Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (3)

Numa reunião do comité central do PCP, realizada em Agosto de 1963, verificou-se uma grave dissidência entre a linha, estalinista, ortodoxa, a corrente maioritária, a de Álvaro Cunhal, e uma minoritária, liderada por Francisco Martins Rodrigues. Sendo insanável a divergência, este, acompanhado por outros elementos daquele órgão dirigente, abandonou o partido, acusando a linha dominante de ser «meramente eleitoralista».

Em Abril de 1964, esse dissidentes criaram a FAP- Frente de Acção Popular, através de cujo órgão de imprensa (o Luta Popular) defenderam a acção armada como única via de derrube do regime salazarista. Em 1965 os principais dirigentes e outros militantes foram presos pela PIDE. Porém seria a partir deste pressuposto, de que o regime só cairia pela violência e nunca pela luta legal, que iriam nascer organizações clandestinas como a LUAR e como as Brigadas Revolucionárias. Organizações que o PCP sempre acusou de serem «aventureiristas», «divisionistas» e «blanquistas».

Abro um parêntesis, para lembrar que «blanquismo» é um conceito proveniente do nome de Louis-Auguste Blanqui (1805-1881), político francês que defendia que a revolução socialista e a consequente tomada do poder, não seria obra das massas proletárias, mas sim de um grupo reduzido de conspiradores, bem organizados em estruturas secretas. Segundo Blanqui, a revolução seria consumada sob a forma de um golpe de estado. Na linguagem dos partidos comunistas ortodoxos, blanquismo é, portanto, um termo fortemente pejorativo. [Read more…]

A Queima das Fitas

A Queima das Fitas do Porto 2009 já está a caminho.
Um evento ainda olhado de soslaio por muitos, desconhecido de alguns e uma aflição daquelas para muitas mães e pais. Foi, sobretudo, na década de 90 que a Queima das Fitas do Porto se impôs como uma das mais importantes festas populares do país. Lembro-me de em 1998 comentar com vários amigos que foi preciso ter a Expo 98 para se ver, em Portugal, um evento superior em número de entradas diárias numa só semana. Talvez muitos não saibam mas já em 1998 o pior dia das Noites da Queima conseguia, mesmo assim, meter no Queimódromo qualquer coisa como 50 mil almas. Nos últimos anos assiste-se a uma invasão pacífica de galegos atraídos por esta verdadeira Festa.
Como todos os que por lá passaram, também eu tenho inúmeras histórias da Queima. Não guardo com saudade esses dias. Adorei enquanto por lá andei, diverti-me como toda a gente mas foi uma época que já lá vai e sempre tive, pelo menos até hoje, a mentalidade de não suspirar pelo passado, apenas ansiar pelo futuro. Foi bom enquanto durou.
Uma coisa posso garantir, não há festa como esta. Por isso, caros estudantes, divirtam-se e façam o favor de ser felizes. (também AQUI)