Do fast food

Por principio sou quase sempre contra taxar alguma coisa. Soa-me sempre a proibição e embirro com isto. Gosto de fazer o que quero e não chateio ninguém. Assim, acho que esta ideia de se taxar o fast food é, vá, estúpida. Eu entendo que para os médicos seria muito bom se toda a gente comesse peixe e verduras e não houvesse obesidade. É só pena que o peixe esteja ao preço a que está e um kg de cerejas custe para ai 5 euros.
É bonita a ideia. Mas voltamos à questão. A fast food é boa de facto, sou a primeira a admitir que aprecio um bom hamburger repleto de químicos e batatas fritas cheias de sal que me vão matar antes de eu chegar aos 40. Mas…pergunto-me, não será que a decisão de ter 100 quilos e morrer antes do 50 é minha?
Para além disto, não será também verdade que um prato saudável confeccionado em casa custa o dobro do que ir comprar um congelado qualquer e po-lo no microondas? Em vez de taxarem o fast food não aumentem o IVA em alimentos saudáveis. Isso sim era uma medida coerente. Esta notícia do expresso: Europa prepara-se para declarar guerra ao lixo alimentar é bem demonstrativa disto. Quais foram os países que implementaram com sucesso esta medida? Os países mais ricos. Finlândia, Dinamarca, Suiça, Áustria. Por seu lado, a Roménia bem tentou mas desistiu.
Isto é tudo muito idílico de facto. Que bom seria viver num país onde uma criança pela-se por uma boa couve ou por uma verde alface. Mas a verdade é que um big mac alimenta para o dia todo e custa 4.90. E é verdade também que ainda ontem, falando em médicos, na RTP uma notícia dizia que as crianças estão a deixar de tomar as vacinas para a meningite porque não há dinheiro para as pagar. Isto tem tudo uma ligação. É pensar e olhar em volta antes de abrir a boca.

Um imposto com vantagens colaterais

A ideia do Bastonário da Ordem dos Médicos de aumentar o IVA da comidinha rápida e gordurosa apenas pecou por ter sido apresentada ao ministro errado. Paulo Macedo tem mais que fazer, rebentar com o SNS parecendo que não dá muito trabalho.

Tivesse apresentado a proposta a Pedro Mota Soares e aposto que este teria logo feito contas à vida: ora crianças magrinhas, cabe mais uma em cada sala dos infantários, velhotes sem obesidades, podemos empilhar mais uns três em cada lar, hambúrgueres mais caros vendem-se menos, passam de prazo, dão-se aos pobrezinhos … só vantagens, é claro.

Comer no McFrito’s

Ninguém acredita mas eu juro: nunca comi no McFrito’s.

Melhor dito: nunca tinha comido até este fim-de-semana. E a que se deve esta rendição? Aos tempos que correm, à pressão social, à moda? Não, rendi-me a uma criança de seis anos, que  ficara à minha guarda, e que ansiava por lá  ir. E lá tive que levar também a minha criança, que nunca lá ido e que, no que de mim depender, tão cedo não voltará lá.

Se entendo os que se deixam vencer de quando em vez pela pressão das crianças e adolescentes, tenho mais dificuldade em entender os adultos que, podendo ir comer a qualquer outro sítio, escolhem aquele. E havia por lá todo o tipo de gente: adolescentes, casais de namorados, casais de setentas e muitos, yuppies engravatados.

O problema começa logo com o cheiro a fritos que circunda o local, uma espécie de círculo espesso, ainda que invisível a olho nu, que contorna o restaurante e que embate nos narizes que pela primeira vez franqueiam as portas automáticas. Quem, apesar disto, decide entrar deixa à porta a esperança de comer decentemente. [Read more…]