Braga, o Medo e o Respeitinho

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A AUTO-CENSURA é mais tenebrosa que o MEDO?*
(o tema é mesmo supermercados)

Um grupo de cidadãos reúne-se em Braga (“a terceira cidade de Portugal“) para discutir a implementação em curso de (mais) um supermercado numa zona consolidada da cidade.
A dar eco deste debate sobre urbanismo e qualidade de vida na cidade está presente a Rádio Universitária do Minhowww.rum.pt

Na cidade, publicam-se os dois únicos jornais diários de todo o Minho, o Diário do Minho – de assumida inspiração católica, – e o Correio do Minho – assumidamente inspirado por quem quer que queira pagar.
Na terceira cidade de Portugal, nenhum dos dois jornais diários aqui publicados optou por dedicar um único parágrafo a um debate sobre urbanismo (mau urbanismo, na minha opinião).
Será porque a autarquia, convidada, declinou o convite para se fazer representar?
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O esgoto jornalístico e a hipocrisia do velho regime

OP

A “liberdade de expressão e de imprensa”, na concepção da Direita e dos jornais que apoiam as causas de Direita, funciona assim:
– Se vários jornais, incluindo jornais de referência, como o Público, mentem nos artigos, manipulam os números nos artigos, ou usam subterfúgios semânticos desonestos nos artigos para corroborar a tese que eles próprios subscrevem, trata-se de um saudável exercício de liberdade de expressão e de imprensa.

– Se cidadãos, com ou sem filiação política, exigem a correcção dos erros e mentiras dos artigos e reivindicam a objectividade e isenção que deontologicamente deveriam pautar a actividade jornalística, já não se trata de liberdade de expressão e de imprensa, já passa para o campo dos safados da Esquerda que, alegadamente, lidam mal com a liberdade de imprensa.

É curioso, mas, objectivamente, chegámos mesmo ao distópico e paradoxal momento da história em que exigir rigor e isenção jornalística é classificado como censura e opressão aos jornais.
Vivemos num momento em que a desinformação do esgoto jornalístico, que é o Correio da Manhã, consegue ser o projecto jornalístico com maior exposição do país e em que o folhetim da extrema-Direita, o Observador, habitualmente troca de directores, jornalistas e opinadores com estações públicas e privadas de notícias. E, no entanto, se alguém de Esquerda ousa questionar esta esmagadora predominância da Direita na comunicação social, os spin doctors do costume invertem o problema e dizem que a Esquerda tem um problema com a liberdade de expressão e de imprensa. E há malta que cai mesmo nesta nova caça às bruxas, numa espécie de Macartismo renascido.
Irónico, não é?

Irónico e simples de perceber, não é?

Via Uma Página Numa Rede Social.

A cruzada pela manipulação da opinião pública

LdI

O Correio da Manhã celebrou o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa com este simpático truque. A cruzada pela manipulação da opinião pública avança, gloriosa, com pepperoni e extra-queijo. Aplausos!

Imagem via Os Truques da Imprensa Portuguesa

Em memória de Goebbels

Imprensa

A União Europeia meteu os ditos no sítio e tomou uma decisão inédita para contrariar o ímpeto totalitário do governo polaco que é conservador mas que aparentemente não é radical. O objectivo é dialogar com o país para tentar reverter a sua deriva extremista de querer controlar a imprensa estatalcondicionar a acção do Tribunal Constitucional. Caso o diálogo não resulte, a Comissão Europeia pondera a aplicação de sanções.

A resposta do governo polaco não se fez esperar. Pela voz do ministro da Justiça Zbigniew Ziobro, o executivo de Varsóvia acusou o vice-presidente da Comissão, Frans Timmermans, de “persuasão de extrema-esquerda“. Resta saber se Bruxelas terá com os polacos o mesmo músculo que demonstrou ter com outros povos rebeldes do sul da Europa. Contudo, não deixa de ser curioso que o país que no passado foi invadido e massacrado pela Alemanha nazi se veja agora em apuros por querer ressuscitar a memória de Goebbels. A história tem destas ironias.

Liberdade de informação: ainda o caso Cofina

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(c) Shannon Stapleton/Reuters
Julho de 2011. Empregadas de hotelaria em manifestação junto ao Palácio de Justiça de Nova Iorque

Sim, “as trevas do fascismo” (designadamente o autoritarismo e a censura) pesam ainda na natureza profunda de um povo habituado a comer e a calar o que lhe estende uma elite que a democracia não conseguiu transformar em capazes representantes desse povo, antes tendo-se regenerado através dos serviços que tem prestado a todos menos a esse povo. Passados mais de 40 anos, as marcas desse tempo demasiado ainda estão presentes nos lugares mentais de todos: dos que detêm o poder, com a naturalidade perpétua de ser assim, numa sociedade fortemente desigual (herdeira de um feudalismo que prossegue determinando composições sociais que negam a mobilidade social que a democracia justamente favorece), e dos que o sofrem, pois o poder exerce-se quase sempre contra o Outro, mesmo quando se diz dele que é representativo. Trata-se de um padrão humano, que em Portugal toma a forma de característica constitutiva.

Vêm estas considerações histórico-político-filosóficas ainda a propósito do caso Correio da Manhã (CM) e da proibição decretada por um tribunal de toda e qualquer publicação relativa ao caso Sócrates no conjunto de títulos detidos pelo grupo Cofina. Considerada excessiva – entre outros por mim própria neste texto –, a medida censória choca pela aparente desproporção da sua abrangência. [Read more…]

Afinal havia outro (precedente grave)

Uma providência cautelar de um jornalista do Correio da Manhã contra O Independente (2004).
Daqui.

Democracia e liberdade de informação

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(imagem Rui Tukayana/TSF)

A proibição de publicação no Correio da Manhã (CM) e demais órgãos de comunicação social detidos pelo grupo Cofina de notícias ou outros conteúdos informativos sobre a investigação que prossegue no DCIAP ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é um evidente excesso. Um excesso censório que atenta contra a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito à informação.

Podemos não gostar do jornalismo que é praticado pelo CM, considerar que peca por manifesta falta de isenção e pluralismo, e também por excesso de perseguição política a determinados actores e/ou sectores da sociedade portuguesa, isto é, por falta de imparcialidade – condição do jornalismo deontologicamente auto-enquadrado, o único que aceitaríamos legítimo num mundo idílico, onde para além de jornalismo tablóide e sensacionalista não houvesse também médicos esquecidos do juramento de Hipócrates, advogados a soldo, etc.

Podemos considerar que esse jornalismo cabe na categoria do entretenimento mediático ou que é propaganda, por evidente e reiterada manipulação da informação e dos dados e factos que a sustentam, omissão de contraditório, anulação de adversários, violação do segredo de justiça, etc., práticas que revelam um exercício deliberado de desinformação, em favor da manutenção de audiências populares. [Read more…]