontes. São horizontes a perder de vista. Não falta mundo.

Antigamente, nos tempos idos de Salazar, que era muito bom gestor e sabia fazer contas, e de Caetano, que até gostava de conversar com as famílias portuguesas, nem um nem outro deu palavras de incentivo a emigrar. As pessoas tinham de ir por iniciativa própria, sem uma palavra de estímulo, nem nada. Ao menos, agora, há um Governo solidário. E as pessoas ainda reclamam. Com franqueza!

Ainda bem que não somos a Grécia

Parece que os Gregos aldrabaram as contas públicas. Nós não. Nos últimos 10 anos apenas pegámos em quatro fundos de pensões e usámos esse dinheiro para compor o défice.

  • Ferreira Leite, 2003: fundo de pensões dos CTT
  • Bagão Félix, 2004: fundo de pensões da CGD
  • Teixeira dos Santos, 2008: fundo de pensões da PT
  • Vítor Gaspar, 2011: fundo de pensões de quatro principais bancos nacionais

Só uma dúvida. Quando as pessoas destas empresas se reformarem, adivinhem de onde é que vai sair o dinheiro destas reformas…. da Segurança Social, claro. Cheira-me que alguém vai ter uma surpresita.

Será este Orçamento uma machadada final nos Ferraris em Portugal?

Para mim, será um regresso às carroças. É que foi tal o esforço do governo em cortar na despesa que,  em boa lógica, não irá ser possível deparar com novos ferraris e outros “príncipes” de quatro rodas, das nossas estradas. A não ser que o orçamento se tenha camuflado de falácias manhosas de forma a tudo ficar como dantes, quartel general em Abrantes.

Como há um novo governo a esforçar-se por ter pose de Estado, somos levados na onda da sua pretensa virgindade política, e pensar que o rumo vai mesmo ser outro, e para melhor.

Mas a malta anda escaldada. E embora nos esforcemos por tentar ver em Passos Coelho, e seu governo, gente bem intencionada, não os vimos cursar deontologia, e a dúvida ficará sempre no ar.

Mas isso seria o menos, caso os srs do governo não fossem daqui a nada, como é muito provável que vão, comprar o último modelo BM, e mudar do T3, onde moram há anos, para “o T5”, sito, algures, num condomínio fechado, desenhado por Siza Vieira.

Cunha Ribeiro

«Antes quebrar do que torcer» mas sem nos afundar, s.f.f.

Não vou estar com meias palavras. Quem votar PS nas próximas eleições estará a subscrever o rumo que o governo deu ao país. E que rumo é esse?

A seguir, um gráfico sobre o constante caminho para o presente beco.

PIB e despesa: 1997-2010

PIB e despesa: 1997-2010 (clicar para ampliar)

Leiam-se os factos, esqueça-se a politiquice. Como o próprio admitiu, Sócrates tem um carácter de «antes quebrar do que torcer». O problema é que quebra mas primeiro leva-nos ao fundo.  Não conte comigo para tal.

image

imagem adaptada daqui

Leilão de Quarta

Cassandra

Na próxima quarta-feira vamos pedinchar mais 1250 milhões de euros, se tivermos sorte.

Vai ser necessária sorte porque o juro que nos está a ser imposto já é quase insustentável, se aumentar muito não conseguiremos comprar todo o dinheiro que queremos.

Se não obtemos o dinheiro que queremos, ficamos impossibilitados de fazer mais estradas, aeroportos ou TGVs, as remodelações de interiores nos gabinetes ministeriais ficam limitadas às requisições de obras de arte aos museus nacionais, os motoristas deixam de puder estar “on-call” vinte e quatro horas por dia (quem irá levar os putos à escola!?), vai ficar complicado encomendar cinquenta estudos a empresas de amigos por cada decisão a tomar, os militares ficam sem brinquedos novos, a PSP deixa de puder comprar blindados para cenários de guerrilha, e por aí adiante até à náusea (para reforçar a ideia, não deixem de ler isto).

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O estado do Estado

DN  Sex. 7 de Jan. 2011DN Sáb. 8 de Jan. 2011 DN Dom. 9 de Jan. 2011

O Diário de Notícias, frequentemente referido em tom zombeteiro por "Diário do Governo", está a publicar uma sequência de artigos sobre o Estado português. A leitura destes textos resulta num misto de masoquismo e de fingida incredulidade, esta derivada da pergunta sobre porque raio se passou a última campanha eleitoral legislativa a discutir o casamento gay e as obras públicas em vez disto.

