Geringonça à moda antiga

Os primeiros “geringonços”.

Imagem: Arquivo RTP

A elegia do fascista

Querendo elogiar Álvaro Cunhal um salazarista compara-o a Salazar. Insulta os dois, mas deus, como não existe, distribuiu a inteligência e a cultura em forma de mijo: uns ficaram só com os pingos.

Cunhal, Papel Químico de Salazar

alvaro_cunhalCunhal foi-nos perigoso na sua servil e irredutível fidelidade à URSS e depois, com o passar do tempo, transformou-se apenas em mais um venerável e inócuo idoso pré-mumificado, ainda carismático, coerentemente petrificado, enquanto a URSS desaparecia e ficavam apenas as deletérias cinzas dela, milhões de mortos, presos políticos, silenciados, estrangulados nas liberdades mais elementares. O Político falhara. Surgiu o Artista. Avultou o Romancista. E esses são para amar e venerar, sem lentes nem peias, porque é sobretudo a humanidade, mais que a fria postulação política, a manifestar-se. [Read more…]

O Álvaro vende bem

Álvaro Cunhal vende bem, dentro e fora da www. Na passagem do centenário do seu nascimento, não faltam artigos que valem cliques que valem publicidade, como não faltam livros sobre livros sobre diz-que-disse Cunhal.

No vídeo acima, Odete Santos é clara e desmonta os mentiras que este livro contém. Não faltam convidados para falar de Cunhal como frio, calculista, sectário. Um monstro, ao que parece, e a quem a ideologia dominante não perdoa o carisma, a simpatia popular de que gozava e a admiração que alguns, mesmo adversários, lhe tinham. Não podem, que os tempos não são fáceis quando o tempo prova que o PCP teve razão antes de tempo, sobre o euro, sobre a UE, sobre as políticas desastrosas de PS, PSD e CDS que levaram o país a um estado de não Estado.

Nos dez minutos do vídeo acima, Odete Santos arrasa autor e imprecisões do livro. Talvez por isso sejam poucos os militantes do PCP convidados para falar nas apresentações dos muitos livros que foram e serão lançados em torno de Cunhal: [Read more…]

“… que se projecta na actualidade e no futuro”

Cunhal

Ao chegar a casa, depois de me deparar com um invulgar interesse de Ricky Gervais por determinados aspectos do folclore português hodierno, fiquei a saber, através da comunicação social amiga do Acordo Ortográfico de 1990, que, na próxima semana, no Espaço “Couloir Chevale [sic e já lá vamos]” do Parlamento Europeu, aqui em Bruxelas, será inaugurada uma exposição sobre Álvaro Cunhal, com o título «Vida, pensamento e luta: Exemplo que se projeta [sic] na atualidade [sic] e no futuro».

Cunhal 2

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Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (5) – debate com operacionais da LUAR, BR e ARA-

Este debate surge na sequência (e como corolário) de uma série de quatro textos que aqui publiquei sob o título «Luta armada contra a ditadura». Nesses textos, sumarizei os movimentos mais relevantes verificados desde o 28 de Maio de 1926 até ao 25 de Abril de 1974. Numa descrição cronológica (e necessariamente incompleta) englobei os movimentos de natureza militar, os de iniciativa civil, e alguns em que ambas as componentes intervieram. Nos dois últimos textos, tentei sintetizar a acção de organizações clandestinas que, desde o final dos anos 60 e até à Revolução, desenvolveram uma série de acções de sabotagem que constituíram um elemento decisivo no desgaste de um regime fragilizado pela Guerra Colonial, pelas greves, pelas lutas estudantis e por um crescente descontentamento da população.

No arranque deste debate que ficará depois aberto a todos os leitores, vou entrevistar elementos das três organizações que até a 25 de Abril de 1974, moveram essa resistência armada – A LUAR, as BR e a ARA. São eles, por ordem alfabética, Carlos Antunes, comandante operacional das Brigadas Revolucionárias; Fernando Pereira Marques, elemento do comando da LUAR que tentou ocupar a cidade da Covilhã no Verão de 1968 e José Brandão, que integrou a ARA, a organização armada do Partido Comunista Português. Todos eles meus amigos de longa data. É uma conversa entre amigos, portanto, esta que transcrevo da gravação. [Read more…]

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (3)

Numa reunião do comité central do PCP, realizada em Agosto de 1963, verificou-se uma grave dissidência entre a linha, estalinista, ortodoxa, a corrente maioritária, a de Álvaro Cunhal, e uma minoritária, liderada por Francisco Martins Rodrigues. Sendo insanável a divergência, este, acompanhado por outros elementos daquele órgão dirigente, abandonou o partido, acusando a linha dominante de ser «meramente eleitoralista».

Em Abril de 1964, esse dissidentes criaram a FAP- Frente de Acção Popular, através de cujo órgão de imprensa (o Luta Popular) defenderam a acção armada como única via de derrube do regime salazarista. Em 1965 os principais dirigentes e outros militantes foram presos pela PIDE. Porém seria a partir deste pressuposto, de que o regime só cairia pela violência e nunca pela luta legal, que iriam nascer organizações clandestinas como a LUAR e como as Brigadas Revolucionárias. Organizações que o PCP sempre acusou de serem «aventureiristas», «divisionistas» e «blanquistas».

Abro um parêntesis, para lembrar que «blanquismo» é um conceito proveniente do nome de Louis-Auguste Blanqui (1805-1881), político francês que defendia que a revolução socialista e a consequente tomada do poder, não seria obra das massas proletárias, mas sim de um grupo reduzido de conspiradores, bem organizados em estruturas secretas. Segundo Blanqui, a revolução seria consumada sob a forma de um golpe de estado. Na linguagem dos partidos comunistas ortodoxos, blanquismo é, portanto, um termo fortemente pejorativo. [Read more…]