Férias: contagem decrescente

Quem trabalha tem direito a descansar. E este ano, parece-me, todos trabalhámos muito mais, sem, contudo, recebermos na proporção certa. Mas enfim… Adiante.

As férias não são um luxo, nem um escape. São uma necessidade.

Com tanta austeridade, só faltava agora tirarem-nos os poucos dias de férias que nos cabem por direito e mérito! Qualquer dia nem férias temos…

As férias são «sagradinhas» e há até um certo stress em querer que elas sejam perfeitas. Os dias de gozo são tão poucos. Há que aproveitá-los da melhor forma.

Procuramos fazer um corte radical com o trabalho e com a rotina. Deixamos tudo pronto antes de partirmos. Este «partir» não significa, porém, e cada vez mais, ir para longe. Mas, de facto, uma certa distância de casa faz toda a diferença.

As férias aproximam-se para a maioria dos portugueses. Há pequenas coisas que nos falam desse tempo maravilhoso que todos aguardamos. Estou a lembrar-me dos chinelos de dedo (que prazer tê-los nos pés); do café que se vai tomar a seguir ao almoço, sem correrias; do pequeno-almoço que nos permitimos, de vez em quando, tomar na padaria mais próxima; dormir mais um pouco de manhã (o despertador também vai de férias para dentro da mesinha de cabeceira), relaxando, aos poucos, o nosso relógio biológico (coisa difícil); etc.

Para mim estes são os primeiros sinais das queridas férias. Já falta pouco…

Queira alargar esta lista!

Obrigada!

Crime, diz ele

Perante o vídeo que demonstra inequivocamente que tudo no Chiado começa com uma carga policial completamente desproporcionada, logo ilegal, Diogo Duarte Campos mete os galões de advogado e diz que um crime é sempre um crime. Pois é. Assim a correr até eu, que desisti de Direito e seus dogmas sebenteiros, vejo vários crimes: abuso de autoridade, violação da liberdade de imprensa, agressão, e…

“Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública”

Diogo Duarte Campos faltou à aula de Direito Constitucional que tratou do artigo 21º. Só pode, que mesmo a cegueira da direita na defesa da polícia (ou seja, do velho tríptico Deus Pátria Autoridade) em toda e qualquer circunstância, não justifica tanta cegueira. E estão com azar: o único detido acaba de ser absolvido. Pelo tribunal, a quem compete, ou o julgamento deveria ter sido feito pela PSP?

Direito à greve, à democracia e à crítica

O direito à greve está legitimado pelo Art.º 57.º (Direito à greve e proibição do lock-out) da CRP e subsistiu em 2005, quando da última revisão constitucional, com os votos de uma maioria qualificada; ou seja, com reiterada aprovação do PSD, agora no governo, uma vez que, em anteriores ocasiões, esse partido já havia expressado idêntico consentimento parlamentar.

Trata-se, pois, de um direito que, à luz do normal funcionamento da vida democrática e da CRP, é reconhecido aos trabalhadores. O que pode questionar-se, no âmbito direito da liberdade de expressão também constitucionalmente reconhecido, são os motivos, a oportunidade e os objectivos de realizar uma greve, mais a mais geral como a de hoje.

Na minha opinião, legitimamente diferente de outras, apenas discordo quanto à oportunidade e resultados. Tratando-se de um instrumento de luta fundamental, na conjuntura de relações laborais em revisão e favoráveis ao patronato, esse direito não deve ser utilizado gratuitamente; sob o risco de descredibilizar a acção grevista, à qual, diga-se, muitos dos trabalhadores do sector privado estão impedidos de aderir, por receio de retaliação por parte de administradores e patrões. [Read more…]