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Poupar 1000 milhões é fácil

Ricardo Rodrigues, o deputado dos gravadores, alinha com a posição do seu partido e diz que as propostas do PSD para o orçamento implicam uma "perda" (!) de receitas na ordem dos mil milhões de euros e pergunta onde se vai buscar esse dinheiro.

É simples:

  • não gastar 408 milhões em publicidade
  • usar os 400 milhões que afinal não vão para a Mota-Engil
  • poupar 200 milhões na iniciativa "Redes de Nova Geração"  do Plano Tecnológico (eu também quero um Porsche mas não tenho dinheiro)

E ainda sobram 8 milhões para termos o leite com chocolate com, no máximo, o mesmo IVA de uma garrafa de vinho tinto.

Simples, não é?

O "Minister of Administrative Affairs" à portuguesa

Despesa do Estado, previsão para 2010imageNo gráfico mais à esquerda, saído ontem no Público, podemos ver (clicar para ampliar) que a maior das despesas do Estado consiste em cobrar os impostos (finanças) e administra-los (administração pública). Uma despesa muito superior aos gastos com a saúde ou com a segurança social ou com a educação. E sete vezes maior do que os gastos na justiça.

Isto é, a grande despesa do Estado consiste em fazer com que a administração do Estado exista. Ninguém vê nada de errado nisto? Nem se vislumbra onde cortar na despesa? Que tal começar pelo "monstro" dos 12.828 milhões de euros?

Sir Humphrey Appleby e o seu Minister of Administrative Affairs Jim Hacker tomaram conta deste país.

Onde cortar na despesa?

Portugal precisa de quem puxe pelo país Na passada sexta-feira ouvi o primeiro-ministro dizer em Nova Iorque que preferia uma redistribuição fiscal (leia-se aumento de impostos) a cortes na saúde, na educação e no estado social.

Esta declaração é fantástica. Em primeiro lugar diz-nos que os impostos irão aumentar e em segundo que só na citadas três áreas é que há espaço para cortes na despesa. Ficamos a saber que os governos civis não vão fechar, que a imensidão de institutos, fundações e empresas municipais que duplicam a administração pública continuarão como até aqui e que o patrocínio estatal de actividades comerciais como computadores, construção de estradas e demais obras públicas não será contido.

Recorre-se ao medo e fica tudo na mesma. Excepto para os tais 15% que contribuem para 85% da receita fiscal, que sentirão, uma vez mais, os impostos mais pesados e a carteira mais leve.

PECaminoso!

Aumentar os impostos sejam directos ou indirectos; retirar o 13º e 14º mês; aumentar os preços dos bens e serviços essenciais, como a água, electricidade, saúde, medicamentos, transportes, combustíveis, produtos alimentares, tudo tem a mesma finalidade: retirar dinheiro dos bolsos dos contribuintes.

Cortar na despesa seria eliminar serviços, fundações, funções inúteis que é o que há mais neste Estado rançoso e untuoso, cortar nas pensões acima de uma determinada verba, acabar com o multiemprego que é outra coisa que prolifera na função pública e nas empresas do Estado; cortar nas verbas afectas a despesas de representação ( os cartões de crédito usados sem limite ou mesmo com limite), viagens ( no orçamento deste ano na rubrica “deslocações” dos senhores deputados há um aumento de 25%); cortar nos fornecimentos, papel, tinta, luz, água, aquecimento, ar condicionado; nos motoristas, nas secretárias, e nos contínuos, redireccionando-os  para onde façam falta.

Os automóveis de alta cilindrada às dúzias nos ministérios, cada ministro ou secretário de Estado tem dois ou três, nas direcções-gerais, juntando-as entre as que fornecem “meios” e as que realizam “fins”, por exemplo, juntar secretarias-gerais, recursos humanos, finanças, informática, compras,, consultores, juristas , economistas, engenheiros e outros; e “os fins” as que fornecem serviços directamente ao cidadão.

