«Como me tornei sociólogo» ou «My first job»

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

O mais recente romance do hilariante David Lodge, "A Vida em Surdina", tem como personagem principal um surdo. Não se tratando a sua de uma surdez absoluta, é suficientemente incapacitante para dificultar qualquer tipo de relacionamento com outros seres humanos. Lodge descreve com a minúcia e graça habituais as dificuldades com que se depara um surdo nos nossos dias, e destaca a estranha comicidade que tendemos a encontrar na surdez (e basta pensar no pitoresco das inúmeras personagens surdas de que a ficção se tem valido), em contraponto com a cegueira, que é sempre trágica. Não imaginamos, diz Lodge a certo passo, Édipo, acabado de escutar a terrível verdade sobre Jocasta pela boca do oráculo, a furar os tímpanos. Um Édipo surdo não produziria o mesmo horror que esse cego de olhos brancos, abandonando Tebas para o exílio. Mas afinal, o que há de jocoso na surdez? Já estiveram na casa de um ancião surdo? Eu estive recentemente e não pude deixar de sentir que a surdez traz já a morte em pequenas doses. O telefone adaptado pisca quando toca, mas basta que se esteja a olhar para outro lado para perder todas as chamadas. De resto, as conversas telefónicas estabelecem-se num volume tão elevado que os interlocutores, incomodados com a gritaria, começam a ligar de forma cada vez mais espaçada. Grande parte das conversas perde-se em fragmentos ininteligíveis e lentamente o surdo começa a desistir de entender. Ensimesmado, despede-se pouco a pouco das relações mundanas, do alvoroço das discussões, da música e do riso. E na algaraviada em que se transformaram as nossas vidas, não estaremos todos nós a ensurdecer? Com quantas pessoas nos cruzamos no dia-a-dia com quem não conseguimos estabelecer nenhuma espécie de diálogo, porque tudo acaba por se resumir a uma sobreposição de dois monólogos? Dizia Shakespeare que a vida é um conto cheio “de som e de fúria” e talvez tudo o resto seja o grande silêncio que reverbera em cada um…

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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