Quem tem medo do Facebook?

A pesquisa de motivação, para efeitos de propaganda, é feita, de forma sistemática, pelo menos desde a chamada Segunda Guerra Mundial, embora a suas raízes remontem, na sua fase moderna, ao período de eclosão e disseminação das teorias psicanalíticas de Freud.

A informação assim recolhida e sistematizada tem sido comercializada, traficada e usada em diferentes contextos e por diferentes entidades, públicas ou privadas. Entre essas entidades está a própria Academia, que ensina a Psicologia como método de compreensão, domínio e manipulação do aparelho psíquico individual, e a Sociologia como expansão e aplicação geométrica desse método a aparelhos psíquicos colectivos.

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Postcards from Greece #44 & #45 (Thessaloniki)

«Como me tornei sociólogo» ou «My first job»

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É o título, respetivamente, em Português (do livro ‘Histórias de Verão, Contos de Inverno’, editado pela Asa) e em Inglês (do livro ‘The Man who wouldn’t get up & Other stories’, editado pela Vintage) de um conto de David Lodge, de quem nada leio há imenso tempo, embora tenha lido quase tudo (exceto os ensaios sobre estudos literários e a sua autobiografia saída mais recentemente). O conto é sobre um sociólogo marxista que recorda o seu primeiro emprego, ainda estudante, como vendedor de jornais na estação de Waterloo e a competição pela venda de mais jornais com dois colegas da classe trabalhadora. O aumento da venda de jornais, por causa da competição entre os três, apenas fez com que o patrão aumentasse os seus lucros, sem que os vendedores tivessem tido qualquer compensação. Quando o verão acaba, o estudante deixa o seu trabalho como vendedor de jornais, deixando aos colegas a tarefa interminável de aumentar as vendas. Nessa altura, ele reconhece, como se tivesse tido uma revelação: «eu vi como o capitalismo explora os trabalhadores» e decide tornar-se sociólogo e professor universitário, tomando a decisão com base no facto de a universidade ser um contexto menos afetado «pela ética protestante e pelo espírito do capitalismo», para usar o título de um livro que todos os estudantes de sociologia do mundo lêem, de Max Weber. Mal sabia o estudante ficcional de que algumas décadas mais tarde já não é bem assim… mas adiante.
 

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Redes de conspiração

Não é necessário ser particularmente versado nos mistérios da Sociologia para compreender a importância que as Redes Sociais e as plataformas digitais assumem hoje nos diversos planos da nossa vida comunitária.
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A Sociologia e o País ficaram mais pobres.

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A Sociologia e o País ficaram mais pobres. Tive hoje conhecimento que faleceu, na semana passada, o Professor Doutor Hermínio Martins um importante sociólogo que leccionou vários anos na Universidade de Oxford sendo autor de vários textos de referência sobre o Portugal contemporâneo. É da sua autoria um extenso e inédito livro em que compara as três grandes mudanças de regime que marcaram o país no século XX: a República, o Estado Novo e a Democracia. Paz à sua Alma.

“Os onze poderes do líder”

Quem lê muito, acaba, mais tarde ou mais cedo, por ser capaz de produzir umas frases jeitosas, daquelas que ficam no ouvido. E, se tiver ódios de estimação entre figuras mediáticas, sujeita-se a escrever livros. É uma tentação, e já Oscar Wilde explicava isso muito bem, quando assumia que a única coisa a que não resistia era à tentação. Ora, a tentações, nenhum de nós é imune!

“Os onze poderes do líder” é um livro que acaba de sair. O autor, Jorge Valdano, figura incontornável do Real Madrid como atleta, mas proscrito por Mourinho como director, aquando da sua passagem pela capital espanhola, caiu na mais primária das tentações para ficar ainda mais célebre: mostrar ao mundo que, por mais cultura que se tenha e por mais livros que se leia, hélas, somos humanos e faz parte dessa característica mostrarmos ao mundo quais são os nossos inimigos. Amesquinhando-os. A primeira falácia. [Read more…]

Viver só

Ontem, na revista do Público, uma reportagem sobre quem escolheu viver sozinho, mostrando que “viver só não é necessariamente sinónimo de solidão”.

