Marcas lapidares (2)

Artigo do jornal  La Tribune
15 de Abril de 2019, 9h12
Tradução*

 

Grande Debate: esta noite [15 de Abril de 2019], Macron joga com os franceses o II Acto do seu mandato

Depois de passar 100 horas a debater com os franceses sem nunca revelar nenhuma de suas intenções, o Chefe de Estado finalmente decide, nesta segunda-feira [15 de Abril de 2019] às 20H00, apresentar os seus “projectos de acção prioritários e as primeiras medidas concretas” para responder à crise dos “Coletes Amarelos”. Há rumores que sugerem que “mudanças profundas serão lançadas”. O presidente da República joga forte. O presidente do Senado, Gérard Larcher, alertou que o presidente “não teria uma segunda oportunidade”. A pressão é, portanto, máxima para esse discurso, que deve revisitar um mandato em perda de velocidade.

 

Macron II Acto: Depois de aumentar as expectativas, Emmanuel Macron revela segunda-feira à noite aos franceses as suas respostas ao grande debate e à crise dos “Coletes Amarelos”, com a obrigação de convencer e não comprometer a continuação da sua presidência.

Sobretudo porque o Chefe de Estado joga forte também no plano internacional, enfrentando desafios como o Brexit, as eleições europeias em Maio e ainda a abertura das negociações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos.

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A metamorfose Le Pen


O velho discurso da Frente Nacional varrido para baixo do tapete. O populismo seduz, oferecendo às pessoas a solução para todos os problemas sem grande esforços, deixando os partidos tradicionais encostados às cordas. Em França os socialistas radicalizam à esquerda, perdendo o centro e qualquer possibilidade de conquistar votos à direita numa eventual passagem à 2ª volta. O candidato do centro-direita enredado na costumeira teia da corrupção e compadrio. Marine Le Pen dá voz aos que não querem ver o problema que muitos franceses consideram ser a islamização de França, confundindo a maioria dos muçulmanos com alguns extremistas que têm praticado atentados terroristas. Promete endurecer penas de prisão para crimes graves, introduzir a pena de prisão perpétua, regressar ao Franco como moeda nacional e apresentar leis económicas proteccionistas, aliás o programa económico tem muitas semelhanças com as ideias do PCP ou BE, ou não fosse a extrema-direita semelhante ao marxismo…
Tenho para mim que, ou E. Macron atravessa sem escândalos este período e consegue o voto dos que acreditam na Liberdade e Democracia, ou veremos a França ser o próximo país a cair na intolerância e com ele muito provavelmente ruirá a Europa…