Postcards from Greece #32 (Thessaloniki)

Não sei onde vão os pássaros ao por do sol, em grandes bandos

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que avisto daqui da minha breve varanda em Salónica. Todos os fins de tarde em que estou em casa assisto à dança dos pássaros, centenas deles, voando em grupo ao por do sol, dirigindo-se não sei bem para onde. Nunca soube onde vão os pássaros, nesta azáfama ao por do sol, em parte alguma. É, no entanto, uma coisa digna de ser vista, sobretudo por cima da igreja de São Demétrio aqui em frente e, sobretudo, recortando-se contra o céu que se tinge de cor de laranja ao mesmo tempo que as antenas de televisão.

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Postcards from Greece #31 (Thessaloniki)

Tudo estava calmo esta manhã, após a agitada noite de ontem

 

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Não se via nada que indicasse os confrontos entre manifestantes e polícia (ver postal #30) na Agios Dimitrios, mesmo junto à Universidade. Apenas 3 soldados armados até aos dentes, mas em pose relativamente informal, por mais paradoxal que isto possa parecer, se encontravam em frente ao consulado turco, como sempre. A visita de Erdogan à Grécia que se iniciou hoje* parece também não ter tido grandes efeitos em Salónica. Nem uma manifestação convocada, nem uma concentração agendada, informa-me a página da embaixada dos Estados Unidos que, aprendi ontem, tem separadores especiais para estes eventos, em Atenas e em Salónica. em Atenas parece que houve algumas manifestações, especialmente de curdos protestando contra o terrorismo de Erdogan, chamando-lhe evidentemente ditador. Parece que as conversas entre Erdogan e Tsipras não correram muito bem, com muitas tensões. São séculos de tensões acumuladas entre a Grécia e a Turquia. Relembro que nenhum presidente turco visitava a Grécia há mais ou menos 65 anos. Não sei se é bom sinal que o primeiro presidente turco a visitar a Grécia em 65 anos tenha sido justamente este. Mas adiante. Voltemos a esta manhã, que estava calma. Bebi o café do costume no bar ‘Os Piratas’ e apanhei um táxi porque tinha de imprimir umas coisas antes do Seminário sobre turismo rural em Portugal, aos alunos da Olga, da Maria e da Eleni. Os táxis, já o disse outras vezes, são extraordinariamente baratos na Grécia.

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Postcards from Greece #30 (Thessaloniki)

Potentially violent demonstrations

(fotografias tiradas daqui e daqui)
era o que estava aparentemente anunciado para hoje, embora eu não o soubesse antes de a Giota me ter vindo bater à porta do gabinete, por volta das 3 da tarde. Disse-me que devia sair antes das cinco porque ia haver manifestações e muito provavelmente confrontos entre os anarquistas e a polícia. Perguntei-lhe porque razão. Explicou-me que hoje se assinalava o aniversário da morte de Alexandros Grigoropoulos, um jovem estudante de 15 anos que foi morto em 2008 pela polícia.
 
A área da Universidade era, uma vez mais, uma zona a evitar depois das cinco horas, disse-me a Giota, coisa que confirmei com o segurança do edifício da faculdade, embora ele me tivesse dito que a partir das quatro fechava tudo. Arrumei as coisas e vim para casa. Apanhei o autocarro 16, o que dá uma volta bestial pelo centro e enquanto estava na paragem reparei na enorme quantidade de pessoas que saiam apressadas da Universidade. Reparei igualmente na escassez de trânsito, numa cidade que tem muito tráfego dia e noite. Saí uma paragem antes da Agios Dimitrios, à procura de uma papelaria específica que acabei por não encontrar e fui a pé para casa, depois. A rua estava estranhamente calma.
 

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Postcards from Greece #28 & #29 (Thessaloniki)

‘We are not lucky, it is a right…’

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disse-me o jovem estudante de Economia Agrária, quando eu referi que tinham sorte em não pagar propinas, nem na licenciatura, nem no mestrado nem sequer no doutoramento. Evidentemente fiz o comentário apressadamente e evidentemente o rapaz tinha (tem) absoluta razão. O ensino, em qualquer nível, deve ser gratuito. A educação deve ser gratuita. Ponto. Não é sorte, de facto, é um direito que todos deviam ter. A conversa teve lugar numa sala de aula pequena e pouco equipada da AUTH (Aristotle University of Thessaloniki para os mais esquecidos ou para os que só agora chegaram a estes postais) onde fui terminar o Seminário que aqui há uns dias havia dado noutro edifício, afastado da cidade – a quinta da Faculdade de Agricultura onde, supostamente – porque nada vi nesse sentido – os estudantes terão as aulas práticas de Agronomia. Portanto, eu estava ali na sala pequena da AUTH para terminar a discussão havida nesse outro dia. Quando entrei na sala, a Maria conversava com os estudantes sobre uns seminários e defesas de teses de mestrado e doutoramento a que deviam assistir. Os estudantes, aparentemente – porque a discussão era em grego – estavam incomodados por ter de assistir a cerca de 10 desses eventos.