Não transcrevo as várias histórias narradas (gostei particularmente da história de Nazaré, 83 anos, que sempre viveu na mesma casa…). Transcrevo sim, os dados científicos deste fenómeno que tem vindo a acentuar-se:

“As trajectórias e fases da vida de quem vive sozinho podem ser muito distintas. (…)  Rosário Mauritti, socióloga e autora do livro Viver Só, compara essas realidade. Os idosos começam a viver sozinhos não por opção. E esse viver sozinho tem fases: um autofechamento e depois a descoberta da libertação“, disse à revista 2. Nas mulheres, e nos casos decorrentes de viuvez, é uma espécie de descoberta de que afinal são capazes“, sobretudo as que viveram muito tempo limitadas pelos pais ou pelos maridos. (…)

O número de famílias de uma só pessoa aumentou 37,3% nos últimos dez anos (…). Hoje em dia, em cada 100 famílias portuguesas, 21 são constituídas por uma só pessoa (…). São múltiplos os trajectos sociais de quem vive sozinho. Sejam os idosos que enviuvaram, “os adultos que, por opção, ou não, permaneceram sós e que, podendo já ter vivido em casal, passaram por situações de ruptura conjugal”, ou as novas gerações “em transição para a vida adulta”. “Portugal está na cauda da Europa neste fenómeno por termos menos dinheiro.” Com outras condições económicas, “haveria, entre jovens, sem dúvida, um maior número a viverem sozinhos” (Suécia, 47%, ocupa o topo).

Fala-se aqui de «famílias unipessoais». O tradicional conceito de família está a mudar. É estranho dizer-se família de uma só pessoa…

Coisa feia, a inveja.

Este era o slogan publicitário do Peugeot 307. Devem estar lembrados…

Às vezes sentimo-nos ameaçados pela inveja dos outros tal como o carrinho de pano cosido à mão e cravado de alfinetes do cartaz da marca francesa.  

Alberoni, o conhecido sociólogo italiano, escreve também sobre este tema. Recorro a ele para perceber melhor isto da inveja que «é um sentimento universal»:

As mulheres invejam-se entre si e os homens a mesma coisa. A inveja surge quando nos apercebemos que somos ultrapassados por alguém que estava ao nosso mesmo nível. (…) surge quando não conseguimos competir com ele. Nesse momento temos à nossa frente dois caminhos. Ou aceitamos o seu sucesso (…) ou então começamos a desejar o seu fracasso. Na inveja, renunciamos a agir, renunciamos até à meta. O invejoso, perante as dificuldades da competição, procura destruir o seu ideal. (in O Optimismo, Bertrand, 1995, p. 111-112)

Alberoni aconselha a agir, a fazer melhor, a procurar novos caminhos e a admirar quem foi melhor.

Maria do Carmo Vieira diz o que me apetece dizer

A maior parte dos peritos são uma nulidade, vêm-me impingir coisas que não são debatidas, que não discutem comigo, não vou admitir que uma pessoa em sociologia ou em psicologia me venha dizer como é que eu vou leccionar a Literatura ou o Português, porque eu também não me vou meter com a área dela.

E muito mais diz, no fundo o que um professor que se preze tem a dizer.

Herbert Spencer-Pai fundador da Antropologia-4

o sábio que soube juntar a biologia à sociologia e cunhou a frase a sobrevivência do mais apto

Texto retirado do meu livro O grupo doméstico ou a construção conjuntural da reprodução social, publicado aqui e aqui.

Herbert Spencer, filósofo e sociólogo dos mais notáveis da Inglaterra, nasceu em Derby (27 de Abril de 1820) e morreu em Brighton (8 de Dezembro de 1903).     Herbert Spencer (1820-1903) foi conhecido como um dos pioneiros do Darwinismo Social do Século XIX. Filósofo inglês, recusou a oferta de estudar na Universidade de Cambridge, ganhando mais saber de ensino superior por meio das suas próprias leituras. Como Darwinista Social, colaborou para que a teoria do evolucionismo fosse aceite pelo mundo social fundamentando essa a sua batalha através do seu ensino e dos seus livros O princípio evolutivo baseava-se na ideia de que todo mudava das formas mais simples as mais complexas.

