Queima das Fitas, 2015

O carro 26, de História, era assim. Passos Coelho entra para a História, Salazar já lá estava. Fotos minhas e de Sérgio Rodrigues.

A queima e as fitas

Começou a festa aqui em Coimbra. Por quase duas semanas, a cidade sofrerá, perdão, beneficiará de todos os efeitos funestos, quer dizer, festivos, desse facto. Gozará de todas as alegrias que cabem aos reféns. E não é preciso estar atento ao calendário. Os sons,os cheiros alertam-nos para a festança. Que bom! Ainda ontem tomei nota da data de início ao ouvir os urros de júbilo que ecoavam na noite (durante toda ela…). Ouvi o bonito som das garrafas de cerveja que se partem contra os obstáculos que se interpõem no seu trajecto, o excitante exercício de percussão sobre contentores do lixo, que nos faz dançar na cama e – oh excelência de imaginação! – o rodar desses mesmos contentores empurrados, em roda livre, pela rua abaixo. Lindo! E notem: mais de cem quilos de contentor rodando livremente, sobre as suas quatro rodas, pela ladeira, acrescenta um je ne sais quoi de emoção: irá acertar numa porta? Irá embater num carro que, incauta e despropositadamente vai subindo a rua? Ou num cidadão ou, maior emoção ainda, numa criança? Tudo pode acontecer e ninguém vai levar a mal aos simpáticos e irreverentes foliões. A minha vizinha, a quem, no ano passado, urinaram na caixa de correio – que engraçado! – no dia em que recebia correspondência da sua filha emigrante espera, com a natural e ansiosa emoção, o que lhe irá acontecer este ano. Hoje apanhei um autocarro que, apesar de ir vazio, cheirava vibrantemente a mijo e vómito. Quer dizer: os alegres celebrantes, não se poupando a esforços, querem, até, partilhar connosco os seus fluidos festivos. Afinal – pensam eles, ‘taditos, ninguém lhes explicou melhor – isto é tudo tradição da Academia e tal e coisa. Quem não vai gostar são os médicos, enfermeiras, auxiliares e técnicos do Hospital da Universidade que, em vez de terem a Urgência cheia de doentes, vão tê-la cheia de estudantes em coma alcoólico. Esta malta da Saúde tem cá um mau feitio…

Ao que giro!


Hoje é dia de cortejo da “queima das fitas” cá em Coimbra. A criatividade anda à solta. Há 60 anos desfilavam camionetas armadas com rede de galinheiro ornada com pindéricas flores de papel. Hoje – o progresso não pára – desfilarão camionetes armadas com rede de galinheiro ornada com pindéricas flores de papel. É consolador admirar tanta imaginação! O ano passado, por exemplo, houve uma recreação nova: engraçados estudantes urinavam nas caixas de correio a que podiam chegar com os respectivos instrumentos. Que engraçado! A minha vizinha que recebia nesse dia o cheque da sua pensão não parou de rir. Também outro vizinho que nesse dia recebeu um subscrito com fotografias dos seu filho e netos há muito tempo emigrados e que há muito tempo não via, achou um piadão. Até eu, a quem os amáveis foliões destruíram vários vasos de flores – duas das quais com mais de vinte anos de cuidados – não pude deixar de rir. O humor inteligente é sempre bem vindo. Não sei, por isso, porque um amigo meu neurocirurgião prescrevia, furioso, para estes simpáticos criativos, um transplante de cérebro. Feitios…

Assalto à Queima das Fitas

No Porto foi a tiro. Em Coimbra sempre se roubou de colarinho branco. Tradições.

A Queima das Fitas

A Queima das Fitas do Porto 2009 já está a caminho.
Um evento ainda olhado de soslaio por muitos, desconhecido de alguns e uma aflição daquelas para muitas mães e pais. Foi, sobretudo, na década de 90 que a Queima das Fitas do Porto se impôs como uma das mais importantes festas populares do país. Lembro-me de em 1998 comentar com vários amigos que foi preciso ter a Expo 98 para se ver, em Portugal, um evento superior em número de entradas diárias numa só semana. Talvez muitos não saibam mas já em 1998 o pior dia das Noites da Queima conseguia, mesmo assim, meter no Queimódromo qualquer coisa como 50 mil almas. Nos últimos anos assiste-se a uma invasão pacífica de galegos atraídos por esta verdadeira Festa.
Como todos os que por lá passaram, também eu tenho inúmeras histórias da Queima. Não guardo com saudade esses dias. Adorei enquanto por lá andei, diverti-me como toda a gente mas foi uma época que já lá vai e sempre tive, pelo menos até hoje, a mentalidade de não suspirar pelo passado, apenas ansiar pelo futuro. Foi bom enquanto durou.
Uma coisa posso garantir, não há festa como esta. Por isso, caros estudantes, divirtam-se e façam o favor de ser felizes. (também AQUI)