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Postcards from Greece #25 & #26

Uma missa ortodoxa e um dia perdido

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o dia perdido foi hoje. A missa ortodoxa também. E não há qualquer relação, entre uma coisa e outra, mesmo porque a missa ortodoxa terá sido, provavelmente, a melhor parte do meu dia (e é uma agnóstica que vos escreve o postal).

Ontem fui dar um seminário/aula ao Alexander Technological Educational Institute of Thessaloniki, na Escola de Agricultura onde trabalha a Roula. Choveu todo o dia, tal como hoje, embora não esteja frio. O seminário correu bem, com estudantes muito interessados e participativos. O instituto é ainda mais antigo que a AUTH, ou pelo menos parece, porque tem um ar mais degradado. Ou então foi por causa da chuva que fez com tudo parecesse um pouco mais desolador e triste. Refiro-me aos edifícios e ao campus em geral, não às pessoas. No fim, quase duas horas depois, os estudantes agradeceram-me e um deles, vejam bem, ofereceu-me, assim ‘out of the blue’, uma garrafa de sangria grega. Tinha experimentado e gostado e resolveu trazer-me, ainda que não me conhecesse de lado nenhum, nem nunca me tivesse visto. A φιλοξενία (filoxenía ou amizade aos estranhos, sobre a qual já escrevi noutro postal). Outro estudante disse-me, enquanto fumávamos um cigarro no hall as escadas, dentro do edifício (‘pode-se fumar aqui, sim, e em todo o lado. Na Grécia somos democratas, se queres fumar, porque é que não hás de fazê-lo?’. Pois, nada, a mim parece-me bem) que tinha feito Erasmus em Portugal, no IP de Santarém. Sabia dizer ‘bem vindos’, ‘obrigada’ e ‘de nada’. Disse-me ainda que os portugueses também têm φιλοξενία e eu concordei. Talvez não tanto como os gregos, mas sim, somos hospitaleiros que chegue e os estranhos despertam a nossa simpatia.

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Postcards from Greece #22 to #24 (Thessaloniki)

«e uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder…»

 

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Este é um postal (ou três, porque não tenho tido vontade de escrever ou nada de especial para contar) de Salónica, mas podia, na verdade, ser de qualquer parte, incluindo de casa onde me tem apetecido regressar bastantes vezes nos últimos dias. Em Salónica, há um bocado, leio a notícia da morte do Zé Pedro dos Xutos e Pontapés. Devo ter gostado muito de Xutos há umas boas décadas, depois passou-me como me tem passado muita coisa nestas cinco décadas de existência. Passou-me, quer dizer, continuei a gostar, mas não, por assim dizer, ativamente. Pode ser-se velho demais para gostar de Xutos ou pode-se ser velho demais para ir deixando devagar de gostar de músicas, cidades, pessoas, coisas. Não sei qual das situações é o meu caso, mas creio que também não interessa muito, até porque as duas não são sequer contraditórias. E mesmo que fossem, é disso que somos feitos.

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Postcards from Greece #21 (Thessaloniki)

«Se um dia alguém perguntar por mim…»

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ouvi hoje, passava pouco das 10 da manhã, no café ‘Os Piratas’, aqui na esquina da rua de São Nicolau com a Rua de São Demétrio. Chovia torrencialmente e mal saí de casa fui beber um café antes de apanhar o 16, por causa da chuva, para ir para a AUTH. Lá dentro estava quentinho e o café era menos mau. A senhora ao balcão estava com cara de poucos amigos e bebericava qualquer coisa. A música estava baixa e era variada. Vi um cinzeiro em frente da senhora do balcão e pedi um para a mesa. A senhora tira o vaso das flores de dentro de um potezinho verde alface, que estava a enfeitar a mesa e diz-me para por a cinza ali.

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