Melhor negócio, só o das armas

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O ministro da Médis diz que a greve dos médicos é política (como se não o fossem todas) e corporativa. Ora em defesa da sua corporação, a da medicina enquanto negócio, os números são evidentes.

Trocar o direito à saúde pelos lucros fáceis da burguesia encostada ao estado foi a política deste governo. Melhor negócio só o das armas, como afirmou a primeira escolha de Passos Coelho para o ministério da Saúde. Não falamos só de canalhas, mas de canalhas homicidas. Tal como os da indústria de armamento.

Fonte: estudo de Eugénio Rosa (em pdf).

Greve

greve dos medicos

Enjoo

Para a TSF, comprova-se, contar uma greve não vai muito além do “transtorno” para quem não foi atendido, com historietas que roçam o ridículo, como a do utente do centro de saúde que só ia para pedir uma receita e agora “teria de ir ao privado”, como se a receita não pudesse ser pedida daqui a dois dias.
Mas a minha favorita da manhã foi mesmo a entrevista ao condutor de camionetas que nos últimos tempos só tem feito excursões de protesto. Hoje vai levar médicos do Porto a Lisboa, a semana passada foi outra classe profissional, para a semana será outra.
Pergunta do repórter: “Já deve estar enjoado de tanto protesto, não?”
O condutor não sei, mas eu estou enjoada da TSF.

O estado que não é desta nação

É dos livros: quando os médicos (ou os camionistas) saem à rua qualquer governo está acabado. Esse é o estado da nação, e um debate em que ministro da privatização da saúde tem direito a destaque confirma-o.

As arengas, que fui ouvindo ao longe, tiveram momentos com piada, embora no domínio de uma outra nação, a parlamentar, esse mundo maravilhoso onde se semeia o que será uma viçosa relva de ministro.

A culpa de tudo é do governo anterior, repete em loop a claque do governo, coisa que ando a ouvir desde 1974 (sendo que em 1974 era verdade). Vamos salvar a coisa, perdão, a pátria, fustigam. Estamos a exportar imenso, garantem (esquecendo que também estamos a importar menos). Em 2012 vale tudo, inclusive invocar 1943 (um país neutral em plena guerra).

Nada disto é neutro. A subserviência perante quem supostamente nos ajuda não é um acaso, é uma determinação. Afirmar que o BCE não empresta aos bancos a 1% não é mentir, é tentar uma habilidade. Insistir que não há dinheiro e temos de agradecer aos carrascos que emprestam com juros de usurário é apenas um tique de quem sempre se coloca do lado daqueles que têm o dinheiro, fogem com o dinheiro e com o bloco central se protegem.  Já fingir que estamos melhor, que os dados económicos são positivos, é apenas um reflexo neurológico, repetindo precisamente os últimos dias do outro governo. São esses os dias que ora repassam.

Mulheres e crianças recolhem carvão junto a uma via férrea no Porto. C. 1943.

Foto: in Joaquim Vieira, Portugal Século XX 1940-1950

Estado da nação

Greve dos médicos com adesão muito perto dos 100%.

Pela sua Saúde, os Médicos uniram-se

Greve dos médicos

Miguel Relvas ofereceu-se para tirar medicina num instante e dar uma mãozinha