Declaração de Goa

Texto da Declaração de Goa, resultante da 8ª Cimeira dos BRICS, realizada na cidade indiana de Goa, entre os dias 15 e 16 de Outubro de 2016.

Há 50 anos, a invasão

Quando Soares visitou Goa, uma cerimónia esperava-o no Palácio do Hidalcão e as necessárias formalidades protocolares foram cumpridas.

Ao ver a bandeira portuguesa subir no mastro, um velho goês, ostentando as suas condecorações dos seus tempos de servidor do Estado Português da Índia, disse a quem o quis ouvir, neste caso os milhões que na altura seguiam o telejornal da RTP:

-“Há trinta anos que esperava por este momento!”

Como já se tornou habitual, Soares regressou de Goa, Damão e Diu, declarando-se “espantado” pela ainda tão forte presença nacional naqueles territórios. Se isso lhe serviu de lição às balelas ocas que o Esquema vigente propala, ou contribuiu com algo que pudesse acarinhar aquelas gentes e manter os laços culturais com a antiga pátria, essa é uma outra questão. Aliás, nem sequer é questão, pois não existe.

O que andamos a fazer em Lisboa?


A Fundação oriente esforça-se, mas isso não basta. Existem comunidades luso-descendentes espalhadas por toda a Ásia, do Ceilão a Goa, Damão, Diu, Cochim, Malaca, Bangkok. Numa área do mundo onde surgem oportunidades de desenvolvimento económico e cultural, possuímos um precioso legado histórico que se encontra ao abandono. Temos o principal: a gente que lá ficou e teima em educar os seus filhos na tradição portuguesa. Do que estamos à espera?