Extinguir as milhentas “comissões” que só servem para pagar “senhas de presença” e que andam em roda livre, não apresentando qualquer resultado, como se viu agora com a “comissão das contrapartidas dos submarinos”, a verba que lhe foi atribuída esgotava-se nos vencimentos dos três administradores, nada fizeram, nada apresentaram, nada detectaram…

Sócrates devia ser chamado à Justiça!

Mentiu mil vezes aos portugueses e às instituições financeiras internacionais, mil vezes negou o que era uma evidência, arrastou as obras públicas até que os mercados financeiros internacionais lhe negaram o dinheiro necessário! Dinheiro que a semana passada chegou a custar 9% para o nosso país, tal é o crédito, a confiança e a credibilidade de que gozamos!

Colocou o país na pior situação de sempre, a saída é a do costume, mais impostos e cortar nas despesa social, o que está em jogo são 2 Mil Milhões de euros qualquer coisa como dois meses em doze de despesa!

A partir de Maio vamos começar a trabalhar para nós e para a família, até agora estivemos a trabalhar para os gestores mais caros do Mundo, para os políticos mais incompetentes, para a Justiça mais ordinária, para as empresas mais “sugadoras”…

O que é preciso para chamar à responsabilidade um homem público? Sabemos das obras entregues sem concurso aos amigos, os Contentores de Alcântara cujo contrato é um assalto à mão armada, a adjudicação de autoestradas à socapa, o TGV de Caia ao Poceirão que não serve para nada, os negócios BCP, BPP,BNP, PT/TVI nunca explicados, a OPA anulada da Sonae à PT, sucatas…

O que estará escondido e que virá à luz do dia quando, enfim, se for sentar num qualquer lugar de Administração numa destas empresas monopolistas, com o seu diploma de engenheiro tirado ao Domingo?

PEC – aprovado ?

Algumas frases da Comissão Europeia acerca do fantástico PEC português que, como habitualmente, vai fazer escola:

” A crise global apanhou a economia portuguesa numa fase de crescimento anémico, que dura há quase uma década, reflexo de debilidades estruturais, em especial de uma baixa produtividade e de um baixo potencial crescimento”

“Uma melhoria sustentada dos resultados económicos requererá ajustamentos consideráveis”

” Para diminuir o desequilibrio externo será necessário rebalancear as bases do crescimento económico, reorientando-as para o sector exportador através de ganhos estruturais de competitividade e de menores custos laborais por comparação com os seus parceiros comerciais”

“Para além de acabar com as medidas temporárias de estímulo à economia, a Lei do Orçamento para 2010 não apresenta novas medidas mensuráveis de consolidação orçamental”

” A evolução do rácio da dívida deverá ser menos favorável do que a projectada no PEC”

” O recurso crescente a parcerias público.privadas deu origem a tantas obrigações financeiras futuras (nomeadamente com impacto para além do período abrangido pelo PEC) que deveriam estar previstas medidas de sustentabilidade fiscal no quadro de planos a longo prazo”

” As previsões de crescimento de receita e de contenção de da despesa podem ser dificeis de alcançar com base nas medidas anunciadas, e isso pode já acontecer já em 2010.”

Entretanto, chegam-nos lá de fora notícias que Portugal está na calha para ser o próximo objectivo dos especuladores, atentos à fragilidade da situação económica-financeira, que Sócrates nos vende como um exemplo a seguir.

Qual seria o seu PEC ?

PIB – 160 mil milhões

Despesa corrente (vencimentos ) 80 mil milhões

Apoios sociais – 5 mil milhões

Deduções IRS – 1.2 mil milhões

Dívida pública – 90 % do PIB (90%x160 mil Milhõesx2%) veja o que paga só em juros/ano!

Desemprego – 10% da população activa ( 600 000 pessoas)

Défice – 9.4%

Aumentava os impostos? Atacava a dívida, a despesa corrente ou o desemprego? Aumentava a dívida para fazer os megainvestimentos?

Ajudava a Grécia a sair da crise? Como? Onde vai buscar o dinheiro para ajudar ? (a esta só responde se não souber responder às anteriores)

O governo é um fingidor! (mas não é poeta)

Álvaro Santos Pereira, economista e docente na Simon Fraser University, analisa assim, o PEC:

Sinal mais : As privatizações e previsões económicas realistas!