Foi Herbert Spencer quem, de facto, cunhou a frase da sobrevivência do mais forte ou survival of the fittest, noção que desenhava ou indicava uma luta permanente entre as espécies. O resultado foi aplicar a ideia ao facto de que a espécie mais forte ganhava e se multiplicavam e as mais facas, desapareciam ou pereciam. A sua obra Synthetic Philosophy aplicou o processo evolutivo a todos os

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émile durkheim

Émile Durkheim durante a sua época criativa da Ciência da Sociologia

O texto que passo a comentar, refere a obra de Émile Durkheim de 1912: Les structures élémentaires da vie religieuse, Félix Alkan, Paris. Texto editado pela Press Universitaires de France. O livro é um debate entre, Durkheim e Max Müller sobre o animismo e as formas de religiosidade, para se centrar nas formas da vida religiosa da etnia Arunta – também denominada Aranda – de Austrália. No entanto, Durkheim ultrapassa o  tema Central e como as crianças são ensinadas a saber domesticar a natureza, a dominar e a reproduzir. Apesar de ser um cientista muito conhecido, penso que a sua biografia e ideias chaves dêem ser brevemente relembradas: Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858Paris, 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna. [Read more…]

max weber

Após ter escrito sobre os contributos, ou antes, a fundação da Ciência Social por Émile Durkheim e Marcel Mauss e os contributos de Bronislaw Malinowski para o desenvolvimento de ciência, parece-me o mínimo escrever sobre as ideias de um sociólogo, que, por escrever em língua alemã, quase passa desapercebido pelos Ocidentais de fala inglesa e francesa. É verdade também, que a Sociologia e a Antropologia nascem dentro dos parâmetros franco saxónicos, mas se não fosse por Max Weber, que dedicou a sua vida ao estudo da sociologia da religião, pouco ou nada saberíamos das formas criticadas por Marx sobre a acumulação capitalista. Marx nunca leu Weber, nasceram e faleceram em diferentes quartéis do Século
XIX. Enquanto Weber nascia Maximillian Carl Emil Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864 — Munique, 14 de Junho de 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia, Marx organizava em Londres a Primeira Internacional ou OIT, estava a preparar a o seu livro mais importante, O Capital.

O Capital Weber, no entanto, estudou a obra de Marx e criticou a teoria materialista na que Marx baseava a sua crítica à acumulação do capital. Para Marx, essa acumulação era o resultado do valor a mais ou mais-valia, que rendia a fabricação de mercadorias para o proprietário dos meios de produção. Essa mais-valia definida por Marx em 1862 e 1863, como o excedente bruto que rendiam as vendas dos bens para o capitalista ou industrial: pela mercadoria, era pago ao produtor do bem um salário fixado previamente, na base de horas trabalhadas e não da quantidade de bens produzidos nem o preço com que eram vendidos no mercado. [Read more…]

solidariedade

Este conceito não foi criado por mim. Em 1883, Émile Durkheim definia a solidariedade como o apoio e coordenação de pessoas entre si. Nemhuma sociedade seria capaz de funcionar se não houver apoio mútuo. Bem sabia Durkheim que essa solidariedade era uma ilusão, como socialista que era. Ideologia Socialista Democrata aprendida das suas leituras da obra de Karl Marx e de trabalhar com outro socialista, bem mais avançado do que ele, Marcel Mauss. Durkheim apoiava a igualdade no seu texto acima citado e lutava pela abolição da propriedade privada, como refiro num livro escrito por mim em 2008: O Presente, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade, Afrontamento, Porto. Porque acabar com a propriedade privada? Porque dividia à sociedade em classes: os que tinham bens e os que nada tinham. Estes, trabalhavam para os primeiros por um salário que nem permitia alimentar a família.

O Grande Mestre lutou em favor dos que nada tinham e escreveu o livro de 1883, intitulado De la division du travail social. Étude sur lórganization des sociétés supérieures, editado por Félix Alcan, Paris. O que ele denomina sociedades superiores, refere a sua própria forma de organizar a sua vida na França, a sua Nação. Não é despreçar aos já conhecidos povos de uma outra forma de organizar a vida, denominados Nativos,povos que ele estudava e analisava, comparando as suas formas de vida como a dos franceses e outros povos europeus. A sua conclusão foi simples: havia dos tipos de solidariedade, a organizada pelo Direito, e a espontânea ou denominada por ele forma mecânica ou de apoio mutuo espontâneo. A dele, era solidariedade orgânica, por outras palavras, organizada pelo Direito e pela Economia. O seu texto é um debate com Adam Smith, como sabemos, sobre o seu livro de 1776: A riqueza das Nações. [Read more…]