Sinal menos: Este é um PEC fingidor. Finge-se que o investimento público baixa, mas mentêm-se as parcerias público-privadas. Finge-se que as despesas com o pessoal descem, mas esquece-se que estas têm baixado principalmente porque se transformaram os hospitais em  empresas do Estado. Finge-se que se atacam os problemas estruturais da despesa pública, mas a consolidação orçamental é conseguida sobretudo com o aumento da carga fiscal efectiva e com as receitas das privitizações.

Acima de tudo, este é um PEC que adia mais uma vez a resolução dos problemas estruturais das contas públicas nacionais!

Orçamento: governo não mostra o jogo

Constâncio já veio dar o pontapé de saída. O déficite tem que ser dominado já em 2010. Isto traduzido quer dizer que o governo vai tentar  a) controlo das despesas b) o investimento sabemos que não c) aumentar impostos,d) vender património e empresas

O a) sabemos qual é o resultado, não é controlado nada, pelo menos ao nível que seria necessário. o b) investimento, sabemos que pelo contrário, o governo não desarma dos mega-investimentos, o que virá aumentar a dívida e com taxas de juro cada vez maiores. Resta o c) aumentar impostos, e para ser rápido e pouco doloroso vai ser o IVA, o d) já pouco há a vender e os tempos não estão para compras.

Isto é o habitual, o Estado precisa de dinheiro vai buscá-lo ao bolso dos contribuintes!

Andou a utilizar o dinheiro dos contribuintes para fechar buracos na banca, resultantes de negócios especulativos e , a mais das vezes, fora da lei, mas com governos destes a música é sempre a mesma.

Hoje, na imprensa, já apareceram as vozes do costume, é preciso estabilidade, deixar passar o Orçamento, a Oposição não pode cair em tentação…

Ora, o que resta da margem de manobra política, tem que ver com a dívida, e esta tem que ver com os mega-investimentos, e estes têm contra, o Presidente da República e o PSD e, a favor, com nuances, o PS e o PCP e o BE.

O CDS está numa embrulhada quer investimentos mas para as PME, vai dar uma no cravo e outra na ferradura?

E o PCP e o BE com a dívida monstruosa, vão escolher o quê? Mais dívida? É por tudo isto que o PS e o governo não mostram o jogo!

Pelo menos atrasar os mega investimentos em TGVs, manda o bom senso que seja a a medida a tomar, mas contra o bom senso temos a fome insaciável das grandes empresas e dos gabinetes de advogados e consultores, e a Banca!

Hoje, já se fala sem rebuço, no congelamento de salários na função pública como única forma de conseguir suster a despesa. Milagres não há e, no nosso caso, também não há mérito, pelo que vamos assistir a trocas entre investimentos que não se fazem já, e cortes nos salários dos trabalhadores.

Como todos previam e que só Sócrates e o seu séquito, negavam. Mas o que tem que ser tem muita força, e o momento da verdade mais tarde ou mais cedo, chega. Vai chegar com o Orçamento!

Merkel baixa impostos

Na Alemanha, para relançar a economia, a senhora Merkel vai baixar os impostos. Os Liberais com quem fez coligação para governar, devem ser os pais da medida.

 

O primeiro objectivo é que a maioria da população tenha mais dinheiro para consumo interno,daí que seja nas classes com menos dinheiro disponível, onde o imposto baixará mais,  no sentido de o dirigir para o consumo.

 

E, para manter o déficite, com menos receita, onde vai cortar na despesa? Despedimentos na função pública?

 

Nós aqui em Portugal, começamos logo por ter um déficite muito superior ao anunciado pelo governo, que se fica pelos 5.9%. Ninguem acredita neste número, andará pelos 9%, se a desorçamentação da despesa escondida nas parcerias público/privadas e empresas públicas (com as de transportes à cabeça) regressarem ao orçamento, numa política de verdade.

 

A gestão política do orçamento já começou, escondendo a despesa e o déficite real, e esta aventura nunca deu bons resultados. Tudo indica que teremos mais uma vez uma fuga para a frente, com um orçamento expansionista, pese embora a dívida pública ser já uma calamidade nacional.

 

Taxar as classes mais altas e transferir a receita assim obtida, para as classes mais baixas, pode ser uma tentação.

 

O caminho é muito estreito. Vamos lá ver de quem é a culpa desta vez!